Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
ARTE MACIAL

Amazonenses se preparam para Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu em SC

Competição acontece nos dias 11,12 e 13 de julho em Florianópolis. Evento contará com a premiação de 5 mil dólares



jiujitsu_DA0ABFAA-0D40-4564-A80E-0AE706D6236A.JPG Os atletas treinam em academias diferentes espalhadas por Manaus (Foto: Sandro Pereira/Freelancer)
27/05/2019 às 08:51

Um dos principais polos de jiu-jitsu no Brasil, o estado do Amazonas, também busca o protagonismo na modalidade paradesportiva. Para isso, a Seleção Amazonense de jiu-jítsu paradesportivo viajará até Florianópolis, no mês de julho, para disputar o primeiro Brasileiro da modalidade. São nove atletas - estando sete inscritos até o momento - com dificuldades semelhantes, histórias diferentes, mas o mesmo objetivo: se superar e representar bem o estado do Amazonas. Exemplos de superação e vontade, Ender Rodrigo, Helder Felipe, Adriano Motta, Anderson Lima, Jonathas Machado, Paulo de Franco Sá, Walter Jânio, Jordan Wendrel e Leonardo Moraes afiam as técnicas e acertam os últimos detalhes a 46 dias do Brasileiro.

A competição inédita acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de julho, reunindo lutadores com deficiência física, auditiva, intelectual e visual. Tendo 300 atletas federados na modalidade, a Federação Brasileira de Jiu-Jitsu Paradesportivo espera que cerca de 200 competidores estejam presentes no Hotel Internacional Canasvieiras, local onde será realizada a inédita competição. O evento contará com premiação de 5 mil dólares, que serão divididos entre os vencedores das categorias.



Como não há divisão por peso no jiu-jítsu paradesportivo, os atletas são separados em 18 classificações funcionais, levando em consideração o laudo médico de cada um - onde consta a CID (Classificação Internacional de Doença). A separação tem o intuito de equilibrar as lutas, dado a importância da mobilidade de cada competidor.

A categoria paradesportiva vem ganhando força no cenário do jiu-jítsu ao redor de todo o mundo, estando presente, por exemplo, no Abu Dhabi Grand Slam Jiu-Jitsu World e no BJJ International Pro, duas das maiores competições da arte marcial. Na BJJ International Pro, Ender Rodrigo, um dos paratletas que vão a Florianópolis, conquistou o ouro no ano de 2018. Praticante de jiu-jítsu desde os 14 anos, Ender sofreu um acidente de trânsito em 2012, onde foi atropelado por um caminhão quando estava a caminho do trabalho. Após passar por 12 cirurgias por conta de traumas na perna e no intestino, abriu um projeto social em 2014, que contou com 100 alunos, contendo adultos e crianças. A fim de estimulá-los a competir, Ender retornou aos tatames em campeonatos convencionais.

“Nós temos muitos paratletas, mas não temos muitos competidores, diferente de outros estados, onde os lutadores recebem apoio familiar, de patrocínio e psicológico. Aqui no nosso estado, pela falta de incentivo, os praticantes são mais fechados”, destacou o paratleta, que é faixa preta.

Diferente de Ender, Paulo de Sá conta com as dificuldades de mobilidade por conta da deficiência desde a primeira semana de vida. Devido a complicações na semana de seu nascimento, o braço direito de Paulo precisou ser amputado. Apesar do episódio, o esporte sempre esteve presente na vida do paratleta, que subiu pela primeira vez nos tatames como competidor de judô, ainda na infância. Migrando para o jiu-jítsu com o passar dos anos, o atual faixa marrom já foi campeão amazonense, ainda nesse mês, e vice-campeão mundial no Abu Dhabi Grand Slam, em 2017.

“Ser capaz de praticar o jiu-jítsu é algo que ajuda na autoestima, mostra que todos têm capacidade. Nós passamos por muito preconceito e através do jiu-jítsu podemos conhecer o mundo”, relatou Paulo, que almeja conquistar a faixa preta e se tornar mestre da Arte Suave.

Com um público que vibra a cada momento de superação, a expectativa dos atletas em relação ao Brasileiro é a melhor possível. Até o momento, quatro passagens foram disponibilizadas pela Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL) e os paratletas correm atrás de investimentos para o restante da equipe. Como a Seleção é composta por atletas de diferentes academias, a equipe marca encontros periódicos para compartilhamento de posições e técnicas.

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