Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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BANDEIRA DA IGUALDADE

Vencendo o preconceito, bandeirinha do AM conquista espaço na arbitragem brasileira

Além de atuar nos jogos do Barezão, Anne Kesy também já foi escalada para partidas do Campeonato Brasileiro nas séries D e C, além do Brasileirão Feminino


11/03/2019 às 19:53

Ano após ano, o Amazonas se consolida como a capital do futebol feminino no Brasil. Mas não é apenas com a bola no pé que as mulheres vem conquistando espaço. Até mesmo no quadro de arbitragem, as amazonenses têm marcado presença e conquistam cada vez mais espaço.

No quadro da Federação Amazonense de Futebol, seis mulheres marcam presença seguindo uma tendência nacional. “A CBF vem fazendo um trabalho muito bom de incentivo ao desenvolvimento da arbitragem feminina e esse trabalho vem se desenvolvendo bastante também com a ajuda das Federações, já que não adianta só a CBF fazer a sua parte. As Federações locais também tem que proporcionar esse incentivo às mulheres. A comissão amazonense tem um olhar muito especial para o nosso quadro feminino, tanto que na semifinal eu trabalhei no jogo de Itacoatiara (entre Penarol e Princesa do Solimões) e a Elivane Costa trabalhou no jogo entre Fast e Nacional", , destacou Anne Kesy Gomes de Sá, árbitra assistente amazonense, que ingressou no ramo da arbitragem há dez anos e que faz parte do quadro da Confederação Brasileira de Futebol.

"Há dois anos consecutivos eu trabalho na final do Campeonato Amazonense. Em Pernambuco, nós temos a árbitra Deborah Cecília, que sempre apita os clássicos, então vai muito deste incentivo da CBF e das Federações estarem ajudando neste processo de desenvolvimento”, completa.

Ingressar em um ambiente tão dominado pelos homens foi um desafio, mas a paixão de Anne Kesy pelo esporte foi o que a motivou a explorar esse ambiente.

“Eu sempre gostei muito de futebol e o meu pai era envolvido na realização de campeonatos de bairro, então eu sempre estava ali na beira do campo ajudando na competição. Aí eu conheci o Geraldo (Gomes Vieira), que era árbitro da FAF, e ele me indicou dizendo que a Federação tinha aberto um curso só para mulheres, porque na época só tinham três, elas já estavam encerrando a carreira então a Federação queria mais mulheres no quadro. Aí eu me interessei, fiz o curso, quando eu entrei eu tinha entre 16 e 17 anos e desde então eu nunca larguei. Como eu já gostava de futebol e não jogava, então a arbitragem foi um lugar onde eu me encontrei”, revelou Anne, que também como professora de Educação Física e Fisioterapeuta. 

Apesar do crescimento, um obstáculo ainda persegue o crescimento das mulheres nas funções de arbitragem: o preconceito. E pior, às vezes, ele surge de onde menos se espera. “Os insultos são constantes por parte da torcida. Acho que não tem um jogo em que a gente não escute alguma coisa machista vindo dos torcedores, e principalmente de mulheres, o que é mais chocante. Eu acho que essa paixão pelo futebol não justifica, porém elas acabam insultando a gente até mais do que os homens”, revelou Anne Kesy. 

Dentro do campo, cenário é diferente, os jogadores aprenderam a respeitar a autoridade feminina, ainda assim, o tratamento segue sendo diferente entre homens e mulheres.

“Por parte dos jogadores a gente não escuta (insultos machistas) porque eles sabem que se eles realizarem, eles serão expulsos e vai ser relatado em súmula, pega pesado para eles e fica feio. Mas é diferente quando a gente está  trabalhando, os questionamentos dos jogadores são diferentes quando é  para uma mulher do que quando é  para um homem, parece que eles questionam mais as nossas decisões dentro de campo do que se fosse um homem que estivesse marcando”, analisou a assistente, que já integrou a lista de aspirantes FIFA em 2015 e que, mesmo enfrentando o preconceito,  segue representando o Amazonas até em competições nacionais, mostrando que o estado é um celeiro de talentos para o futebol e não é só de jogadoras.

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