Publicidade
Esportes
Entrevista EXCLUSIVA

Abuda - o artilheiro sem arrependimentos fala com o CRAQUE

O atacante, que teve trajetória meteórica no início da carreira, fala de suas escolhas na vida e no futebol; campeão com a Seleção e pelo Corinthians, o jogador inicia nova caminhada com a camisa do Rio Negro 11/09/2016 às 05:00
Show abudaaaa
Após reencontrar o caminho do gol com a camisa do Rio Negro, Abuda quer voar alto com o Galo (Foto: Antônio Lima)
Denir Simplício Manaus (AM)

O leitor já deve ter ouvido a frase: “Tudo na vida é uma questão de escolhas”. Partindo dessa máxima imaginemos um jogador de futebol que, com a Seleção Brasileira, conquistava o Mundial Sub-17 como um dos artilheiros do time. Agora imaginemos que o mesmo atleta conquiste o bicampeonato da Taça São Paulo de Futebol Júnior com a camisa do Corinthians. É quase impossível não imaginar que o jovem atacante não tenha se transformado num ídolo da Fiel torcida corintiana e do Brasil. Mas as escolhas levaram Adaílson Pereira Coelho para outros destinos. Hoje, aos 30 anos, Abuda, não convive com o glamour das grandes conquistas com a Amarelinha ou com o Timão, mas com humildade e perseverança tenta “ressurgir” para o futebol com a camisa do Rio Negro.

Contratado como o maior nome do Galo da Praça da Saudade para a temporada 2016, Abuda já rodou o mundo jogando futebol. Dos mais 20 clubes por onde atuou, essa é a primeira vez que o atacante atua no Norte do País. Da Europa para o Japão até mundo árabe, o jogador tem histórias que vão do jejum no Ramadã ao reencontro com o amigo Willian, que esteve em Manaus com a Seleção Brasileira pelas Eliminatórias. Feliz na nova casa, Abuda conversou com o CRAQUE onde falou da origem do apelido, do ex-técnico Tite, das conquistas no início de carreira e, principalmente, de suas escolhas.

De onde vem o apelido Abuda?

Abuda veio de uma tia minha. Quando eu era bebê, era careca e meio gordinho e ela dizia que eu era parecido com o Buda, aquele que o pessoal coloca dinheiro embaixo dele, e o apelido pegou. Hoje, poucas pessoas sabem o meu nome verdadeiro, que é Adaílson Pereira Coelho.

Soubemos que você foi na concentração da Seleção. Foi encontrar com algum amigo dos velhos tempos?

Fui no hotel para ver o Willian e o Weverton (goleiro), mas o Weverton tava descansando e achei melhor não incomodar. Com o Willian já tinha conversado antes. Ele me recebeu lá e ficamos batendo um papo. Fazia mais de dez anos que a gente não conversava pessoalmente e tive essa felicidade de eu estar aqui em Manaus e ele também. Hoje ele está passando uma situação difícil com a família. A mãe dele está doente e conversamos bastante sobre isso. Lembro que quando éramos da base do Corinthians eu ia muito pra casa dele passar o final de semana. A mãe dele fazia comida nordestina e ela convidada a gente depois dos jogos do juvenil e dos juniores e hoje eu vejo ela nessa situação. Creio que ela ainda vai sair dessa. Que Deus vai abençoar ela com muita saúde.

E nesse reencontro com o Willian, qual o teor da conversa?

Ele perguntou como eu estava. Disse que estava bem e que tinha vindo há pouco mais de um mês aqui. Me desejou boa sorte, como sempre ele fala, quando a gente conversa pelo WhatsApp. Também conversamos sobre o dia a dia e da ausência desses anos que a gente ficou sem se falar e sem se ver. Porque tinha ido pro Japão e voltei pro Brasil e também quando estive um período no Chelsea em 2004, com o Mourinho. Enfim, deixamos o papo bem em dia mesmo.

Você foi treinado pelo Tite, chegou a conversar com ele aqui em Manaus?

