Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Justiça bronzeada

Sandro Viana fala ao CRAQUE da emoção de ser medalhista olímpico

Ele é o segundo atleta do Estado a conquistar medalha olímpica. O bronze veio na prova de revezamento dos 4x100 m rasos dos Jogos de Pequim



1186866.jpg
Sandro Viana e a equipe de revezamento brasileira dos 4x100m disputados nas Olimpíadas de Pequim ficaram com o terceiro lugar, oito anos após a disputa. (Foto:arquivo)
26/01/2017 às 12:06

O grande velocista amazonense Sandro Viana agora é um medalhista olímpico. Mais de oito anos após a disputa nos Jogos de Pequim, a medalha de bronze ficará com Sandro e a equipe de revezamento brasileira, na prova dos 4x100m rasos masculino. Eles haviam ficado em quarto lugar na ocasião, mas uma reviravolta trouxe a medalha até os brasileiros.

Isso aconteceu porque o Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou a decisão de desclassificar a equipe jamaicana de atletismo por causa da constatação do uso de doping pelo atleta da Jamaica, Nesta Carter, que correu os 4x100m nas olimpíadas de Pequim 2008. Com a decisão do COI, o revezamento brasileiro herdará a terceira colocação da prova, e Sandro, a tão sonhada medalha olímpica.

Esforço recompensado

Em entrevista para o CRAQUE, Sandro disse que uma medalha olímpica é uma grande satisfação, um alívio para ele. “Foi como um bálsamo para mim a conquista dessa medalha, o curador de feridas. Eu abdiquei de muitas coisas na minha vida, durante muitos anos me sacrifiquei ao extremo por esse esporte, me entreguei de verdade, fiz tudo que você pode imaginar para chegar longe no atletismo, e agora parece que tudo valeu a pena, essa é a sensação”, disse Sandro.

Sandro Viana disse que estava em casa conversando com um amigo seu, quando ficou sabendo pela própria imprensa a respeito da tão grandiosa conquista.  “Estou sabendo a poucos minutos dessa grande novidade. Não sei nem o que falar agora, vou para a sala, vou lá para a rua, leio a notícia e não sei o que fazer porque estou em polvorosa aqui”, disse Sandro, ainda atônito com a notícia de ter conquistado a medalha de bronze olímpica.

Sandro disse que sempre buscava informações com atletas de Trinidad e Tobago (que herdarão o ouro) sobre o processo contra o atleta Nesta Carter, para saber se realmente a equipe brasileira, da qual fez parte em 2008, ficaria com a medalha, mas disse que era difícil saber sobre qualquer novidade.

“Estou sabendo há poucos minutos da notícia, eu acompanhava a distância o caso, sabia do julgamento que tinha acontecido no ano passado, sabia que ele (Nesta Carter) havia sido considerado culpado, mas que o atleta e o país recorreram da decisão. Daí, desde o final do ano estava tudo sendo feito em sigilo, e eu fiquei apenas esperando sair realmente a definição do COI sobre o que iria acontecer, mas fui cuidando da minha vida, pois eu não podia fazer nada, e estava demorando muito a acontecer alguma coisa”, disse ele.

Em Manaus, a Federação Desportiva de Atletismo do Estado do Amazonas comemora a medalha olímpica conquistada pelo velocista amazonense. “Só faltava esse medalha para esse atleta que foi um guerreiro. E, com certeza, esse feito irá incentivar mais adeptos para a modalidade. O Sandro mostrou que nós somos capazes”, disse a presidente da federação, Marleide Borges.

Caso complexo

Sandro falou que o caso se prolongou bastante, pois envolvia grandes atletas, incluindo Usain Bolt, o maior atleta da história, como disse Sandro, e a própria seleção da Jamaica, tão vitoriosa nas provas de velocidade do atletismo.

Maior medalhista da história do atletismo, o velocista jamaicano Usain Bolt perdeu uma de suas nove medalhas de ouro conquistas em Olimpíadas.

“Era um caso complexo, então nem estava criando expectativa nenhuma. Infelizmente, o Bolt acabou envolvido, acho que ele não tem nada a ver com isso, mas que ele foi tão vítima quando eu. Ele correu ‘limpo’ e perdeu a medalha que suou tanto para conquistar, e eu fui vítima por não ter subido ao pódio nos Jogos Olímpicos de Pequim; mas, agora, saiu o desfecho correto para essa história, com a punição correta para um atleta que usou doping; foi como tinha que ser”, explicou.

O velocista Nesta Carter foi flagrado com a substância Metilhexanamina, em reanálise das amostras de urina e, com isso, a equipe da Jamaica, que havia ganhado o ouro na prova 4x100 metros rasos, foi desclassificada, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI). Já a equipe brasileira, que havia sido a quarta colocada na competição, ficará com o bronze histórico para o país.

Com a decisão, Usain Bolt perderá uma das nove medalhas de ouro olímpicas conquistadas na carreira. Os outros integrantes da equipe na prova de 2008 eram Asafa Powell e Michael Frater. Na competição, os jamaicanos cruzaram a linha de chegada com o tempo de 37s10, um novo recorde mundial. A equipe brasileira - formada por Sandro Viana, Vicente Lenílson, Bruno Lins e José Carlos Moreira (Codó) - acabou na quarta colocação naquela prova com a marca de 38s24, e ficará com o bronze. Trinidad e Tobago ficará com o ouro e o Japão com a prata. Todas essas alterações ainda serão confirmadas pelo COI.

Próximos passos

Sandro está em Pão Paulo, onde finaliza sua preparação para a primeira competição deste ano. Ele segue representando o Amazonas na temporada. “Já recebi algumas propostas, mas vou competir pelo Amazonas, pois ainda não tem nada certo”, disse. Sandro competirá no dia 15 de fevereiro o 1º torneio Sport Clube Pinheiros, em São Paulo. “Estou treinando de forma intensa desde outubro, e queremos ir a pista com antecedência para conhecer, e ir bem nessa competição, que servirá para saber como eu estou para essa temporada”, disse ele.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.