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Torcedor é a inspiração do ‘Amigos do Sérgio Pessoa Neto’

Seu Jonisel possui a doença ELA que atinge os músculos deixando-os mais fracos com o passar do tempo. A doença tem início nos membros superiores e, posteriormente, passa para os inferiores. Mas para ele, isso não é motivo para abatimento 27/11/2015 às 10:08
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Mesmo com as dificuldades impostas pela ELA, Jonisel não para de sorrir
equipe peladão 2015 ---

Mesmo com um andador, o autônomo Jonisel Soares, 54, que luta contra a doença Esclerose Lateral Amiotrífica (ELA), tem o prazer de estar dentro de campo. Desta vez, ele é símbolo de inspiração para os jogadores do Amigos do Sérgio Pessoa Neto, time da categoria Master, do Peladão Brahma 2015.

Seu Jonisel descobriu que tinha ELA em 2008, após um diagnóstico feito pelo doutor Tiago, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e depois confirmado pelo médico Dagoberto do Hospital das Clínicas. Hoje, com 54 anos, mesmo com a doença, ele ainda dirige e esbanja alegria. “Achei que tinha pouco tempo de vida, mas ainda estou aqui e ainda trabalho e dirijo graças a Deus”, disse.

Além de tudo, seu Jonisel é a peça fundamental para o grupo. O autônomo deu entrevista para a reportagem e explicou que sente muita falta de jogar futebol no Campo do Bolinha, o qual ajudou a construir. O campo fica localizado na rua 75, no conjunto Oswaldo Frota, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus.

“Sinto falta da pelada, do papo furado com os amigos, das piadas, do dominó, da gelada, da confraternização de final de ano, era tudo de bom, mas graças a Deus estou conseguindo levar a vida”, agradeceu.

Seu Jonisel era jogador do time master e atuava como atacante da equipe. O mesmo trabalha atualmente no ramo de estivas e acompanha a equipe de dentro de casa. Os jogadores e amigos do time passam todas as informações para ele, que torce agora pelo grupo de longe, porém sempre estará no coração do Amigos do Sérgio Pessoa Neto, como disse um dos fundadores do grupo, Zulenilson Portela da Silva, conhecido mais entre os amigos como “Zula”.

“Nós o chamamos de gaúcho e ele está desde o começo com a gente. Não perdia nenhuma pelada aqui no campo nos dias de terça e domingo. Ele sempre jogou no ataque e só parou mesmo por causa da doença se não estaria jogando ainda com a gente”, explicou.

Seu Jonisel possui a doença ELA que atinge os músculos deixando-os mais fracos com o passar do tempo. A doença tem início nos membros superiores e, posteriormente, passa para os inferiores. Mas para ele, isso não é motivo para abatimento. Muito pelo contrário, seu Jonisel dirige ainda seu carro “para cima e para baixo”. Hoje ele mora com a esposa e sua filha e ainda possui um filho que também joga no time do bairro. No conjunto, todos os moradores o conhecem e o admiram pela sua luta contra o ELA.

Batalha para erguer campo

Conhecido como “Campo do Bolinha”, a área de barro deu espaço para uma bela estrutura para jogar o bom e velho futebol amador. Situado na rua 75, do conjunto Oswaldo Frota, na Cidade Nova, o campo foi construído pelos próprios moradores do bairro, segundo informou Zula Portela, uma das pessoas que participou da construção do campo. De acordo com ele, o campo foi criado no início por cinco ou seis pessoas do conjunto que tinham o interesse em ajudar a comunidade em ter um espaço para a prática esportiva. “No início não tinha área de lazer aqui e nós (moradores) nos reunimos e procuramos um meio para fazer uma área esportiva”, contou Zula.

Há dez anos, o local era só entulho e mato. Os amigos se juntaram e, com ajuda de amigos, os moradores conseguiram um trator para recolher parte do entulho jogado no local. “Tinha muito entulho, muitas pedras, nos organizamos, procuramos apoio e foi melhorando a situação do campo”, relembrou.

“Antes, quando o grupo conseguiu os primeiros desenhos do campo, o local era menor e cabiam apenas quatro jogadores. Agora já cabem seis. Fizemos também uma área pro vôlei e a intenção é melhorar. Temos uma escolinha de futebol também que funciona toda quinta-feira à noite”, revelou Zula.

O time Amigos do Sérgio Pessoa Neto está classificado para mais uma fase do mata a mata. Segundo Zula, o grupo quer fazer história no maior campeonato de peladas do mundo. “Quero que o time esteja entre os grandes nomes do Peladão. Estamos querendo construir a nossa história e estar entre os 16 já é um feito, mas, queremos está mais lá na frente”, contou. Ele destacou também que o time jamais foi eliminado na primeira fase do torneio e a expectativa é chegar entre os oito primeiros colocados.


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