Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2020
REENCONTRO

Após perder avô, Dudu reencontra pai recuperado da Covid-19

Volante do Vila Nova-GO, manacapuruense esteve na capital baré para enfrentar o Manaus, na estreia da Série C. Jogador viveu momento difícil da família à distância



WhatsApp_Image_2020-08-10_at_15.57.27_294351B8-C262-4A3A-ACF9-A2E675FF78B0.jpeg Foto: Denir Simplício
16/08/2020 às 01:17

“Em certos momentos, pensei que não seria mais possível dar um abraço em meu pai novamente”. A frase representa a aflição com a qual muitas pessoas já precisaram lidar em um período pandêmico. No dia 8 deste mês, o Brasil atingiu a marca de 100 mil mortos pelo novo coronavírus. A data, coincidentemente, também reservou o reencontro do manacapuruense Dudu, volante do Vila Nova-GO e autor da frase citada acima, com o pai Luiz Carlos, recuperado da doença

Até aqui, são mais de 100 mil famílias que foram atingidas com perdas, tiveram sonhos interrompidos e, no caso de Dudu, precisaram superar um momento difícil à distância. Apesar de ter reencontrado o pai, o alívio não foi completo. O avô do jogador, Emídio Pacheco, foi o primeiro da família a ser contaminado e não resistiu às complicações da doença. Ao CRAQUE, Dudu, que estreou na Série C do Brasileiro contra o Manaus FC, detalhou o sentimento vivido nas arquibancadas da Arena da Amazônia Vivaldo Lima.




Jogador encontrou os pais nas arquibancadas da Arena da Amazônia, no dia 8. Foto: Denir Simplício

“Logo quando os vi (pai e mãe) ali no estádio, me emocionei de verdade. Fui às lágrimas porque foi um sentimento de gratidão ver meu pai de novo. Em certos momentos, pensei que não seria mais possível dar um abraço em meu pai novamente. Com a graça de Deus, pude ter essa felicidade”, afirmou Dudu, lamentando não ter tido a mesma ‘sorte’ com o avô Emídio, com quem era muito apegado.

“Por mais que a gente saiba que a vida é passageira, nunca estamos preparados para perder pessoas especiais que temos. Infelizmente, perdi meu avô, um cara que sempre fui muito apegado. Aos finais de semana ia para a casa dele almoçar. Apesar da distância, sempre lembrava dele em orações. Chegou o momento dele, infelizmente, e ele teve que partir”, completou o jogador do Vila.

Perda do avô

Mais conhecido como ‘Garrincha’, o pai de Dudu, Luiz Carlos, foi contaminado assim como o avô Emídio. No momento da morte do ‘líder’ da família Pacheco, inclusive, Garrincha não pôde sequer ter a chance de ter uma despedida do pai por conta das complicações da doença.


Recuperado, o pai de Dudu, Luiz Carlos (à esq.), não pôde se despedir do avô do jogador. Foto: Acervo pessoal

“Fui diagnosticado dia 10 de maio, passei um mês muito ruim. No dia 25 de maio meu pai faleceu e não pude vê-lo porque já estava com esse vírus e não tinha condições de levantar. Depois vieram as sequelas, diabete sem controle, pressão alta, colesterol alto... Mas graças a Deus, há três semanas já recuperei bastante”, explicou Luiz Carlos sobre o difícil período.

Início 'na porta' do Gilbertão

Sob o olhar do pai, Dudu deu os primeiros toques na bola, praticamente, na porta do estádio Gilberto Mestrinho, o ‘Gilbertão, em Manacapuru. Após jogar em escolinhas da cidade e atuar pelas categorias de base do Princesa do Solimões, foi para o Itaberaí-GO, onde teve a primeira oportunidade fora do Amazonas. Na sequência, acertou com Vila Nova-GO, que ainda o emprestou para alguns times como o Grêmio. No retorno ao Tigrão, em 2020, a ideia é fazer bonito na Série C.

“As expectativas para a Série C são as melhores. Estou em um grande clube do futebol brasileiro, sei do peso dessa camisa. Estamos na Série C para buscar grandes coisas. Primeiramente o acesso e, consequentemente, o título. Estamos trabalhando para conquistar esses objetivos. Minha família, com certeza, está torcendo muito e mandando energias positivas”, ressaltou Dudu.


Ao lado de Jonathan, Dudu foi o único amazonense no confronto. Foto: Divulgação/Vila Nova FC

Sobre o confronto contra o Gavião do Norte, logo na primeira rodada, Dudu avaliou bem o time amazonense e disse que acompanhar o futebol baré pelo carinho com o Princesa do Solimões. “Por ser amazonense, sempre acompanho o futebol do Amazonas. O Princesa do Solimões, da minha cidade, está no campeonato estadual, então sempre acompanho. A equipe do Manaus é bastante qualificada, deu bastante trabalho na estreia, e creio que se eles continuarem dessa maneira vão bastante longe no campeonato. Espero que a gente possa se encontrar lá na frente”, concluiu o volante manacapuruense.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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