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Craque

A arte da superação: crianças aprendem a lutar judô para passar por cima dos problemas

Projeto social acontece três vezes por semana e atende 54 crianças no Batalhão de Choque da Polícia, em Manaus 26/08/2015 às 15:15
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Projeto Formando atletas existe há cinco anos e foi fundado pelo sensei Bala
Camila Leonel Manaus (AM)

Três vezes por semana, Raquel Araújo, 12 e a avó Maria de Lourdes, 64, caminham aproximadamente  2km do ramal Matrinxã, que fica no quilômetro 19 da AM 010, onde moram,  para chegar às aulas de judô no Batalhão de Choque da Polícia Militar, localizado no bairro Santa Etelvina,  na Zona Norte de Manaus. Raquel  treina no projeto Formando Atletas, comandado pelo policial militar Nilton Ferreira Filho, mais conhecido como sensei Bala. Às segundas, quartas e sextas, ela e mais 54 alunos de idades variadas aprendem judô de graça.

História de vida

Raquel, que perdeu o pai e hoje é criada pela avó,  pratica judô desde os sete anos e hoje é faixa laranja. A avó acompanha as aulas com o olhar atento e fala sobre a evolução da neta desde que começou a praticar o esporte.  

“Ela começou no colégio um pouco devagar e depois que ela entrou no judô, o desenvolvimento dela tanto foi no judô  quanto no colégio, graças a Deus. Ver ela e as crianças treinando é uma  felicidade muito grande   não só por ela, mas pelas outras crianças também. Vale a pena o sacrifício de trazer ela para fazer as aulas”, disse a avó com um sorriso no rosto.

 Raquel vai direto da escola para os treinos. A avó encontra com ela no Batalhão e, após as aulas, o sensei Bala deixa as duas na entrada do ramal e aí, são 2km de caminhada até chegar em casa.

As duas conheceram o projeto por meio de um policial militar. Avó e neta foram ao batalhão para ver como funcionava e, como as aulas eram  de graça, acabaram ficando. Raquel foi se graduando, mas ainda faltava um quimono. Foi aí que o sensei Bala lhe presenteou com   um quimono  para que ela pudesse competir. Ela é uma das poucas alunas do projeto que possui o uniforme.

Desde que começou a lutar, Raquel reconhece que aprendeu lições importantes com o esporte. “Eu percebi uma diferença muito boa. Aprendi cada vez mais a respeitar os outros, principalmente os mais velhos. Melhorei na escola e foi isso o que melhorou na minha vida”, declarou.

A menina já disputa campeonatos e já conquistou as primeiras medalhas. Orgulhosa, ela exibe suas medalhas e diz que se sente uma privilegiada. “Eu me sinto muito feliz porque muitos queriam estar aqui onde a gente está. É muita luta para conquistar uma medalha”, explicou.

Raquel perdeu o pai com seis meses e encontrou na avó e no judô forças para seguir em frente

E por falar em medalhas, outra aluna  prodígio do projeto  é a pequena Lídia. Com apenas seis anos, a menina já exibe muitas medalhas e, com orgulho, diz que se sente “uma sortuda” por conquistá-las. E Lídia faz questão de contar que luta desde bem pequena.

“Quando eu era  bebê, eu fazia judô com o meu avô. Hoje eu sou faixa azul barra amarela e eu falo que sou uma sortuda porque eu tenho um monte de medalhas”, contou a menina que treina desde os dois anos de idade. E as aulas atraíram a mãe de Lídia, que hoje treina junto com a filha. O avô de  Lídia é o sensei Bala e ele explicou que desde cedo ensinou a neta e os avanços de Lídia acabaram atraindo a mãe, Nailane Ferreira, para as aulas.

Outra pequena,  que também tem várias medalhas, é Namysa dos Santos, de sete anos. Há dois anos treinando, ela é faixa cinza barra azul e treina junto com as duas irmãs mais velhas: Fernanda, de 14 anos, e Sabrina, de 12.

Com apenas seis anos, Lídia já é um prodígio

Ainda faltam quimonos

O projeto Formando Atletas foi fundado há cinco anos pelo sensei Bala. À época, o comandante do batalhão, Major Gilberto Andrade Gouveia cedeu o espaço do Batalhão de Choque para o projeto.

  O sensei, que por iniciativa própria, iniciou e mantém o projeto, conta que é gratificante ver os jovens treinados por ele conquistando medalhas.

“É muito gratificante eu estar aqui com essas crianças e vê-las chegar lá, dar seu recado e conquistar suas medalhas. Eu venho de longe, da Colônia Antônio Aleixo, para chegar aqui e dar aula para essas crianças de graça, sem cobrar matrícula ou mensalidade. E minha satisfação é vê-las nessa competição ganhando essas medalhinhas, que é fruto deste projeto e também os novatos que estão aqui e prometem muito no futuro, e você vê que eles estão aprendendo e seguindo no caminho suave, que é o do judô”, contou.

Mesmo com a satisfação de ver seus pupilos aprendendo a arte marcial, o sensei conta que existem dificuldades. “Nem todas as crianças têm uniforme e algumas não têm dinheiro parta comprar. Seria legal que cada um tivesse o seu quimono, mas não é possível comprar quimonos para todos”, comentou.

Ele contou ainda que não conta com apoio de empresas ou pessoas físicas. O único apoio recebido é do Batalhão que cede o espaço para as aulas.

As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas no 1° Batalhão de Choque da Polícia Militar, na esquina da BR 174. Para informações e doações, o contato é (92)99163-7564.

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