Publicidade
Esportes
Craque

Amazonense conta como foi a saga do Paysandu no retorno à Série B do Brasileirão

Victor Lenine revelado nas quadras de futsal, virou titular do time paraense na reta final do Brasileirão da Terceira Divisão. O volante falou ao CRAQUE sobre a odisseia no Papão e aponta as diferenças e entre futebol do Pará e do Amazonas 30/11/2014 às 10:19
Show 1
Jogador se tornou titular na reta final da campanha
Denir Simplício Manaus (AM)

Lá se vão 15 anos dede que o torcedor do Estado festejou pela última e única vez um acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. O São Raimundo foi o responsável pelo grande feito, elevando a moral do combalido futebol Baré. Mas um amazonense em especial está comemorando até agora o tão sonhado feito: Victor Lenine, volante do Paysandu, que ajudou o time paraense a subir pra Segunda Divisão do Brasileirão, revela ao Craque toda sua trajetória até chegar ao Papão da Curuzu e fala das disparidades entre o futebol do Amazonas e do Pará.

Victor Lenine, hoje com 23 anos, começou a carreira como jogador aos sete anos atuando nas quadras do Centro Integrado de Educação Christus (Ciec), sob a batuta dos professores Iranildo e Careca. Não demorou muito e o promissor atleta migrou para o gramado, onde deu seus primeiros desarmes no time do infantil do 3B, levado pelo técnico Bosco. Logo os primeiros títulos surgiram, o franzino garoto levantou por três vezes seguidas o título do Peladinho.

Trocou Galo pela Raposa
Almejando voos mais altos, o garoto resolveu enveredar pelo caminho dos testes em equipes do sudeste do País. Victor Lenine resolveu participar de uma peneira do Atlético-MG, que procurava novos talentos em Manaus. Resultado: aprovado logo de cara. Porém, seguindo os conselhos do treinador Bosco, o garoto foi parar em Belo Horizonte, onde foi fazer um teste do arquirrival do Galo, o Cruzeiro. Não deu outra, na Raposa o rapaz também agradou “demais da conta” - como dizem os mineiros - e foi integrado à base do time.

No Cruzeiro Lenine permaneceu de 2006 a 2009, até ser negociado junto ao Bahia. No tricolor baiano o jogador atuou na equipe de juniores até ser aproveitado no time principal, onde foi campeão baiano de 2012. O primeiro título como profissional do volante amazonense o levou a disputar o Brasileirão da Série A daquele ano, chegando a jogar sete partidas na principal competição de futebol do Brasil.

Passagem pelo Rio
Em 2013, Lenine foi emprestado ao Olaria, onde disputou todo o Campeonato Carioca pelo “Azulão da Bariri”, como é conhecido o time. Com uma campanha regular a equipe chegou a terminar a Taça Rio à frente do Vasco. No segundo semestre, o volante atuou pelo Audax-RJ, onde disputou a Copa Rio. No entanto, uma contusão no joelho tirou maiores chances de jogar mais vezes pelo clube empresa. Lesionado, Victor Lenine preferiu retornar pra Salvador a fim de cuidar da contusão e voltar ao time titular do Bahia.  

Ida pro Papão

Parado desde quando voltou do Rio de Janeiro, a primeira oportunidade em 2014 só veio surgir com o técnico Marquinhos Santos. O ex-treinador do Coritiba pediu para que o jogador fosse reintegrado ao elenco do Bahia, foi quando surgiu a proposta de ir pro Paysandu. “Um dia, eu estava no gramado treinando com meus companheiros, quando apareceu por lá o Vandick (Vandick Lima, presidente do Paysandu na época). Ele e o Ocimar Bolicenho, diretor de futebol do Bahia, estavam conversando e o Ocimar veio falar comigo e me perguntou se eu gostaria de jogar no Paysandu”, conta Lenine.

O jogador que cresceu no conjunto Rio Maracanã, no bairro Flores, a Zona Centro-Sul de Manaus, nem precisou pensar muito. Conhecedor do futebol do Norte do País, Lenine achou uma ótima chance de voltar a jogar. “Eu achei que poderia ter mais chances no Pará, pois no time já havia sete volantes e seria uma boa experiência pra mim atuar no futebol do Norte do País, onde eu nasci e conheço. Eu estava louco pra jogar e a chance era aquela”, revelou.

