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Amazonense que integra a equipe brasileira de Polo Aquático se prepara para o Pan de Toronto

Após uma ascensão meteórica e a migração para o pólo, Lucianne Barroncas Maia vai disputar em Toronto, no Canadá, os Jogos Pan-Americanos 2015 23/06/2015 às 11:26
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Ela atua com o número 5 na seleção que tem Patrick Oeten como treinador e Pablo Cuesta como auxiliar
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Coragem e ousadia nunca faltaram para a amazonense Lucianne Barroncas Maia. Jogadora da seleção brasileira de pólo aquático, aos 27 anos, ela vive um dos melhores momentos de uma carreira que começou aos 12 anos ainda na natação. 

Após uma ascensão meteórica e a migração para o pólo, ela vai disputar de 10 a 26 de julho em Toronto, no Canadá, os Jogos Pan-Americanos 2015. A meta é conseguir ao menos a medalha de prata, mesmo jogando na casa de uma das melhores seleções do planeta.

Sonho ousado? Não para ela, que é acostumada e movida a desafios desde a adolescência. “Estou treinando bastante e hoje faço parte do time. A convocação era esperada e estou muito feliz com a confirmação. É um grande sonho que está sendo realizado. Espero fazer um grande campeonato e que possamos atingir o objetivo de alcançar a prata”, declarou a atacante, que joga na posição 1 ou 2 e integra a equipe do Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, cidade na qual reside.

O Canadá, superpotência do pólo olímpico mundial, é o maior rival da seleção atualmente, segundo destaca a atleta. E no Pan, a responsabilidade é deles e dentro da casa deles, analisa a jogadora. “Ganhamos delas recentemente no pré-Mundial”, destaca. 

Histórico

Lucianne tem 1m69 de altura e 64 quilos. Ela atua com o número 5 na seleção que tem Patrick Oeten como treinador e Pablo Cuesta como auxiliar. No currículo, além de vários títulos pelo Pinheiros, ela já conquistou pelo Brasil dois importantes títulos Sul-Americanos: em 2012 em Belém e 2014 na Argentina.ano corridoA atleta sempre foi movida pelo esporte.

Dos 12 aos 13 anos ela jogava handebol e futsal mas, como tinha artrite reumatoide nos joelhos, sua mãe a matriculou na Aquática Nobre para fazer natação. Ela se destacou e, após 1 ano treinando passou a competir e alcançar marcas expressivas nas provas de 100, 200 e 400 metros livres e revezamento.

Em 2005, aos 17 anos, foi contratada pela Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos (SP), mas, em abril de 2008 retornou a Manaus após sofrer com lesões.

Decidida a parar de competir, ela aceitou um convite para ser auxiliar técnica, em Brasília, de uma equipe que contava com talentos como as nadadoras Fabiola Molina e Tatiana Lemos, em atividades realizadas no Minas Clube.

Após 2 anos ela saiu do projeto e entrou na equipe de pólo aquático formada no mesmo local, sendo relacionada para o Brasileiro da modalidade, mas sem jogar. Na competição, se impressionou com o time do Pinheiros, e teve o “estalo” de enviar um e-mail para o técnico da equipe, Roberto Chiappini, pedindo um teste.

“Fui lá, dei a ‘raça da vida’ e  eles me falaram que não tinham como me oferecer nada financeiramente. Eu pedi, então, pra ficar até o final do ano. Em janeiro de 2012 eu já treinava com a seleção brasileira e seria convocada, em março daquele ano, para o Campeonato Sul-Americano. Tudo na minha vida foi muito rápido. Sou ariana e sempre fui competitiva, movida pelo esporte. O pólo é carente de atletas e quem tem natação diferenciada chama atenção”, conta a atleta. O restante da história de Lucianne vocês já conhecem. Mas ainda há muita coisa pra ser contada daqui pra frente. E medalhas e troféus a conquistar!

Sonho olímpico

Se as Olimpíadas Rio 2016 fossem hoje, Lucianne Barroncas seria nome certo na convocação da seleção. “Meu sonho no esporte é ser atleta olímpica. É diário eu pensar nisso. Há alguns dias, durante um treino, eu falei  para a nossa capitã (Marina Zablith) que faltava 1 ano’”, conta ela.

Apesar do sonho olímpico estar bem perto, a amazonense contou que tenta não pensar muito sobre isso para não gerar uma pressão desnecessária antes do tempo.

Além do Pan, a delegação está vivendo um ano bastante competitivo: a equipe disputou, no início do ano, jogos amistosos com seleções universitárias dos Estados Unidos no Havaí, e foi vice da Copa Uana, no Canadá.

No início deste mês, as meninas foram mais além: pelo 2º ano consecutivo participaram da Superfinal da Liga Mundial em Shangai, na China, ficando em 8º lugar novamente.

Após o Pan, Lucianne e companhia vão para Kazan, na Rússia, disputar o Mundial de Esportes Aquáticos entre julho e agosto. Outro sonho dela, este mais pro futuro, é atuar como técnica de natação. Se repetir a competência que tem como atleta, o Brasil só tem a ganhar!

Três perguntas

1 - Quem são seus ídolos no esporte?

Não existiu ninguém como Ayrton Senna. Em tudo que ele entrava era para ganhar. Acho que se disputasse no par ou ímpar, mesmo assim não gostava de perder.

2 - Você ainda retornará a Manaus antes do Pan?

Não vou a Manaus antes dos Jogos porquê estamos em período de treinamento para a competição. Os treinos acontecem diariamente e até aos sábados e domingos. Quando vou a Manaus e não tenho treinos da equipe, faço minha manutenção física na academia Companhia Atlhetica, que sempre me apoiou mesmo depois que eu deixei de trabalhar. Isso me garante continuar trabalhando em alto nível.

3 - Já caiu a “ficha” de ter escrito o nome na história do esporte local por integrar a seleção para o Pan?

Ainda não. O esporte na região Sudeste, principalmente em São Paulo, é mais valorizado. Quando se vem de um estado do Norte, tudo é mais difícil. Mas, estou muito feliz com essa conquista e espero motivar outros atletas que estão na situação que estive no começo.

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