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‘A luta no Amazonas transforma vida’, diz o lutador Alan Nuguette em entrevista ao CRAQUE

No bate-papo, o peso leve do UFC, que é um campeão em simpatia, afirmou dever à Manaus o seu ingresso ao universo da luta 22/03/2015 às 14:08
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Allan Nuguette dá aula aberta em Manaus e diz que MMA muda a vida de amazonenses
Felipe de Paula Manaus

Ex-engraxate, Alan Patrick Silva Alves, o Alan Nuguette, ganhou o apelido nos tempos em que tinha de polir sapatos para sobreviver na periferia de Brasília (Nuguette é o nome de uma marca de graxa). Paulista de Nascimento, morou no Rio, em Brasília e em Manaus. Foi na capital amazonense que ele começou a trilhar o “sonho de conquistar o mundo através do esporte”. Hoje atleta da maior organização de MMA do mundo, o UFC, Nuguette diz dever à cidade o seu ingresso no universo da luta.

“Sinto uma emoção inenarrável quando chego aqui nesse Estado, que foi o Estado que me lançou pro mundo. Se hoje eu sou o Alan Nuguette, dou graças a esse Estado, a esse povo que me acolheu, que me abraçou”, diz Alan, que na noite da última quarta-feira, retribuiu um pouco do que aprendeu no mundo da luta em uma aula livre no Calçadão da Ponta Negra, na Zona Oeste, em evento promovido pela Prefeitura de Manaus. “Eu só estou dando um pouco dessa terra do tanto que ela me deu, tem nada demais”, declarou.

E ele chegou assim. Vestido com estilo, mas com jeitão “gente fina” e atencioso com todos ao seu redor, atendeu os alunos, os fãs e até os conhecidos, que se aproximavam para saudar o amigo. Em entrevista ao A CRÍTICA, falou de sonhos e de como o esporte pode ser um fator transformador na vida de jovens da periferia, assim como impulso para a própria superação dos percalços da vida. Assim como ocorreu com ele próprio.

“Ninguém vai me bater mais forte do que o mundo já bateu”, diz ele ressaltando o potencial amazonense para as lutas e inclusão social. “No RJ, os cariocas têm o futebol pra mudar de vida. Aqui no Amazonas, a gente tem a luta”.

Recuperado da lesão que lhe tirou da luta contra o sírio-americano Beneil Dariush pelo card principal do UFC 179 Aldo x Mendes, o “amazonense de coração” já projeta a próxima luta para maio deste ano. Querendo dar “um passo de cada vez”, ele ainda fala timidamente em cinturão, mas seu repertório de 12 lutas e 12 vitórias, as duas últimas no UFC, lhe credenciam para ir longe.


Confira abaixo a entrevista completa:

Você se identifica muito com o Amazonas, muito em função de ter começado no mundo do MMA aqui. Como começou sua história no esporte?
A minha história com o MMA começou toda aqui. Eu tinha essa vontade de lutar. Já via o (Ronaldo) Jacaré (peso médio do UFC) numas fotos, e começou a despertar essa vontade em mim de praticar MMA. Aí em 2004 conheci umas pessoas do jiu-jitsu que já praticavam. Em 2005, conheci o Alexandre Capitão (lutador amazonense), que me convidou para treinar com ele aqui no Amazonas. Aí em 2006, ele comprou uma passagem pra mim e me trouxe. Falou ‘você vai morar aqui, arrumei uma luta pra você’. Morei com ele três anos, meu parceirão. Aí eu fiz essa luta no Hero’s the Jungle, depois Mister Cage, depois rolou um tempo em Roraima. Aí depois peguei um avião, fui pra Rio de Janeiro, São Paulo, e agora eu tô no mundo.

O MMA então salvou sua vida?
Sim! Eu tinha o sonho de conquistar o mundo através do esporte. Começou na capoeira, aí foi uma coisa atrás da outra. O universo conspirando a seu favor, sabe? Acabei no MMA, que no reino animal, é o leão. É o que manda, porque tem todas as artes.

E os momentos de dificuldade ainda te inspiram e dão força pra lutar?
Isto é o que eu digo: ninguém vai me bater mais forte do que o mundo já bateu. Lá (no octógono) eu posso reagir, aqui eu não podia.

