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Amigos, amigos, decisões à parte

CRAQUE falou com Ídolos das torcidas de Santos e Corinthians sobre amizade, carreira, rivalidade, relembrando grandes jogos e, é claro, sobre o primeiro jogo da final do Paulistão neste domingo 11/05/2013 às 19:07
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Serginho e Biro-Biro Sem papas na língua!
André Viana Manaus (AM)

O paulista Sérgio Bernardino, de 59 anos, o Serginho Chulapa, e o pernambucano Antônio José da Silva Filho, de 53 anos, o Biro-Biro, têm seus nomes eternizados no clássico entre Santos e Corinthians, os dois times que neste domingo (12) voltam a decidir um título estadual. A partida, primeira da decisão, acontece às 15h (Manaus), no Estádio do Pacaembu.

Ambos estiveram em campo na única conquista santista da década de 1980. Quando exatos 101.587 pagantes estiveram na tarde do dia 2 de dezembro de 1984, no Estádio Cícero Pompeu de Tolêdo, o Morumbi, para ver o gol solitário do artilheiro Serginho para o Santos. Gol que impediu o tricampeonato do Timão do Parque São Jorge.

Hoje, é o Corinthians do aguerrido Biro-Biro que luta para não deixar o Santos ser o primeiro tetracampeão paulista da história. Antes do jogão, Serginho, santista roxo, e Biro-Biro, corintiano fanático, concederam uma entrevista exclusiva ao CRAQUE para falar sobre o passado e o presente.

Companheiros

Amigos, os dois boleiros foram companheiros de equipe, em 1985, quando defenderam o Corinthians, e rivais em diversas ocasiões. Vestiram outras camisas, mas não escondem que o sentimento era especial quando tinham sobre a pele o manto que amam desde a infância.

“Para um santista, como eu, ser campeão em cima do Corinthians e ainda fazer o gol do título é muita felicidade. É eterno. Lembro-me de tudo o que aconteceu antes, durante e depois daquela decisão de 1984”, vibrou Serginho, que não tem dúvida em cravar que aquele jogo foi o seu Santos e Corinthians mais marcante.

Cutucada

Mais contido, Biro-Biro, obviamente, discordou e ainda cutucou o parceiro.

“O que eu me lembro daquele jogo, e ele sabe, é que o árbitro José da Silva Aragão nos prejudicou ao não marcar um pênalti claro. Até hoje quando o encontro ele (o ex-árbitro) digo isso. Foi um jogo parelho, lutávamos pelo tricampeonato, mas o Serginho soube aproveitar uma chance e decidiu a partida”, rebateu Biro-Biro, relembrando o jogo marcante.

Eliminação

Para o ex-volante que atuou por uma década no clube, seu Corinthians e Santos inesquecível foi no ano anterior. “Nós os eliminamos antes da final e fomos bicampeões, em cima do São Paulo. E o Serginho já era do Santos”, fez questão de frisar.

Jogaram juntos em 1985

Serginho Chulapa e Biro-Biro só jogaram juntos por uma temporada. Foi em 1985, quando o campeão paulista foi o São Paulo, primeiro grande clube da carreira de Serginho. O Tricolor Paulista também foi o time em que mais atuou e fez gols. Foram nove anos de Morumbi, onde balançou as redes do clube do coração por diversas vezes.

“Realmente fiz muitos gols contra o Santos, e comemorei todos. Acho um absurdo esse negócio do jogador profissional não comemorar gol contra o ex-clube, ou o clube de infância. Chega a ser contraditório, pois hoje o profissionalismo é muito maior do que naquela época”, disparou Serginho, que depois acrescentou. “Mas coloca aí que quando fui pro Santos marquei gols pra caramba no São Paulo. Descontei tudo que tinha feito antes”, finalizou, rindo.

Volante, Biro-Biro fez poucos gols na carreira - nenhum contra o amado Timão, mas concordou com o amigo e foi além. “A atitude de não comemorar gol contra determinado time, seja por que motivo for é uma falta de respeito ao seu empregador e a torcida que vai a campo torcer por você. Não fiz gol contra o Corinthians, mas se fizesse comemoraria sim. Não seria menos corintiano por isso. A torcida entenderia, era minha profissão”, assegurou Biro-Biro.

