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Severiano Mário Porto e evolução da ‘arquitetura manauense’

Característica marcante nos monumentos do centro histórico, traços portugueses dialogam com obras do arquiteto 20/02/2016 às 12:16
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Palácio da Justiça, no Centro de Manaus
Joana Queiroz Manaus - AM

Cobertura avançada além da edificação, pé direito duplo e portas e janelas altas são características da cultura arquitetônica européia presentes nas principais edificações que derem início à cidade de Manaus. A riqueza arquitetônica está presente e ainda pode ser admirada, principalmente nos imponentes casarões e monumentos  que se tornaram a marca de Manaus, como  o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o  hospital Beneficente Portuguesa e o Palácio Rio Negro, todos no Centro.

Para quem observa essas edificações, é possível notar a beleza dos detalhes que compõem o conjunto arquitetônico e  enriquecem a paisagem do centro de Manaus. Essa forma de construção, aos poucos, foi dando lugar a casas compactas, com espaços menos arejados e sem iluminação natural. É o que conta o arquiteto e presidente do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB) seccional Amazonas, Claudemir Andrade. Segundo ele, havia uma preocupação com o aconchego e a qualidade de vida das pessoas que morariam ali.

Para Claudemir, a arquitetura portuguesa ainda é muito forte, principalmente nas edificações do Centro, onde surgiu, em meados do século 19, até a década de 40. Mas, logo depois, essa característica foi desapareceram nas novas construções, relatou Claudemir. “Havia uma preocupação com o clima da região e utilizavam janelas generosas e portas de madeira, com uma parte fixa que chamava bandeira. As janelas eram altas, o pé direito elevado, as paredes com maior espessura, que permitiam a circulação cruzada do ar, assim como a iluminação natural”, explica Claudemir.

Dessa forma, as casas tinham iluminação natural e eram menos quentes, diz o arquiteto. Essas características ajudaram a fazer com que traços da influência da arquitetura portuguesa estejam presentes ainda hoje em muitos imóveis no Centro de Manaus.

Entre elas destaca-se o Palácio Rio Negro, na avenida 7 de Setembro. Construído no final do século 19, foi residência do comerciante alemão Waldemar Schulz e adquirido pelo governo do Estado em 1918. Depois disso, por longos anos abrigou a sede do Governo. No local, o primeiro dono costumava realizar festas onde reunia toda a elite da época.

Influência da arquitetura portuguesa presente nas obras de Severiano

Traços da arquitetura portuguesa  podem ser notados nas obras do arquiteto Severiano Mário Porto, de acordo com Claudemir Andrade. “O que se percebe nas edificações de Severiano é uma preocupação muito forte com as questões tecnológicas voltadas para o clima da região amazônica”, diz Claudemir.

Para Claudemir, Severiano tinha todo um estudo de inclinação. Assim que chegou a Manaus, ele passou a estudar a chuva, o sol e o vento da região. Nas suas obras, conta Claudemir, percebe-se que as edificações são protegidas da chuva e do sol, mas sem vedar “nem enclausurar” os ambientes, permitindo que a iluminação e a ventilação entrem e proporcionem luz sem aumentar o calor no ambiente.

“O ganho na qualidade de iluminação e ventilação, assim como a qualidade de vida dentro dessas edificações, é significante. Tanto é que Severiano passou a ser reconhecido por essas preocupações com a sustentabilidade: pouca energia, sem luz, sem ar”, define.

Novo estilo para ‘novos tempos’

De acordo com Claudemir Andrade, entre as décadas de 1940 a 1970, Manaus passou por uma grande transformação, com a chegada da Zona Franca e de novos materiais de construção. As moradias passaram a ser construídas por pedreiros, mestre de obras,  com pé direito baixo, janelas pequenas e colunas pequenas, não mais priorizando a qualidade do material.

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