Publicidade
Carnaval
Mamãe de coração

Singelo amor de mãe move fundadora de lares que acolhem crianças e adolescentes

Durante 11 anos ela foi voluntária, solidificando sua formação e fazendo com que, com o passar dos anos, esse amor ficasse ainda maior 24/10/2016 às 06:00
Show janell1
Dona Magaly descreve como uma “procedência divina” o sentimento que tem pelas crianças e adolescentes do Janell Doyle e do Abrigo Nacer / Fotos: Winnetou Almeida
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O amor de mãe é um dos mais importantes e singelos da humanidade. Mas, o trabalho de quem auxilia aquelas crianças e adolescentes que não possuem os pais, ah esse é a cada dia mais louvável, ainda mais se vier precedido da voluntariedade, carinho e proteção. E, independente de ser genitora biológica ou não, o importante é ajudar na criação e desenvolvimento dos nossos pequenos, às vezes, e quase sempre, abrindo mão do próprio tempo. É basicamente sobre essas doutrinas que trabalham pessoas como Magaly Azevedo Arruda Araújo, 54, fundadora e presidente do Lar Batista Janell Doyle e do Abrigo Associação Nacer. Durante 11 anos ela foi voluntária, solidificando sua formação e fazendo com que, com o passar dos anos, esse amor ficasse ainda maior.

“Neste trabalho que fazemos eu me sinto como mãs dessas crianças. Sim, tenho esse sentimento quando as crianças chegam até nós. Mãe é aquela que protege, que provê e que dá carinho, que quer que eles se sintam bem,a todas que passam por aqui. A maiporia delas chama a gente de mãe e isso é gratificante. Antes de abrir o abrigo Janell Doyle eu já recebia crianças em casa com as mães, desnutridas. E depois que criei o abrigo passei a cuidar das crianças que foram retiradas das famílias pela Justiça. E a única mãe que elas têm somos nós”, explica Magaly Araújo, que comanda na sede, localizada na rua Igarapé de Mauá, nº 1, Mauazinho, Zona Sul, uma equipe de 40 funcionários para dar carinho a 26 crianças acolhidas e 140 crianças da comunidade em trabalho social que inclui, também, grupos de mães, adolescentes e idosos.

Quem foi Janell Doyle?

Para quem ainda não sabe, Janell Doyle foi uma missionária norte-americana que trabalhou muitos anos na área social em Manaus e que faleceu este ano. Quando da fundação do Lar, a presidente Magaly Arruda comandava a União Feminina Missionária Batista do Amazonas e levou o sonho de criar a entidade as irmãs missionárias. Após alguns anos, a União mudou de nomenclatura para Convenção Batista do Amazonas, que indica a diretoria do Lar Janell Doyle.

Já a Associação Nacer (Nucleo de Assistência a Criança em Risco) foi criada em 1996, mas paralisou por alguns anos até retornar em maio de 2014, estando localizada na rua 35, nº 2, do bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul.

O objetivo principal de abrigos como o Janell Doyle e Nacer é acolher e dar assistência e atendimento a crianças e adolescentes de zero a 17 anos oriundas de famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, assistindo-os de forma integral após situações de abandono de incapaz, maus tratos, abusos sexuais e negligência.

Todos os abrigos recebem essas crianças e adolescentes via Juizado da Infância e Juventude, sendo o local uma medida de proteção a elas, sob decisão da juíza Rebeca Mendonça.

A presidente do Janell Doyle vai além na questão da afetividade que é preciso dar a quem chega aos abrigos. “Temos amor de mãe, e é essencial que recebamos as crianças e a acolhamos afetivamente. Quando elas chegam, principalmente as mais velhas, chegam com dor de alma e abandono, tendo deixado a casa após ser maltratado, abusado. Têm dores e vem com local totalmente diferente, com pessoas diferentes. A gente abraça, oferece o primeiro brinquedo, vai mostrar onde é a cama, a casa, rapidamente dá alimento após tomarem banho e trocarem de roupa. Esse é o acolhimento no sentido da palavra, passando a dar todos os cuidados de forma integral na parte da saúde com atendimento médico de oftalmologista, ortopedista, matrícula escolar, damos roupas a eles, ou seja, vamos batalhar para que ele tenha o direito de ser cuidado e continuar criança”, relata a dirigente.