Não. Encontrei com o Tite no Japão, quando o Corinthians foi pro Mundial. Estava na minha primeira passagem pelo Japão. Me encontrei com o pessoal no hotel conversei com ele, inclusive ele ficou surpreso por me encontrar lá. Ele não sabia onde estava jogando e ficou bastante feliz. Do que me lembro da convivência que tive com ele é que sempre foi um cara que me apoiou, me orientou e eu só tenho de agradecer a ele

Você foi campeão Mundial com a Seleção Sub-17 em 2003. Como foi essa conquista?

Fui um dos artilheiros e destaque da competição. Foi uma conquista muito importante pra mim. Onde eu pude terminar de construir a casa da minha mãe com o dinheiro que a CBF nos deu, que foi R$ 10 mil de premiação pra cada um. Com esse dinheiro eu pude acabar de fazer a casa da minha mãe e hoje ela está bem, graças a Deus.

O que você pensa quando falam que você não deu certo no futebol, enquanto seu amigo Willian está no Chelsea e na Seleção?

Analiso como normal. Eu tive meu momento, que foi bom no Corinthians, assim como no Vasco. Hoje em dia, por onde ando as pessoas me reconhecem. Sempre falo pro Willian, que é uma pessoa humilde e bem transparente, que graças a Deus tenho uma amigo como ele e que continue sendo a pessoa que ele é: humilde, simples e que Deus continue abençoando ele cada dia mais. Ele deu certo. Eu tive meus momentos, minhas oportunidades e não aproveitei... vida que segue.

Dos mais de 20 clubes por onde atuou pelo mundo, teve algum lugar onde você não se adaptou?

Graças a Deus nunca tive problema de adaptação. Joguei na Europa, Japão, pro lado do Nordeste, do Sul e sempre me adaptei muito bem e muito rápido. A experiência mais diferente pra mim foi quando joguei no Bahrein, no mundo árabe. Cheguei no clube na época do Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos) e a gente tava fazendo a pré-temporada em Abu-dahbi. Nós não podíamos nos alimentar durante do dia. A gente só comia bem tarde da noite e isso é uma cultura deles. Foi uma sensação estranha, jamais tinha passado por isso, mas depois fui me acostumando.

Onde você acha que foi mais feliz no futebol?

Fui mais feliz onde obtive conquistas, que foi no Corinthians. No Avaí, que tive um acesso muito importante em 2008, que foi pra série A. No Vasco também, onde tive a oportunidade de realizar um sonho que foi jogar ao lado do Romário e do Edmundo. Esses foram os clubes que tive mais felicidade.

Você chegou ao Rio Negro num momento complicado com a saída do Dodô. Isso te desmotivou de alguma forma?

Pelo contrário. Cheguei aqui com o objetivo de fazer uma boa competição. Fazer voltar essa confiança dos torcedores no Rio Negro, que está carente. Já faz três anos consecutivos com resultados ruins e esse ano fizeram um investimento bom. Teve alguns desacertos entre diretoria e parceria, também não sei ao certo o que aconteceu, mas hoje estamos com o professor Lana e já obtivemos um bom resultado. Antes, já havíamos feito um bom jogo contra o Nacional e contra o Borbense fizemos uma boa apresentação, convincente. Então já estamos resgatando essa confiança pra estar melhorando dentro da competição.

Por atuar tão longe do Sul/Sudeste você não tem receio de ficar distante de acertar com um clube de maior projeção?

Não! Eu metendo gol com certeza vou aparecer. Até porque tenho um nome nacional. Pra você ver, quando fui visitar o Willian não tinha interesse de aparecer na mídia. Fui lá porque ele me convidou pra ir lá e me presenteou. Estou tranqüilo e acho que metendo gol e me destacando aqui lógico que vão aparecer outras oportunidades, porque tenho contatos pra isso. Têm alguns empresários com quem já trabalhei e sempre estão em conversa comigo e o que aparecer será bem vindo

De tudo que você já passou no futebol, tem algum arrependimento?

Nenhum! Nenhum! Graças a Deus tenho a felicidade do lado profissional e pessoal. Conquistei minhas coisas e hoje em dia estou tranquilo. Espero que Deus me dê saúde, o resto a gente corre atrás.

 

Publicidade
Publicidade