Apresentação e pergunta embaraçosa
Uma semana depois o volante amazonense já estava em Belém para ser apresentado como novo reforço do Papão da Curuzu. E logo de cara a imprensa paraense brincou com o jogador nascido no Amazonas, lhe fazendo uma pergunta um tanto embaraçosa. “Quando fui apresentado oficialmente, a imprensa estava toda na sede do clube. Rádio, televisão e o pessoal dos jornais impressos e a primeira pergunta que o repórter me faz é: Lenine, o pessoal de Manaus ainda fala muito mal da gente? Eu ri e disse que não. Claro, né?!”, contou o volante revelando que ficou sem jeito com o questionamento.

Lenine, que voltava de lesão, só foi ter oportunidade com o técnico Mazola, que o levou para o time titular. Disputando vaga com jogadores bem mais rodados como, Augusto Recife, Zé Antônio e Capanema, o jovem volante amazonense conseguiu se destacar e assumiu a vaga no meio de campo do Paysandu. “Os caras são feras, eu tinha que conseguiu uma vaga no time e quando eu consegui, não saí mais”, conta.


Diferença no futebol de Amazonas e Pará
Victor Lenine, torcedor do São Raimundo na adolescência, nos conta que a disparidade entre o futebol paraense e o amazonense não é tão grande como muitas pessoas pensam. “Sinceramente, não acho uma diferença tão absurda como tanto me falavam. O que conta a favor do futebol do Pará, é que as pessoas são apaixonadas pelos seus times, e isso conta muito”, disse.

Segundo o jogador, que tem contrato com o Bahia até junho de 2015, a estrutura do Paysandu é boa, mas também tem seus problemas. “Quando cheguei no Paysandu, a Curuzu passava por reformas e nós tínhamos de treinar fora. Hoje as coisas estão bem melhores por lá. O clube é organizado, todos recebem em dia. Existe a preocupação em ser correto com os atletas”, afirmou Lenine.

O jogador contou que se espelha em astros como o espanhol Busquets e Xabi Alonso, assim com o alemão Schweinsteiger entre os atletas estrangeiros, e Paulinho e Elias entre os brasileiros. Além de ter como ídolos no tempo de torcedor os volantes Alberto e o atacante Marcelo Araxá, assim como o ex-jogador Lima. “Torci muito pelo São Raimundo nas arquibancadas do Vivaldão. Mas o time caiu. Foi uma pena”, lamentou.

Lenine disse não entender como o futebol amazonense chegou ao estado que se encontra. De acordo com o volante, o Amazonas tem tudo para elevar o nível do futebol local. “Há muito tempo eu acho que o futebol precisa crescer mais. Temos uma Arena espetacular construída pra Copa do Mundo. Temos uma cidade grande, com pessoas que adoram o futebol. O que falta mesmo é profissionalismo, trabalho de base, organização, por parte de quem dirige os clubes e o futebol amazonense”, opinou.

As divisões de base são, no entender do jogador, o local que mais necessita de apoio por parte dos clubes. “Todo garoto sonha em jogar um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil, um Estadual bom, de respeito. E isso não dá pra oferecer aí, em Manaus. Nós não temos um clube, sequer, na série C. A valorização tem que começar nas divisões de base dos clubes, começa por aí, os garotos querem jogar”, disse.


Paixão paraense
Na opinião de Lenine, outro fator que pesa para o lado do futebol do Pará é a paixão que o torcedor paraense tem pelos clubes locais. “Os paraenses são apaixonados pelos times deles. O amor pelo time que o torcedor demonstra lá (Pará), eu não vejo no Amazonas. Não vejo o carinho do torcedor pelos nossos times. Isso conta muito”, revelou.

O volante ainda contou sobre a cobrança exercida pela imprensa esportiva do Pará e, principalmente dos torcedores. “Se você ou o time joga mal, a torcida vai na porta do clube e vai cobrar mesmo. A imprensa pega no pé, e se você não tiver personalidade acaba perdendo a calma e deixando influir no teu futebol. Existe a pressão de jogar bem, de fazer o seu melhor sempre”, completou.

Victor Lenine está de férias, em Salvador, onde mora com a mãe e a namorada desde 2009, e apenas curte o período pós-classificação pra Serie B do Brasileiro. O volante ainda não sabe seu futuro no futebol. Seu contrato com o Bahia vai até o meio do ano de 2015 e as chances de retornar ao Papão são muito grandes.

O Paysandu está de presidente novo, desde a eleição do dia 19 de novembro, onde o advogado Alberto Maia, de 48 anos, foi eleito para o biênio 2015/16, o Papão deve fazer reformulação de elenco para a próxima temporada. “Estou aguardando o contato por parte da nova diretoria. Gostei muito de jogar lá e não vejo problema algum em voltar e talvez levar a equipe pra primeira divisão”, finalizou Lenine.

Publicidade
Publicidade