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‘Ainda tenho muito a mostrar’ diz Aderbal Lana

Ex-técnico do Penarol deixou o clube, ainda dentro do ônibus da delegação, após se desentender com atitude da diretoria 12/03/2013 às 12:12
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Lana saiu do clube por não concordar com atitude da diretoria
Bruno Tadeu Manaus (AM)

O que era para ser um dia de comemoração acabou em demissão. Segundo o técnico Aderbal Lana, na volta da delegação do Penarol após a goleada de 5 a 0 contra o Fast, em Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus), um casal de torcedores entrou no ônibus do clube, o que irritou o treinador. Ignorado pela diretoria, ele desceu do ônibus e entregou o cargo. Embora o presidente do Penarol, Ila Rabelo, garanta que nada está definido, o técnico descartou voltar atrás e desabafou antes de pedir as contas do clube. Por qual motivo você decidiu deixar o Penarol, sábado?

Nós fizemos uma logística para ir até Manaquiri, com parada em um hotel em Manacapuru. Tudo correu bem na ida. Na volta, o time tinha um trabalho para ser feito de recuperação muscular no hotel, depois a janta e a viagem para Itacoatiara, mas quando chegamos no porto para ir ao hotel, entraram no ônibus dois torcedores (um casal) e não gostei daquilo. Não me ouviram e eu saí.

Qual atitude você tomou após a decisão da diretoria?

Como o dirigente que estava conosco deixou eles entrarem, desci do ônibus e entreguei o time. Não tenho nada a reclamar do presidente, é um cara espetacular. Não é por nada, nem por proposta, porque sempre vai ter. Se você ganha quatro jogos, os times vêm atrás, mas se não aparecer proposta não tem problema. Eu fico em casa.

Você estabeleceu alguma restrição em relação aos torcedores?

Torcedor, quando ganha, bate palma. Quando perde, briga, então não pode ter essa proximidade com o clube. E tinha uma mulher no meio. Não podia ter uma mulher no meio de vários homens, que estavam comemorando e iriam trocar de roupa depois. Eles tinham que ter privacidade.

Existe chance de você reconsiderar a decisão de sair do clube ou já está tudo definido?

Já gerou muita especulação. O próprio torcedor já está criticando isso nas redes sociais e na hora que eu perder um jogo, vai cair muito isso nas minhas costas. Tomei a decisão sábado, vou a Itacoatiara hoje (ontem) conversar com presidente. Eu tinha tudo lá, mas fiquei chateado e resolvi ir embora. Volto para Manaus ainda hoje (ontem) e se aparecer alguma coisa, estou propenso em escutar.

Como você avalia a campanha e a relação com os jogadores do Penarol?

Estou muito satisfeito porque disse que iríamos começar um novo sistema de jogo no Penarol. São trabalhos diferentes e eu agradeço muito a eles (jogadores) por terem absorvido esse tipo de trabalho.

Você pareceu entediado com a rotina no interior do Amazonas. Isso influenciou na sua saída?

Também influenciou. Tenho uma filha em Manaus, são quase 300 quilômetros para ir em casa ver minha família, não tinha como trazê-los. Isso vai entediando, mas isso é a vida. Fiquei dez meses em Itacoatiara, na solidão, mas eu queria provar para muita gente que só o que morre é o corpo, não a mente. Ainda tenho muito a mostrar.

E a ideia de encerrar a carreira no fim do ano? Permanece?

O plano de parar existe. Eu estou provando para mim mesmo que sou capaz, que estou sadio, apesar de toda a minha vida irregular, de fumar muito, mas eu provei que a vida continua, que sou capaz. Vamos ver o que vai acontecer.

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