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Esportes
ENTREVISTA

Acreditar sempre: Confira o papo com Shelda, ex-jogadora de vôlei de praia

Ao lado de Adriana Behar, Shelda conquistou duas medalhas de prata em Jogos Olímpicos, em Sydney 2000 e Atenas, em 2004. 28/07/2016 às 09:17 - Atualizado em 28/07/2016 às 09:32
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Behar e Shelda comemoram a medalha de prata. (Foto: Divulgação)
Camila Leonel Manaus (AM)

Geralmente a areia é vista como metáfora para coisas que não duram. Há uma passagem bíblica que diz que não devemos construir nada sobre ela por ser um alicerce frágil. Mas no caso dos sonhos da cearense Shelda Kelly Bruno Bedê foi na areia que os sonhos dela nasceram, cresceram e foram realizados.  Foi nas areias que ela, ao lado de Adriana Behar, com quem formou dupla durante 11 anos entraram para o hall do esporte brasileiro e construíram uma sólida carreira no vôlei de praia.

Shelda nasceu em Fortaleza e começou no vôlei aos 14 anos, mas o primeiro contato foi com a quadra. Ela escolheu o esporte mesmo medindo 1,65 e nele persistiu, mas o surgimento de uma nova modalidade de vôlei, praticada na praia, chamou a atenção dela. Na época ainda não exista a posição de líbero no vôlei de quadra – que geralmente não exige que os jogadores sejam tão altos - e isso pesou na hora de trocar a quadra pelas areias.
“Foi uma transição natural. Na quadra não existia líbero ainda. Quando vi a possibilidade de uma modalidade nova em que eu podia compensar a minha altura com o meu esforço eu mudei e eu corri atrás. Treinei mais do que todo mundo para poder me destacar”, explicou.

E ela persistiu nos treinos, mas o sonho de ser uma atleta foi ficando mais forte até ela perceber que teria que deixar a terra natal para crescer, melhorar naquilo que fazia. Na época Shelda tinha 20 anos e o vôlei de praia ainda era um esporte em crescimento no Brasil e não fazia parte do programa olímpico – o vôlei de praia entrou nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta. Somando tudo isso, Shelda conta que a família não gostou muito da idéia dela se mudar para o Rio de Janeiro.

“Na época eu era muito jovem e sempre ouvia dizer que viver do esporte não dava muito futuro. A família, o meu pai tinham aquele receio porque são poucos os que tentam viver essa vida e dão certo. Eu não  tinha ninguém no Rio para me dar apoio. Estava começando e ainda não era esporte olímpico. Mas eu sabia que queria viver do esporte. Meu pai não gostava, foi contra, mas era o que eu queria para minha vida e eu fui. Eu fui para a praia treinar. No começo fiquei sozinha e fui em busca de alugar um lugar. Foi difícil como qualquer outro início de algum sonho”, relembra.

E o sonho começou a virar realidade. No Rio ela conseguiu ganhar espaço e foi lá que ela conheceu Adriana Behar com quem teve a parceria mais vitoriosa das areias. Juntas, elas possuem 1.101 vitórias e 114 títulos ao longo da carreira. Entre as conquistas, estão duas medalhas de prata em Jogos Olímpicos, duas medalhas de ouro em Mundiais e um ouro em Jogos Pan-Americanos, além de seis títulos do Circuito Mundial, o que levou a parceria ao Livro Guinness dos Recordes, em 2006. Elas também são a dupla feminina que mais participou de eventos de praia desde a criação do circuito da Federação Internacional de Vôlei de Praia (FIVB), em 1992.

Behar e Shelda conquistaram dois pódios olímpicos (Foto: Washington Alves)

Olímpiada 
Shelda participou de duas Olimpíadas: Sydney, em 200, e Atenas, em 2004. No ano de 2000, elas chegaram como favoritas ao ouro. A dupla já jogava junto havia cinco anos e vinham de ouro no Mundial de Marselha e no Pan de Winnipeg. Porém, bateram na trave e foram derrotadas pela dupla da casa Natalie Cook e Kerri-Ann Pottharst e as lágrimas foram inevitáveis no pódio.

Quatro anos depois, em Atenas, elas chegaram a mais uma final olímpica, mas desta vez não eram as favoritas. Foram derrotadas pela dupla norte-americana Misty May e Kerry Walsh, que eram favoritas ao título, pois eram as atuais campeãs mundiais. Mesmo batendo na trave duas vezes, Shelda reconhece que as medalhas olímpicas foram especiais em sua vida.
“Eu acho que é o fruto e o resultado de um trabalho independente da valorização. A satisfação de poder estar numa Olimpiada e representar o pais, chegar num pódio estar entre os três melhores do mundo é muita coisa pouquíssimos atletas tem essa oportunidade”.

Três perguntas

1. Como é pra você saber que é um dos maiores  nomes da história do vôlei de praia brasileiro? O que representa pra você?
Fico feliz porque a gente foi referência para muita gente. É um orgulho ver a evolução, participar da história do esporte no nosso país e ver como o voleibol evoluiu. E eu fiz parte dessa história e fico muito feliz um prazer e um orgulho enorme porque sempre que eu entrei em quadra foi com alegria paixão e para dar o meu melhor sempre.

2. Como foi a parceria com a Adriana Behar e o que ela representa para você, na sua vida e carreira?
Foi maravilhosa. Ela é uma mulher incrível, uma amigona. Pude conviver durante 12 anos quando fomarmos a dupla e hoje somos muito amigas fora de quadra. São mais de 20 anos de amizade, cumplicidade e parceria. Onde eu estiver ela está me ajudando. Tenho muito carinho e gratidão por tudo o que a gente conquistou. Tudo o que eu tenho, eu conquistei do lado dela.

3. Que países chegam forte nesses Jogos Olímpicos? Quais as chances das duplas brasileiras?
No feminino, os times mais fortes são o  Brasil, a Alemanha e Holanda. Esses quatro países são os melhores e estão um pouco à frente.  No masculino é um pouco mais nivelado. Não tem muita diferença porque o masculino é mais competitivo . 
Quanto às duplas do Brasil, todas as quatro duplas, tanto as do masculino como as do feminino, têm chances de chegar ao pódio..

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