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Torcedores enfrentam uma saga nas filas para conseguirem lugar privilegiado na arquibancada

As filas de torcedores apaixonados pelos bois Garantido e Caprichoso começaram a se formar desde a manhã de quinta, mas os portões do bumbódromo só abriram às 15h desta sexta-feira (26) 26/06/2015 às 15:54
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Cristiane foi a primeira a chegar na fila do lado azul
Cinthia Guimarães Parintins (AM)

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Vale de tudo para fazer parte da galera, o item 19 do Festival Folclórico de Parintins. As filas de torcedores apaixonados pelos bois Garantido e Caprichoso, cujos portões do bumbódromo abrem às 15h desta sexta-feira (26), começaram a se formar desde a manhã de quinta. Eles não se importam em ficar debaixo de sol escaldante típico do mês de junho ou da chuva torrencial que caiu na manhã desta sexta, mesmo sobrevivendo a base de lanches, frutas e churrasquinho de rua.

Os fanáticos enfrentam uma verdadeira saga para conseguir um lugar privilegiado na arquibancada. Como a vendedora parintinense Cristiane Rodrigues, de 35 anos, a primeira a chegar na fila do lado do Caprichoso, toda vestida de azul - do brinco ao batom. Morando em Manaus, Cristiane disse que não perde nenhuma edição da festa.

O segundo da fila foi o vendedor Havinner, 19 anos, acompanhado da prima e do irmão. Torcedor fanático do Caprichoso, como ele mesmo se define. “Cheguei às 3h30 da madrugada. Todo ano é assim, sou um dos primeiros a chegar na fila. Nós fazemos revezamento para aguentar até a hora de entrar. Vamos sobrevivendo aqui a base de banana”, brincou.

Os torcedores vêm principalmente de Manaus e de outras cidades da região. A cabeleireira Girlene Coentro, que chegou com um grupo de 10 pessoas de Guajará-Mirim (RO), é uma delas. “Trouxemos kit completo: protetor solar, roupa, água e jaqueta pra nos protegermos do sol”. A turma se alterna para almoçar, comprar bebidas e se trocar. Na minha cidade, nós temos o nosso boi, das cores azul e vermelho. Por isso me identifico com o Caprichoso”, disse Girlene.

Amazonense morando no Rio Grande do Sul, a psicóloga Susy Anne Ribeiro trouxe quatro amigos japoneses para assistirem ao espetáculo. Eles ficarão nas cadeiras numeradas, enquanto ela vai para a galera, pelo segundo ano consecutivo.

Do lado vermelho, a fila começou a se formar mais cedo, já na manhã de quinta. A professora de educação física Monick Alves, 28 anos, foi uma delas. Ela conta que vem a Parintins desde os 6 anos. “Cheguei de barco na quinta com um grupo de uns 20 amigos, todos somos do Garantido. Daí cheguei na fila às 5h porque já estavam guardando nosso lugar. Aqui, um ajuda o outro no que pode. O que não pode faltar é o protetor solar e óculos escuro”, se diverte com os amigos, mesmo na longa espera até a abertura dos portões.

Fã de carteirinha do Garantido, o industriário Ricardo Farias não perde o festival há pelo menos 10 anos consecutivos. “Ano passado eu vim sem mala nenhuma. Fui deixar os amigos no porto e acabei comprando a passagem em cima da hora e embarcando sem nada. Comprei tudo aqui. Quando voltei pra Manaus, mandei a real para a minha chefe que disse que tinha me visto na TV. Não adiantava eu mentir. Só levei uma advertência”, relembra.

Já a estudante Tássia Barbosa, 16 anos, viajou 8h de barco de São Sebastião do Uatumã com o pai para não perder a folia. “Amo o festival. Acho que nasci para estar aqui”, diz empolgada com o momento da festa.

A bióloga Tassiana Goudinho diz que praticamente não dorme durante os três dias de festa. “Todos os anos estou aqui sem falta na fila da galera. Depois que acaba a apresentação, só dá tempo de ir em casa tomar banho e voltar para a fila. Viemos com tudo pronto para aguentar a maratona”.

Ambulantes

Enquanto os torcedores disputam lugar para entrar durante três dias, os vendedores ambulantes aproveitam a situação para dar plantão do lado das filas e faturar um dinheiro extra.

Desempregado há 11 meses, Francisco Flávio Gomes chegou a Parintins na terça-feira de barco, trazendo o carrinho e 20 sacas de laranja de Manaus para vender suco natural. “Com a idade que eu tenho conseguir um emprego fica mais difícil. Então minha sobrinha me deu um incentivo e estou aqui vendendo suco desde terça”, diz ele, otimista com o movimento.

O ambulante Romilson Silva Viana, 22 anos, e a esposa esperam faturar mais com os dias do festival, já que no dia a dia da cidade as vendas são fracas, segundo ele.

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