Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
MMA

Lutadora Larissa Moura conquista segunda vitória consecutiva na carreira

Morando em Manaus há três anos, a atleta da academia Cosme Júnior Team, atualmente sem patrocínio, sonha em viver do MMA



lutadora_C1BB099D-AAFD-47AB-B2F0-A7958E39C956.JPG Foto: Clovis Miranda
07/10/2019 às 07:00

O mito das amazonas data de uma época tão longínqua que muitas controvérsias existem a respeito da sua real origem. Uma das versões mais aceitadas é de que na Grécia antiga existia uma nação completamente formada por mulheres guerreiras. Outra ótica sobre as amazonas que também se destaca é a da expedição realizada pelo espanhol Francisco Orellana à Amazônia. 

Os espanhóis chegaram à região em 1542, encontrando um grupo de índias guerreiras, que lutavam nuas e viviam em tribos sem homens. Por seus costumes, elas lembravam as lendárias amazonas da mitologia grega e logo foi feita a associação entre elas. Acreditando ou não nos inúmeros relatos históricos sobre as temidas mulheres guerreiras, o estado que carrega o mesmo nome do grupo, até hoje produz diversas amazonas. É o caso de Larissa Moura, parintinense de 27 anos. No último final de semana, a lutadora de MMA, participou do Rei da Selva Combat 15 e conquistou sua segunda vitória seguida, acumulando cartel de duas vitórias e uma derrota.



Apesar das dificuldades, a atleta da academia Cosme Júnior Team, pretende fazer carreira dentro do octógono.  “Tenho muito orgulho de ser parintinense. Tenho muito orgulho da minha cidade, é uma cidade de mulheres guerreiras em todos os sentidos”, disse sobre as ‘lutas’ diárias das mulheres em sua cidade natal e como elas pretendem ganhar cada vez mais espaço no cenário das artes marciais mistas. 

“As mulheres vão ser o que elas quiserem. Eu quis ser lutadora e estou no caminho para chegar aos grandes eventos. Hoje em dia ainda é bem difícil, a mulher na luta está quebrando barreiras, tem muitas atletas boas surgindo”, completou Larissa, que sonha em um dia lutar no evento UFC. 

A relação de Larissa com as artes marciais começou de forma tardia, aos 23 anos. Antes disso, ela se interessava por outros esportes como futsal e handebol. Modalidade que chegou a disputar em competições escolares. O ‘despertar’ para as artes marciais veio na idade adulta quando ela viu a estadunidense, Ronda Rousey, ser a primeira mulher a fazer história no UFC. Querendo trilhar os mesmos passos, Larissa trocou as quadras pelos tatames.

 “Eu comecei no jiu-jítsu lá em Parintins. Devia ter uns 23 anos. Comecei a lutar por conta da Ronda Rousey, sou super fã dela. A arte marcial mais próxima que tinha, e que eu poderia praticar era o jiu-jítsu (Ronda Rousey foi campeã pan-americana de judô, em 2007 e bronze na Olimpíada de Pequim, em 2008, antes de ir para o MMA)”, disse.
Mas o sonho de crescer nas artes marciais tinha um obstáculo: as poucas oportunidades de treinos e competições na llha Tupinabarana. Buscando crescer na modalidade, ela tomou a decisão de vir para Manaus, onde vive desde 2016.

 “O esporte lá (Parintins) é carente, então agora que está chegando mais Muay Thai e MMA. Vim para Manaus aos 25 anos, em 2016. Quando cheguei aqui, continuei treinando jiu-jítsu, depois de uns seis meses um amigo meu ia ter uma luta de MMA e começamos a treinar. Foi quando me apaixonei pela modalidade”, apontou Larissa que está morando há três anos na capital amazonense. 

Todas as fichas no MMA

Ao perceber que poderia alçar voos mais altos através das artes marciais mistas, Larissa Moura decidiu investir de vez na modalidade. A primeira competição que ela disputou foi o Cassino Fight contra Pamela Valente.

“Mudei de academia e fui para uma que tinha equipe de MMA forte. Em 2017 disputei minha primeira luta de MMA, não tinha nem cinco meses de treino e pedi do meu mestre para lutar. Inicialmente queria competir K-1 (modalidade de Kickboxing), mas surgiu um evento de MMA e eu disse que gostaria de participar. Fiz uma grande luta, foram três rounds de muita ação, mas acabei perdendo por pontos. Meses depois lutei de novo e ganhei por nocaute técnico”, relembrou.

Apesar de hoje em dia poder dedicar um bom tempo aos treinos – ela treina técnicas de luta sete dias por semana e corre três vezes - Larissa revelou que nem sempre foi assim e até mesmo já chegou a passar um longo período longe das lutas. “Ano passado dei uma parada por conta de faculdade e trabalho. Passei praticamente um ano e meio longe dos eventos” declarou Larissa, que era estudante de educação física e trabalhava como segurança, este ano ela retornou aos octógonos, porém para isso teve de fazer sacrifícios.

“Agora retornei com vitória no Rei da Selva. Para isso tranquei a faculdade de educação física e saí do meu trabalho como segurança. Hoje em dia faço marketing multinível e trabalho com vendas também. Consigo conciliar isso com meus treinos”, apontou a lutadora.

Continuando o sonho

Na ‘luta’ por seus sonhos, Larissa não se inspira apenas em exemplos de fora do Brasil. No ‘quintal de casa’, ela tem como referência a ‘Fenômeno’ Ketlen Vieira, que é segunda colocada no ranking peso-galo do UFC, a franquia de artes marciais mistas mais famosa do mundo. Como muitos praticantes de artes marciais, Larissa também possui o sonho de estar em eventos internacionais e fazer do esporte sua principal fonte de renda.

“Treino muito porque decidi realmente fazer do meu sonho realidade, todo mundo almeja os grandes eventos, a equipe do Cosme Júnior é muito reconhecida, sempre vitoriosa. E assim, vamos dar continuidade nesse sonho. Espero um dia me manter só com o MMA. Todo mundo quer chegar ao UFC, conseguir uma boa quantia em dinheiro. Ketlen Vieria também foi aluna do mestre Cosme. Tenho ela como exemplo. É uma manauara que acreditou nos sonhos dela e está lá”, afirmou a parintinense. 

A pior ‘luta’ do MMA 

Dentro da modalidade, Larissa revelou a parte que mais a incomoda em toda a rotina de treinos e preparação. 

“Para última luta perdi 10 kg. Para mim essa é a pior parte, não poder comer quase nada. Tem muita gente que não entende isso, mas na semana da luta a gente desidrata, às vezes fica um dia sem comer nem tomar água. Chega no dia da pesagem quando bate o peso certo é um alívio. A pior parte de todo o processo” declarou a amazona moderna.

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