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Amazonenses usam talento musical para bancar viagem para o Brasileiro de Kung Fu, em SP

Além dos desafios impostos pela luta, os praticantes do Kung Fu/Wushu, Elora Dark e Lucas Abernardo, têm outros desafios a vencer: recursos financeiros 25/11/2014 às 13:34
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Lucas e Elora treinam diariamente sob a supervisão do mestre Ari Galvão, em Aparecida.
Camila Leonel ---

O Kung Fu/Wushu é uma arte milenar surgida na China que nasceu da necessidade de sobrevivência humana na luta contra animais ferozes e inimigos. O estilo de arte marcial perdura até hoje e, no Amazonas existem crianças e adultos que praticam essa arte. Porém, além dos desafios impostos pela luta, os praticantes do Kung Fu/Wushu têm outros desafios a vencer.

No caso de Elora Dark, 11, e de Lucas Abernardo, 14, o desafio maior, nos últimos meses, foi conseguir recursos para participar do XXV Campeonato Brasileiro de Kung Fu Wushu, que acontece a partir desta quarta-feira (26) (e vai até domingo), em Leme, São Paulo.

De acordo com o treinador Ari Galvão, o Amazonas é um Estado reconhecido pela qualidade dos atletas, mas que o principal entrave para o desenvolvimento do esporte no Estado é a falta de patrocínio. “O atleta, ao participar dessas competições, tem que pagar todas as despesas e fica pesado para os pais dos atletas, para os competidores e para eu, que preciso acompanhá-los”, disse o mestre. Devido a essa dificuldade, Elora e Lucas tiveram que arrumar formas de juntar dinheiro para conseguir pagar as passagens e a estadia em São Paulo durante a competição.

Música para os ouvidos

Elora treina há apenas três meses e já vai participar de uma competição nacional na categoria infantil feminino, nas modalidades de Rotinas Livres e compulsórias 32 Movimentos Changquan (Punho Longo).

A menina começou a lutar depois que mãe - que praticava Tai Chi Chuan com o mestre Ari no Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignólia, na Cidade Nova - lhe mostrou um papel com o endereço da academia. “Minha mãe me mostrou o papelzinho que falava das aulas, aí eu pesquisei uns vídeos de Kung Fu na internet e decidi fazer para ver como era”, contou a atleta.

Elora começou a treinar, mas como a mãe não tinha dinheiro para pagar a mensalidade, parou com menos de um mês de aulas. Em agosto, ela voltou a treinar e foi escolhida pelo mestre para competir no Brasileiro. A família de Elora conseguiu comprar as passagens para ela lutar em São Paulo, mas faltava o dinheiro para a estadia nos quatro dias de competição.

Foi aí que Elora, que além de Kung Fu faz aula de teatro, natação, jiu-jitsu e flauta, teve uma ideia: Arrecadar dinheiro dentro do ônibus que ela pega para ir aos treinos tocando flauta. “Até agora, em quatro dias e eu já consegui R$ 128. Explico que é para a competição e as pessoas ajudam bastante”, revelou a atleta. Sobre a competição, a menina diz que não está tão ansiosa “Eu estou tranquila, até porque eu já fiz teatro, aí eu não fico muito ansiosa. Acho que só dá aquele frio na barriga leve porque nunca disputei um campeonato brasileiro”, completou.

Inspirado

O outro competidor, Lucas Abernardo treina há quatro anos e desde pequeno gostava de assistir filmes de luta e sempre teve vontade de aprender a lutar karatê. Até que o pai ouviu falar da academia e o colocou para treinar Kung Fu. “Eu comecei a treinar e a achar melhor do que o karatê. E estou aqui até hoje”, resumiu. Lucas está na faixa amarela (a segunda graduação), e vai disputar na categoria juvenil masculino, modalidade de rotinas livres com a rotina Nangquan 32 movimentos (Punhos do Sul). David Cordovil da Siva é o outro atleta completa a delegação Amazonense. Ele competirá na categoria adulto masculino, na modalidade de luta (Sanda).

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