Sábado, 20 de Julho de 2019
Para emocionar!

Vila da Barra vai fechar desfile das grandes do Carnaval gritando a plenos pulmões

Dividido em quatro partes, o desfile da escola de samba Vila da Barra promete dar o quem falar no dia 10 de fevereiro no Sambódromo de Manaus pelo Grupo Especial.



viladabarra20181.JPG O desfile tem tudo para ser um dos dramáticos já exibidos pela agremiação, com tom emocional em nível elevado dado o enredo / Fotos: Evandro Seixas
09/02/2018 às 15:34

A escola de samba Vila da Barra, que estreou no Grupo Especial de Manaus ano passado, vai encerrar a apresentação das grandes do Carnaval amazonense entrando no Sambódromo às 5h20h e finalizando às 6h30 já na manhã do Domingo Gordo de Carnaval. A “Onça”, um dos apelidos carinhosos da escola por ter como mascote o animal, é a “caçulinha” entre as agremiações da cidade, mas já conta com mais de 20 anos de fundação. Sediada na Compensa, a Vila vai defender o enredo sobre o “Grito”, em seus mais diferentes momentos, desde aquele dado na Independência do Brasil por Dom Pedro 1º (“Independência ou Morte!”), o dos Excluídos, pela Amazônia e outros. O desfile tem tudo para ser um dos dramáticos já exibidos pela agremiação, com tom emocional em nível elevado dado o enredo.

Dividido em quatro partes, o desfile da escola de samba Vila da Barra promete dar o quem falar no dia 10 de fevereiro no Sambódromo de Manaus pelo Grupo Especial. Principalmente o terceiro setor, que vai falar sobre os preconceitos nas suas várias formas, seja o racial, passando pela religião e gênero, por exemplo. A concepção é do carnavalesco Tiago Fartto, que traz na bagagem trabalhos com a sensação do Carnaval carioca Paulo Barros, que hoje é da Vila Isabel (RJ).


Escultor finalizando alegoria da Vila da Barra para este Carnaval do Grupo Especial

“Vamos retratar gritos históricos como do Sete de Setembro da Independência, da dor de um povo escravizado, da Lei Áurea, de Tiradentes. O grito de pessoas que não se calaram, que gritaram, que foram importantes. Que protestam em relação à Amazônia, que pedem paz, amor e socorro. O nosso terceiro setor também vai falar do preconceito racial, de religião, de cor e gênero. O quarto e último trará um misto pelos motivos de pavor,  comemoração”, relata o carnavalesco.

O último carro alegórico vai trazer a alegoria “Loucos pela Vila em um Sonho de Gritar É Campeão”, homenageando pessoas que são importantes para a agremiação.

Coordenador de alegorias, nascido em Manaus e criado em Parintins, o artista Jonilton Nogueira Cardoso, 31, que está há dois anos na escola, comentou que “a expectativa é muito grande, em ritmo acelerado, e só ajustando detalhes para o desfile”.

De acordo com o presidente da Vila da Barra, Apollo Ferreira, a crise fez a escola correr contra o tempo para desfilar, abrindo mão de 40% do seu planejamento inicial. Isso custou uma alegoria a menos na avenida, desfilando com três carros alegóricos em vez dos cinco previstos e cerca de 2.900 brincantes em vez de 3.500. A bateria terá 200 ritmistas.


O presidente Apollo Ferreira tem expectativa positiva para a apresentação 

“Mesmo com tantas dificuldades as nossas expectativas são boas. A disputa é na avenida. Fora disso uma escola tenta ajudar a outra da melhor forma possível. Mas vai dar tudo certo”, conta ele, ressaltando a união entre as agremiações carnavalescas. “Vamos dar, na avenida, um grito de dever cumprido”, completa Apollo Ferreira.

Carnavalesco já trabalhou com Paulo Barros no Carnaval carioca

Tiago Fartto, de 33 anos, é carnavalesco da Vila da Barra desde o ano passado, e traz no currículo serviços como integrante do staff do conhecido carmavalesco Paulo Barros, uma das sensações do Carnaval carioca e que hoje defende a Vila Isabel.

De São João do Mirití, município da região metropolitana do Rio, para Manaus. Estamos falando do designer de Carnaval Tiago Luiz dos Santos de Souza, mais conhecido no samba como Tiago Fartto, de 33 anos. Ele é o carnavalesco da escola de samba Vila da Barra, mas traz no histórico a experiência de ter feito parte da equipe de criação do também carnavalesco Paulo Barros, hoje na carioca Vila Isabel, e do artista Rogério Azevedo.


O carnavalesco está desde o ano na função na Vila da Barra

Seu início foi na Beija-Flor de Nilópolis em 2005, ainda como aprendiz do carnavalesco Cid Carvalho. Ele ficou lá até 2007, quando quem estava no comando era Alexandre Louzada. A partir daí, em 2008, foi para a Viradouro com Paulo Barros, e de lá com ele para a União da Ilha, Unidos da Tijuca e Mocidade. Em 2015 fez parte da equipe de protótipos da Portela e chegou a Manaus para se dedicar mais ao Carnaval local apresentado por Almir Nascimento, ex-pajé do Boi Garantido . Em 2016 foi da Unidos da Cidade Nova, e desde ano passado assumiu na Vila da Barra.


Tiago Fartto (à direita, de camisa amarela) trabalhou com o mestre Paulo Barros (ao centro)

Ele fala que seu ponto marcante foi ano passado ao distribuir as fantasias aos brincantes em um caminhão. “Tem também as amizades que conheci, que fiz, minha equipe mais próxima que tem pessoas como Júnior Nascimento, Pedrinho Pessoa, Juliana chefe de ateliê. Ah, e gosto da churrascada que fazem sempre pra mim todo ano”, disse ele, que tem apartamento em Manaus, mas também tem moradia no Rio.

Raio-X

Nome: Vila da Barra

Enredo: O Grito

Data de fundação: 21 de maio de 1995

Componentes: 2.900

Entra na avenida às: 5h20

SAMBA-ENREDO DA VILA DA BARRA

Compositores: Roney Cruz, Paulino Braga, Paulo Medeiros, Davi Menezes, Altemir Souza, Sandro Roberto, Clenio Francine, Carliomar Brandão, Rodrigo Froes, Hudson Santana

‘O Grito’

Grita que a “vila” chegou agora

Meu amor por você implora

Lá vem compensa pode aplaudir

Eu vou gritar pro mundo inteiro ouvir

Terra à vista…

O grito do desbravador ôôô..

Na inconfidência lutei

Em algumas vozes morri

Em outras triunfei

Independência ou morte

O brado retumbante a ecoar

E os tambores da senzala a rufar

Liberdade a alma tingida na cor

Liberdade o grito do negro ecoou

Nem a tortura, a mão da ditadura

Silenciou o meu clamor (bis)

De cara pintada com o povo gritei

Com braços abertos a deus supliquei

Liberta a minha nação

Eu grito não a corrupção

O grito de horror na tela

Pavor, desigualdade social

Intolerância religiosa não aceito 

Rasgo as vestes de quem veste o preconceito

Gritaram os filhos da terra

Amazônia vamos preservar

Haja coração..

No grito de gol da nossa seleção

Ôôô..ôôô..

Explode o peito de emoção

Grita com a “vila”, sou campeão

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