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Carnaval
FOLIA HISTÓRICA

Conheça a história do bairro Praça 14 de Janeiro, berço do samba de Manaus

Bairro conhecido por suas manifestações afro-brasileiras e considerado o "berço do samba’" em Manaus, a Praça 14 de Janeiro completa, neste domingo, 133 anos de fundação, com festa comandada pela G.R.E.S Vitória Régia 12/01/2018 às 20:08
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Imagem da década de 1940 Igreja de N. Sra Fátima, em construção / Fotos: Arquivo/AC e Reprodução
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Falar do bairro Praça 14 de Janeiro é falar da Escola de Samba Vitória Régia. Os dois são “unha e carne” e um faz parte um do outro. No aniversário da comunidade, que amanhã faz 133 primaveras, é a agremiação com nome de flor que comanda a organização dos festejos na Zona Sul. Mas, além da diversão e as atrações musicais que estão embalando o bairro desde ontem até o domingo, é sempre bom resgatar a história desses dois patrimônios que muitos desconhecem.

Desde seu início, a Praça 14 sempre sediou manifestações afro-brasileiras que, quando da sua fundação, eram presentes também em bairros não mais existentes como a Costa da África, que ficava localizado próximo ao antigo cemitério São José, onde está hoje a sede do Atlético Rio Negro Clube, no Centro, e também na Cachoeirinha (que até hoje leva essa nome).

O bairro já foi chamado de Vila Maranhense, praças Fernandes Pimenta, 14 e Portugal e, a partir da década de 1950 de Praça 14 de Janeiro, em alusão a um levante, ocorrido nesta data em 1892, liderado por funcionários do Estado devido a atrasos nos salários.

Foi na Praça 14 que surgiu a primeira escola de samba de Manaus: a Escola Mixta de Samba da Praça 14 de Janeiro, fundada em 1946 e que existiu até o ano de 1962. Estava, ali, o embrião para a fundação, em 1975, da Vitória Régia, a querida verde e rosa.  Seu primeiro presidente foi Fernando Medeiros, e o último Edmilson Costa, e tinha como cores do pavilhão o amarelo, preto e vermelho. O nome é derivado da grande diversidade étnica, entre negros, caboclos e descendentes de portugueses da Praça 14 de Janeiro.


Imagem de componentes da Escola Mixta da Praça 14, a 1ª escola de samba de Manaus

Uma das suas mais destacadas brincantes era Tia Lurdinha. Famosa baiana e quituteira da Vitória Régia, ela desfilou por quase 30 anos pela Mixta e, quando em vida, sempre cantava um trecho de um samba de protesto da década de 1950 da antiga agremiação, de autoria de Zé Ruindade, que dizia: “Não é direito /Não é legal / Mudar o nome de Praça 14 / Para Praça Portugal”.

Festa no bairro

Neste sábado, a partir das 20h, haverá show pirotécnico, apresentação da bateria Berço do Samba e shows de bandas de forró. E domingo, shows com as escolas Aparecida, Sem Compromisso, Reino Unido e Primos da Ilha, além das bandas Bagaceiros do Forró, Bigu do Samba e do cantor Guto Lima.

Mais de quatro décadas de história

O Grêmio Recreativo  Escola de Samba (G.R.E.S)  Vitória Régia foi fundado em 1º de dezembro de 1975, na rua Jonathas Pedrosa, 1216, na Praça 14 de Janeiro. O local era o endereço de Raimunda Dolores Gonçalves, a Tia Lindoca, que juntamente com Nedson Pires de Medeiros, o Neném, Roberto Cambola e Darcy Sérgio de Souza, mais conhecido como Barriga, assinou a ata de fundação da agremiação que adotou as cores verde e rosa, tendo como madrinha a Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro.


Raimunda Dolores Gonçalves, a Tia Lindoca, uma das fundadoras da Vitória Régia

A Vitória Régia é presidida pelo sambista Didi Redman, e desde sua fundação sempre esteve presente em todos os desfiles desde 1976 e é a escola de samba mais antiga de Manaus, reforçando sempre o título berço do samba, onde o batuqueiro bate forte de janeiro a janeiro, como diz o refrão de um de seus mais conhecidos sambas de concentração. A escola tem 11 títulos no Carnaval de Manaus: 1977, 1978, 1979, 1980, 1984, 1990, 2001, 2002, 2004, 2010 e 2014.

Neste ano a verde e rosa vai trazer o enredo “Advocacia – Dos Primórdios à OAB Nosso Direito de Sambar em Verde e Rosa”.

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