Sentimento

Dona Magaly descreve como uma “procedência divina” o sentimento que tem pelas crianças e adolescentes do Janell Doyle e do Abrigo Nacer. “Sou evangélica e entendo isso como um ‘chamado de Deus. Desde criança eu falei para a minha mãe que queria ser missionária e que Deus queria isso para mim. Me formou para isso, fiz magistério em Brasília, depois Educação Crista em Teologia, técnica de Enfermagem e Psicologia. Cursei uma pós-graduação de Responsabilidade Social para me profissionalizar na área que eu amo. Missa missão é cuidar das crianças”, refere-se ela ao passo a passo para chegar ao que é hoje: referência em carinho.

Ela é casada e tem dois filhos biológicos, de 30 e 27 anos, e dois adotivos, sendo uma filha de 37 e um rapaz de 18 anos. “Teve um tempo que era só o meu esposo que aguentava com as despesas. Durante uma época eu trabalhei na Susam (Secretaria de Estado da Saúde) como técnica de Enfermagem. Trabalhei como voluntária por 11 anos, e desde o momento em que sonhei fazer o lar Janell Doyle trabalhei para fazer o terreno, construir a casa. Enquanto isso, cuidava de crianças dentro de casa, e só fui passar a receber remuneração do projeto em 2001”.

O Janell Doyle existe há 27 anos, sendo datado de 1989, mas sua inauguração oficial se deu em 12 de outubro de 1986 estando, portanto, com 20 anos. A ideia de fundar o Lar Batista Janell Doyle partiu da própria Magaly Arruda, que é carioca e que, quando morava em Brasília, vislumbrou a criação após visitar abrigos de crianças na capital federal. “Como eu falei anteriormente, eu já tinha essa vontade de ter uma entidade e cuidar das crianças, e isso veio amadurecendo com o tempo”, conta.

Para fundar o Janell Doyle, ela teve apoio da família e da União Feminina Missionária Batista e de empresas. A Igreja Batista cedeu o terreno, fez chás, bazares e ainda hoje a instituição é apoiada por empresas, pessoas e também pela Secreteria Municipal de Educação (Semed) e Secretaria de Estado da Ação Social (Seas).

Apelo

Ela faz um apelo à sociedade: “Que apoiem os abrigos e de maneira eficaz se comprometam mensalmente a participar das necessidades do abrigo. Agradecemos a quem colabora no período de Dia das Crianças e Natal, mas quero ressaltar que as crianças estão conosco o ano inteiro”.

Em relação à adoção, os responsáveis precisam tomar uma decisão racional que querem criar um filho e, depois, procurar o Juizado da Infância e Juventude para começar todo o processo judicial, ressalta ela.

Apesar de todo o carinho que é repassado nos abrigos, dona Magaly Arruda frisa que nada se compara a um lar. “Deus criou família para as crianças, e não para insituições. As entidades são criadas em face das falhas dos pais. O ideal seria que não existissem mas, como isso não ocorre, o abrigo é um medida de proteção, e trabalhamos para que elas retornem para as suas famílias. Toda criança tem direito a uma família e nunca vamos substituir o amor, a personalidade de uma família”, comenta a presidente do Janell Doyle e fundadora do Abrigo Nascer.

Projetos futuros

Entre as atividades e projetos futuros de dona Magaly Arruda estão a vontade de fazer um abrigo em municípios como Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e outros mais próximos visando acolher as crianças que passam por dificuldades nessas cidades. “Nòs sabemos das mazelas que passam as nossas crianças do interior. Quero que Deus nos dê mais saúde, vida e condições para executarmos esses projetos”, conclui a presidente.

Publicidade
Publicidade