Publicidade
Esportes
Craque

'A torcida brasileira influencia muito', diz Diego Hypólito em entrevista exclusiva ao CRAQUE

Uma das maiores esperanças de medalha nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, Diego Hypólito falou sobre expectativa e preparação para as Olimpíadas, suas últimas conquistas, projetou sua aposentadoria e ainda revelou um sonho: ser jornalista esportivo 21/11/2014 às 22:35
Show 1
Diego Hypólito sonha com os Jogos do Rio em 2016
Felipe de Paula Manaus, AM

Ele dispensa apresentações. Aos 28 anos, Diego Hypólito é o atleta mais experiente da Seleção Brasileira de Ginástica Olímpica e uma das principais esperanças de medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O Rio, aliás, foi a cidade onde Diego cresceu desde a infância e teve seu primeiro contato com a ginástica olímpica.

Também foi no Rio onde o veterano conquistou duas de suas medalhas mais importantes: os ouros nas provas de salto sobre o cavalo e solo nos Jogos Panamericanos. O solo, aliás, é uma das especialidades de Diego. No início do mês, ele faturou o ouro na Copa do Mundo de Medellín, na Colômbia, após uma prova brilhante com excelente nota de 15,886.

A vitória veio numa série de bons resultados logo após um inferno astral vivido por Diego. Se no solo ele é o principal nome da ginástica brasileira, nos outros aparelhos Diego ainda não havia conseguido se colocar no mesmo nível dos companheiros de equipe.
Por isso, amargou a reserva da seleção brasileira e quase não foi para o Mundial da China, em outubro.

Quase. Isso porque, por uma casualidade do destino, o talentoso Caio Souza, considerado mais completo que Diego, se contundiu. Aproveitando a oportunidade, Hypólito foi para a final do solo e conquistou o bronze mais inesperado de sua carreira, de quebra ajudando a equipe brasileira a lograr o sexto lugar por equipes, um resultado histórico para a ginástica nacional.

E se são os desafios que movem os atletas, já não é a primeira vez que Diego mostra que sabe dar a volta por cima. Depois de cair (a primeira vez “de bunda”, como ele mesmo disse, e a segunda de rosto) nas duas Olimpíadas (Pequim, China e Londres, Inglaterra) que participou e nas quais inclusive era considerado favorito na série de solo, ele se reergueu como especialista na prova e vem trabalhando para melhorar seu desempenho nos outros aparelhos.

“Nesse ano eu já consegui melhorar um pouco na barra e no ano que vem quero melhorar bastante no cavalo e na paralela para contribuir cada vez mais pra equipe”, disse Diego, que concedeu entrevista exclusiva ao CRAQUE por whatsapp e, mesmo com a voz rouca, fez questão de responder a todas as perguntas da reportagem e ainda revelou uma novidade: quer ser jornalista esportivo depois que terminar a carreira.

Confira abaixo a entrevista completa com o atleta onde está depositada uma de nossas melhores chances de medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.


Você acabou de conquistar uma importante medalha de bronze na China e disse que aquele era o dia mais feliz da sua vida. Qual a importância dessa medalha e o que ela representa para a caminhada rumo às Olimpíadas em 2016?


Fiquei muito contente, primeiro porque teve o resultado da equipe, que eu contribuí muito para nós sermos a sexta melhor equipe do mundo. Ganhar uma medalha no campeonato mundial foi muito bom, eu fiquei muito satisfeito, e isso me fez acreditar mais pra pensar numa medalha olímpica, e a caminhada para um Olimpíada tem que ser a mesma, tem que continuar com os pés no chão, treinando bastante, em função de que é uma equipe nova, uma equipe muito boa e isso coopera para todos os atletas melhorarem.

Você também conquistou, em outubro, dos ouros na Copa do Mundo, na Colômbia, inclusive no salto, que não é considerada a sua especialidade. Diego Hypólito está virando um ginasta ainda mais completo?

Além do solo e o salto - onde eu ganhei essas duas medalhas de ouro, fiquei muito satisfeito até pela nota que eu mantive no solo, que tive 15.900  e 15.866, que são notas muito altas no padrão mundial - tenho ainda duas competições esse ano: tem os Jogos e tem uma outra competição no Japão. A questão é de melhorar nos outros aparelhos, é meu objetivo já de muitos anos, e nesse ano eu já consegui melhorar um pouco na barra e, no ano que vem, quero melhorar bastante no cavalo e na paralela para contribuir cada vez mais para a equipe

Diego, você fez história ao ser o primeiro ouro da ginástica olímpica brasileira em jogos pan-americanos na cidade em que você cresceu. Como foi ganhar aquele título de 2007, sendo no Rio de Janeiro, com o público brasileiro? Teve algum peso?

Sim, a torcida brasileira influencia muito, é uma torcida mais calorosa, simula muito o futebol, isso ajuda bastante, me deu muita emoção, foi muito importante conquistar um título no Brasil, com nossos familiares e nossos amigos na arquibancada.

E agora nas Olimpíadas, como fazer com que esse peso não vire pressão?

Eu vou tentar que não (vire pressão), porque eu acho que o meu objetivo – ser medalhista olímpico – é algo que eu tenho que treinar, que me dedicar, eu não sei se vou ser medalhista olímpico mas eu vou fazer de tudo pra ser, então a pressão maior sempre cabe mais ao próprio atleta; ele que se cobra bastante para conseguir um bom resultado para poder dar torcida ao povo brasileiro, vou tentar me focar ao máximo para que isso não aconteça.

E como estão os preparativos para a sua terceira Olimpíada? Qual a sua expectativa, sua meta e seu sonho para as olimpíadas rio 2016?

Os preparativos começam a partir do mundial do ano que vem porque ele é o leva os atletas para as Olimpíadas, que é o mundial pré-olímpico. Meu objetivo é ser medalhista, minha grande meta, não sei se vai acontecer, mas eu vou trabalhar ao máximo para que isso aconteça.

E qual sua expectativa para a participação brasileira? Os atletas brasileiros em si, como você os vê hoje dentro do cenário mundial?

Eu acho que o Brasil vem chegando com um respeito muito maior, tem três chances de medalhas olímpicas, que é algo que o Brasil nunca teve, o que vai influenciar muito na competição por equipes. Espero que todo mundo consiga fazer sua parte para que a gente consiga ter um bom desempenho nas Olimpíadas da equipe toda.

Apesar de a ginástica ser um esporte longe do futebol em termos de popularidade, você e sua irmã são bem conhecidos. Como lida com o assédio dos fãs?

Ser famoso pra mim é uma coisa muito diferente, porque eu nunca imaginei que ia ser conhecido, só que eu sou grato, porque são essas pessoas que me fazem sempre acreditar em mim, e é muito bom ver que tem pessoas que gostam de você pelo seu trabalho, então, ajuda e me influencia muito na hora do meu desempenho.

Você já chegou em pensar em aposentadoria? Como projeta a vida depois fora do esporte? Ou é impossível fazer isso?

Vou ficar na ginástica mais seis anos e depois vou trabalhar com jornalismo, só que na área esportiva mesmo.

E a ginástica de base brasileira, como você avalia? Estamos no caminho certo em termos de formação de atletas?

Eu acho que a ginástica tem que ser cada vez mais incentivada para as crianças, até porque como inclusão social para mudança do nosso País. A Caixa vem fazendo alguns centros de treinamento e acho que isso tem que ser implantado pelo País todo.

Publicidade
Publicidade