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Time de Urucará (AM) enfrenta mais de 300 quilômetros para disputar o Peladão 2015

Força direto do interior: Mais de dez atletas moram em Urucará e o restante na capital amazonense. Para chegar até a cidade de Manaus e entrar em campo, o time tem de atravessar o Rio Negro e ainda percorrer vários quilômetros de estrada 20/11/2015 às 15:38
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Grupo de jogadores supera qualquer distância para entrar em campo
equipe peladão 2015 Manaus (AM)

O Peladão é o campeonato que move fronteiras e atrai gente de todo lugar do Amazonas. Por conta do sucesso que o torneio vem mostrando a cada ano que passa, mais e mais times do interior do Estado estão se inscrevendo no torneio, como é o caso do Urucará Futebol Clube.

O município fica 344 quilômetros de distância da capital amazonense e, acredite, mais 50% do time percorre um grande percuso para disputar os jogos do Peladão. A viagem é longa e desgastante, mas a fome pelo futebol e o compromisso de estar dentro de um campo de terra batida correndo atrás de uma bola supera todas as dificuldades.

Mais de 10 atletas do time moram em Urucará e o restante na capital amazonense. Para chegar até a cidade de Manaus e entrar em campo, o time tem de atravessar o Rio Negro e ainda percorrer vários quilômetros de estrada. De acordo com o presidente, técnico e um dos fundadores do time, Tarcísio Anjos, os jogadores que moram no município primeiro precisam pegar uma lancha. Eles viajam aproximadamente 100 quilômetros para chegar até o do município de Itapiranga (distante a 227 quilômetros da capital amazonense).

Ao chegar ao posto fluvial, o grupo ainda tem de percorrer mais de 200 quilômetros pela Am-010 (estrada estadual que interliga Manaus - Itacoatiara) para chegar até a capital amazonense. Não é fácil para os jogadores, mas o amor pelo campeonato e pelo futebol supera a quilometragem que eles percorrem todos os finais de semana.

As despesas são custeadas por meio da famosa “vaquinha” criada pelos próprios jogadores. Eles se reúnem e conseguem o dinheiro para pagar a atravessia da lancha que custa, em média, R$ 30 por pessoa. Quando o grupo chega a Manaus, os mesmos se hospedam nas casas do presidente Tarcísio Anjos e outro colega e também fundador do time Péricles, que é cunhado de Tarcísio, e de lá seguem para o campo endereçado do jogo. 

Juntos, eles fundaram o time há três anos, sendo que este é a segunda participação do grupo no Peladão. Na primeira vez, eles se saíram muito bem e ficaram entre os oito primeiros colocados. O grupo conseguiu uma façanha, pois em 2013, quando o time participou pela primeira vez no torneio, a equipe estava somente com 11 jogadores, ou seja, só havia titulares no grupo.

“Realmente foi muito difícil. Nunca pensei que íamos chegar e ficar entre os oito primeiros colocados e isso nos deu uma força a mais para entrar novamente no campeonato e, hoje, estamos classificados e indo bem no torneio. Esperamos chegar mais longe”, explicou o presidente da equipe, satisfeito com o desempenho do time.

Uma vida interiorana

Segundo o presidente do grupo, aproximadamente 10 atletas do time moram fixo no município de Urucará. Lá os jogadores vivem outra vida. Conforme Tarcísio Anjos, o sustento da maioria dos atletas é tirado da horta, em fazendas, com gados ou em plantações.

“Eles trabalham com horta, com roça, eles vivem disso. Inclusive, o nosso atacante trabalha na hora mesmo com cultivo de farinha e tapioca”, explicou o presidente. O atacante em que ele se refere é o camisa 11 da equipe.

Jogador rápido e habilidoso, o atacante é conhecido como “Parazinho” que é um dos destaques da equipe. No último jogo ele foi um dos jogadores que marcaram gols que deram a vitória por 2 a 1, no último sábado. Agora a equipe aguarda sorteio para ver contra quem vai pegar pela frente.

O presidente está esperançaso e confiante de que o time estará entre os primeiros no final do campeonato.

Um marcador bem vacinado

Outro destaque do time do Urucará é o volante André Oliveira dos Santos, de 28 anos. Natural de Manicoré. O jogador amador mora há oito anos em Urucará. Prestes a assinar um contrato profissional com o Penarol, de Itacoatiara, André contou que já disputou três vezes o Peladão principal.

Ele relembrou que desde que o time foi criado, ele vem disputando o campeonato que, para ele, é um dos melhores do Amazonas. Atualmente, ele ainda está jogando em três torneios, sendo um fora de Manaus. Formado em técnico em agropecuária, o volante trabalha cuidando de gados no interior. “Eu vacino, faço castração quando estou por aqui e em Manaus é só futebol”, disse.

Ele explicou que para vir a Manaus pega a lancha com os amigos e fica aproximadamente 1h20 dentro da embarcação até chegar ao porto de Itapiranga. “De lá são mais de cinco horas até chegar em Manaus”, revelou. Ele explicou que, no início do time, a ideia era apenas para montar o time para brincar, mas como em 2013 o time ficou entre os oito primeiros, o time levou mais a sério o campeonato amador.

“Antes era só brincadeira, agora não todo mundo se policia e jogamos sério mesmo”, contou. No time do Urucará, ele está atuando como zagueiro, sendo considerado um dos melhores da categoria principal do Peladão. “Tem um amigo do time que conhece muitos jogadores do Peladão e ele me diz quem eu tenho de marcar e faço isso”, revelou, ao dizer que este tipo de marcação tem sido o fator principal do sucesso na zaga do Urucará.

Em números: 6h30min

Time enfrenta 1h30 de viagem sobre o Rio Negro e mais de cinco horas dentro de um ônibus na estrada AM-010 até chegar à capital amazonense e tudo para disputar o maior torneio de futebol amador do mundo.


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