Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
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Amazonense medalha de bronze no Pan-Americano fala sobre esporte, lesões e a conquista

Entre os sorrisos no pódio, havia o sorriso da jogadora amazonense, Lucianne Barroncas, que ajudou a seleção a conquistar o terceiro lugar na modalidade



1.jpg No auge de sua carreira de atleta, a jovem amazonense comemora mais uma vitória com a conquista da medalha de bronze pela seleção brasileira de polo aquático nos jogos Pan-Americanos de Toronto
19/07/2015 às 13:19

A seleção feminina de polo aquático conseguiu a quarta medalha de bronze de sua história de participação em Jogos Pan-Americanos. Na noite da última terça-feira, a equipe venceu a seleção cubana por 9 a 6 e faturou a medalha para o Brasil.

Entre os sorrisos no pódio, havia o sorriso da jogadora amazonense, Lucianne Barroncas, que ajudou a seleção a conquistar o terceiro lugar na modalidade. Muitos podem pensar: é um bronze! Mas para o polo aquático feminino do Brasil foi uma grande conquista e para Lucianne, que pela primeira vez participou de um Pan, a realização de um sonho.



Lucianne Barroncas nasceu em Manaus em 1° de abril de 1988, mas tornar real o objetivo de ser uma atleta de alto rendimento, precisou deixar a cidade natal aos 17 anos e hoje mora em São Paulo, onde é jogadora  da equipe de polo do Esporte Clube Pinheiros.

Lucianne começou na natação, mas uma lesão a fez parar de nadar. Lucianne, então, foi convidada para ser técnica de natação em Brasília. Para não ficar parada, a amazonense começou a praticar polo aquático no clube onde trabalhava e logo se destacou.

Em 2012 foi convocada para a seleção brasileira e foi campeã Sulamericana em Belém. Lucianne também foi campeã em 2014 no sulamericano da Argentina. Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, Luh Barroncas- como é conhecida, falou sobre o resultado do brasil no Pan, sua trajetória e perspectivas para o esporte.

Como foi o seu começo no esporte? Qual o primeiro esporte que praticou? Como chegou no polo aquático?

Comecei com natação para bebê aos 8 meses, mas tive otite e parei. Depois fiz vários esportes até voltar para a natação aos 13 anos. Depois de parar de nadar, fui trabalhar em Brasília e comecei a jogar polo lá para fazer uma atividade física e fui me descobrindo no esporte.

Com quantos anos você saiu de Manaus?

Saí com 17 anos e fui pra Santos, São Paulo, nadar pela Unisanta. Minha família sempre me apoiou muito e a decisão de sair era a única opção de me manter no esporte porque o apoio em Manaus era muito difícil. O primeiro ano foi muito difícil, mas eu sempre me apoiei nos meus sonhos e objetivos. Minha família é de Manaus, sim, e mora aí. Hoje em dia é mais fácil de ir a Manaus porque minha irmã trabalha na Gol [Linhas Aéreas] e isso ajuda muito.

Você tem um histórico de lesões. Em algum momento pensou que não poderia continuar?

É, eu tenho uma lesão na coluna, mas hoje está bem controlada. Tive essa crise no começo do ano passado e fiquei parada dois meses para me recuperar.

Quais as principais dificuldades que você vê para um atleta no Brasil, principalmente um atleta do polo aquático, que não é um esporte tão divulgado?

Acho que o polo aquático, assim como os outros esportes de pouca visibilidade, tem dificuldade em se manter financeiramente e em estruturas. É muito difícil, mas consigo pagar minhas contas e só (risos). Mas já é alguma coisa comparado com quem não é da seleção brasileira hoje e que tem que arcar com tudo.

Você acha que essa medalha de bronze conquistada no Pan pode mudar algo no esporte?

Eu acho que abre algumas portas. Por exemplo, eu fui bi campeã sulamericana e até ali não tinha reconhecimento da mídia em Manaus. Até em Belém saía reportagem minha porque era do Norte. E no Pan agora, nós conseguimos mais visibilidade, mesmo que momentânea.

Qual foi o adversário mais difícil no Pan? O polo aquático chega forte para as Olímpíadas?

A equipe dos EUA é a atual campeã olímpica, foi nossa única derrota no campeonato. Acho que estamos em uma crescente, uma grande evolução. Esperamos fazer bons jogos buscando sempre a medalha, né? Nada é impossível.

Qual foi o pensamento na estreia, quando vocês empataram com uma das seleções mais fortes e dona da casa?

Nós viemos com a intenção de ganhar, mas apesar de estar na frente por um bom tempo, o placar final foi o empate. Que é um ótimo resultado também porque era na casa delas.

Qual a emoção de subir no pódio? De conquistar uma medalha?

Sem dúvidas foi incrível. Muito tempo se dedicando. A gente merecia a prata, mas o bronze já está de bom tamanho.

Seu maior ídolo é o Ayrton Senna. Como que ele se tornou sua inspiração?

Sempre ouvi falar muito dele porque era muito nova quando ele morreu. Meu pai sempre falava e eu passei a ver os vídeos dele pela internet. A frase dele que eu mais gosto é “No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz”.

Durante o Pan, foram feitas entrevistas com outras atletas da equipe de polo aquático e nessas matérias mostravam que algumas precisaram abandonar faculdade, trabalho e família para focar nos Jogos. Como o técnico Pat Oaten conversou isso com vocês?

Bom, ele fez essa exigência para que os treinamentos sejam completos para que todo mundo possa dar seu 100% e se conhecer bem. Acho que só assim que fazemos um time vencedor, caso contrário seria um grupo apenas.

Avaliando o desempenho da seleção brasileira, o que você acha que precisaria mudar na seleção?

Acho que a gente precisa de mais confiança. Somos um time muito forte e talentoso. acho que vamos adquirindo essa confiança com o tempo. Estamos muito bem.

O treinador da equipe de polo aquático é o Pat Oaten, um canadense. Que diferencial você vê em ter um técnico estrangeiro dirigindo a seleção?

O Pat é bem diferenciado e detalhista. Ele fica a madrugada dos jogos preparando o time para jogar no dia seguinte. Acho que isso faz toda a diferença.  Ele também deixa a comunicação muito aberta o que facilita a relação. Eu gosto muito de trabalhar com ele e acho que ele é o grande responsável por esses excelentes resultados.

Sobre planos para o futuro, Quais os planos para quando você parar de competir?

Eu já sou formada há seis anos. Sou formada em educação física e pretendo atuar na área quando parar de jogar.


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