Então, como a sua, o MMA, assim como outros esportes, pode transformar vidas.
Pode! No RJ, os cariocas têm o futebol pra mudar de vida. Aqui no Amazonas, a gente tem a luta, o jiu-jitsu, o MMA... que graças a Deus muda a vida de muita gente, com a minha e a de vários outros. Eu fico feliz por isso, por nossa categoria estar crescendo a cada dia mais e por ser reconhecida por todos.

E qual a importância de Manaus representa para o MMA e às lutas em geral?
Na mídia, dizem que aqui é o segundo polo (de MMA no Brasil), mas todo mundo sabe que é o primeiro. Os maiores campeões da história são daqui. O primeiro campeão mundial (de jiu-jitsu) é um amazonense, o William Couto.

E quanto a você? Quais suas metas na categoria dos leves do UFC?
Minha meta, por enquanto, é dar um passo de cada vez. Eu já dei dois na organização. Agora tô voltando, já pedi luta para maio, tô empolgadão. Na academia (X-Gym, no Rio de Janeiro) tem um lema que é lutar pra vencer, mas eu já tenho esse lema desde criança. Se eu não vencer, a vida não muda. Tô cheio de gás, cheio de vontade. Quero entrar no top 10. Depois a gente vai fazendo aquela escadinha natural, a ordem natural das coisas né? E aí já vamos estar pertinho do cinturão.

O que Manaus representa para você? O que sente quando vem aqui?
Alegria. Orgulho de ser amazonense, desse povo guerreiro que veio do índio. Do cafuzo, do caboclo, que não se entrega nunca, que sempre tem pra dar, pra ajudar o próximo. Sinto uma emoção inenarrável quando chego aqui nesse Estado, que foi o Estado que me lançou pro mundo. Se hoje eu sou o Allan Nuguete, dou graças a esse Estado, a esse povo que me acolheu, que me abraçou. Sempre tem um ali pra te dar uma tapioca, uma bananadinha (risos)

E sobre o aulão de hoje (quarta-feira)? Qual a importância de uma troca de experiências como essa?
Você alimenta sonhos. Quando criança, eu via um ídolo e não tinha possibilidade de me aproximar dele. Se chega próximo dele, com certeza vai ter uma energia pra mais 20 anos (de esporte) ali, seguir em frente e tentar realizar o seu sonho. E aí ele vê um cara que é da terra dele, que voltou aqui... Eu não tive oportunidade de ter um aulão desses, das pessoas que eu admirava o trabalho, e, graças a Deus, hoje em dia eu posso ceder isso. Eu só estou dando um pouco dessa terra do tanto que ela me deu, tem nada demais.

E o MMA brasileiro no mundo, como você vê? Nós estávamos meio em baixa ultimamente...
A gente não tava em baixa! Sempre têm os caras aí (no páreo). O Aldo tava lá, levantando a bandeira do Amazonas quase há sete anos, sempre com orgulho de ser amazonense, então a gente não tá em baixa, quem tá em baixa é quem não tem cinturão nenhum. A gente tinha um linear, pegamos um interino com o (Fabrício) Werdum (pesados), agora pegamos outro linear (Rafael dos Anjos/leves)!

Já que falamos sobre José Aldo, que é hoje o maior ídolo do MMA brasileiro. O que ele representa pra você?
José Aldo, como dizem os americanos, “is the best guy” (é o melhor!). Não tem o que falar. É o melhor e vem provando isso a cada dia que passa. Você pode tirar por aquela luta contra o Chad Mendes. Eu tava lá, ia lutar naquele card, mas tive uma lesão. Foi uma luta fenomenal, a melhor de 2014. Se você piscasse, perdia.

E qual seu palpite para a próxima luta dele, contra o MC Gregor?
Ele vai bater tanto no Mc Gregor, que ele vai se arrepender de falar besteira.

Muito obrigado, Allan...
Peraí, ainda tenho uma novidade para você! Tava com o prefeito ainda agora e soube que vou ganhar o título de cidadão amazonense. Eu sou amazonense no coração, agora vou ser no papel!



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