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Reinvente-se: De um pequeno escritório comercial a 18 lojas do grupo Ramsons

Nome Ramsons se originou da junção do sobrenome hindu Ramchand com a palavra sons, que significa “filhos”, em inglês. “Filhos de Ramchand” possui 680 funcionários euma rede de 18 lojas espalhadas por toda a capital, especializadas em eletroeletrônicos, eletrodomésticos, informática, telefonia e móveis 06/08/2015 às 16:59
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Grupo tem 18 lojas em Manaus
acritica.com Manaus (AM)

Em uma conversa de poucos minutos, o recluso empresário, que começou com um pequeno escritório de representação comercial, listou diferentes momentos da economia que foram tão ou mais difíceis do que o que vivemos hoje.

Pudera: em 30 anos ele transformou um pequeno negócio em um império do comércio varejista de eletrônicos, com 18 lojas espalhadas por toda a capital: o grupo Ramsons.

Ao longo dessas três décadas, a Ramsons enfrentou o fim da “corrida dos importados” no braço comercial da Zona Franca, que impulsionou o comércio no Centro de Manaus na década de 1980, a queda da ditadura militar e mudanças políticas e econômicas que geraram turbulências no mercado.

“Na época do Sarney a desvalorização chegava a 80% ao ano. Foi uma época difícil. Os períodos de dificuldade foram muitos ao longo desses anos. Teve momentos em que se eu vendesse tudo que eu tinha não pagava metade da minha dívida. Nos tempos de crise eu mantinha o foco no trabalho, não tinha outra alternativa”, lembra.

Mas não basta trabalhar duro. É preciso ter planejamento, credibilidade e inovação, alerta Bhagwan. Diferenciais que permitiram à Ramsons um destino diferente de outras 505 empresas, também fundadas entre 1981 e 1990, que não resistiram às transformações do mercado e acabaram fechando as portas entre os anos de 2006 e 2013.

Elas correspondem a 13% do total de empreendimentos criados nesse período que funcionavam em 2006. Como Bhagwan, outros 3.225 empresários conseguiram fazer o negócio atravessar três décadas, revela o Cadastro Central de Empresas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O caminho para, após 30 anos, ainda terá empresa em expansão? Bhagwan diz que só tem um: o trabalho.

“Não se pode ficar pensando na crise, se está bom ou ruim. Nos tempos ruins que passamos na economia brasileira tem que esquecer de reclamar e só pensar em trabalhar, buscando mercadorias novas, novidades para atrair a clientela.

Hoje a gente está em crise, as vendas caíram bastante... então temos que nos adaptar. Reduzir estoques, custos. Readaptações que fizemos até para evitar demissões e conseguimos: já estamos até voltando a contratar.Aos poucos vamos superando as dificuldades”, revelou o empresário. E olha que elas não foram poucas na vida de Bhagwan ao longo das últimas três décadas.

COMO TUDO COMEÇOU

Vindo em um navio, o jovem imigrante indiano aportou em Manaus no ano de 1980, atraído pelos empregos gerados pela Zona Franca. E foi em uma fábrica do Distrito Industrial que ele conseguiu o primeiro emprego, onde permaneceu pelos próximos cinco anos.

“Foi quando vi a oportunidade de ganhar dinheiro com o comércio. Abri um pequeno escritório, que era uma representação e vendia importados para as lojas. Naquela época só tinha uma funcionária. Seis meses depois abri a primeira loja, na rua Guilherme Moreira, que tinha não mais que 11 funcionários. Não tinha tanto produto, trabalhava mais decoração e presentes voltados para os turistas que iam comprar na Zona Franca”, lembrou. Embalado pela expansão da indústria e da própria cidade, o negócio de Bhagwan cresceu e, na década de 1990, ele abriu outras quatro lojas no Centro. “Fui abrindo outras lojas e vendendo outros produtos, ganhei muito dinheiro e perdi muito dinheiro também, durante as crises”, contou.

Ainda na década de 1990, a primeira “crise” o obrigou a mudar o perfil da loja para se adaptar às mudanças no mercado.

“Aos poucos os turistas foram sumindo e os consumidores que ficaram eram Patrimônio de família do mercado local, mas as lojas só vendiam produtos para turistas. Fomos mudando devagarzinho os produtos que vendíamos na loja, primeiro para eletrônicos pequenos, depois eletrônicos maiores, até chegar aos eletrodomésticos e linha branca, que começamos a vender por volta de 1996, quando nossa clientela já era praticamente toda local.

Esse foi o segredo que repetimos para superar as crises: adaptar o negócio ao mercado. Quem não fez o mesmo, fechou as portas”, conta.

Aos poucos, o grupo foi se estabelecendo no mercado varejista e hoje os “filhos de Ramchand” – significado do nome – acumulam 18 lojas em 12 bairros de Manaus e uma equipe de 680 funcionários. “A família cresceu”, diz Bhagwan.

Para quem já tem ou pensa em abrir um negócio nesses tempos de crise econômica, ele deixa um conselho: “Foco. O empreendedor tem que focar no trabalho, não adianta querer fazer várias coisas foi o eu fiz e acho que acertei”.


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