Otimistas

Sobre a decisão deste domingo (12), os dois estão otimistas em relação a seus respectivos times de coração. “Vamos vencer no Pacaembu (hoje) e no próximo domingo na Vila Belmiro. Vai ser um duplo 2 a 0!”, sentenciou Serginho Chulapa. Biro-Biro foi mais econômico e só arriscou o placar da partida desta tarde e no título. “Vamos vencer por 1 a 0 hoje e seremos campeões na semana que vem com um empate ou uma vitória, impedindo a conquista do tetra santista. Temos um time mais forte do que o Santos”, afirmou Biro-Biro.

Um calmo, outro explosivo

Dentro de campo, mesmo atuando em posições diferentes, tanto Biro-Biro quanto Serginho tinham uma característica marcante: a garra. Fora, as personalidades são opostas. Biro-Biro é tímido, fala baixo, enquanto Serginho é extrovertido e não tem papas na língua. “O Serginho sempre foi um cara engraçado, que divertia todo mundo na concentração. Mas quando entrava em campo se transformava. Passava a ser outra pessoa, quando era provocado por um adversário então, nossa senhora, enlouquecia”, diz Biro.

O ex-volante afirmou que, por precaução, nunca mexeu com o parceiro, atuando como rival. “Nunca fui doido! Se o provocasse ele iria correr atrás de mim para me encher de porrada (risos). Não tenho dúvida que se jogasse hoje, o Serginho iria ficar mais tempo suspenso do que em campo. Naquela época não tinha a quantidade de câmeras de televisão que tem em uma transmissão hoje. Muitas coisas passavam despercebidas na tela”, destacou.

Serginho atribuiu seu comportamento explosivo dentro das quatro linhas ao fato de não gostar de perder “nem em partida de várzea”, e elogiou o companheiro. “Nunca tive problema com o Biro. Ele era um marcador leal. Duro, mais leal. Buscava sempre a bola, não minhas canelas”, explica, gargalhando.


Três perguntas

Serginho Chulapa, ex-atacante e torcedor do Santos

O desempenho abaixo do esperado do Santos tem relação com a queda de rendimento de Neymar e as fracas atuações de Montillo?

O Santos ainda não fez uma grande exibição nesta temporada, mas quem fez além do Atlético-MG? Agora, o Neymar é o artilheiro do estadual e o Santos está na final. Então, não tenho do que reclamar (risos). O Montillo está em fase de adaptação ao clube. E fará muita falta nesta final por conta da contusão. Ele desequilibra.

Muitos falam que o Neymar já deveria ter se transferido para a Europa. Concorda?

O Neymar ainda é um garoto de 21 anos, que tem um futuro maravilhoso pela frente. É craque. Um dos melhores do mundo atuando no Brasil. Sinceramente acho que será impossível o Santos segurá-lo por muito tempo. E eu até acho que ele deva ir, mesmo sendo torcedor do Santos. Até porque no Brasil o zagueiro não marca, bate. O Neymar leva porrada o jogo inteiro. Na Europa se joga limpo. Os zagueiros são leais, e a violência não é permitida.

Gostaria de jogar ao lado de Neymar no ataque?

Qual centroavante não queria (risos)? Se eu tivesse um parceiro de ataque com a qualidade do Neymar não teria feito só 520 gols, tinha ultrapassado a marca dos 700 gols fácil.


Três perguntas

Biro-Biro, ex-volante e torcedor do Corinthians

Nem Santos nem Corinthians têm feito bons jogos, mesmo assim aponta favoritismo para este domingo?

É difícil cravar, em um clássico, quem será o campeão. Quero que seja o Corinthians, claro. Sou corintiano, e acredito que o Timão tem um time melhor, mas entrosado do que o Santos. No entanto, o Santos tem um trunfo que é o Neymar. Se ele tiver em um dia inspirado é complicado. Ele faz a diferença, desequilibra mesmo. Mas se o Corinthians jogar da mesma forma que enfrentou a Ponte Preta (nas quartas), vence.

Qual é a melhor maneira para parar o Neymar?

Se ele estiver em um dia inspirado é quase impossível (risos). Ele é imprevisível, muito difícil de parar. Pensa rápido, corre muito, dribla demais, é corajoso, um craque. Só vejo uma forma: colocar um jogador específico na marcação dele e outro na sobra, e mais outro, mais outro, por aí vai.

O elenco do Corinthians é melhor que o do ano passado. O que falta para engrenar?

Entrosamento. Os jogadores que chegaram ainda estão em fase de adaptação. Isso é uma questão de tempo. Todos têm qualidades mas ainda estão conhecendo o grupo, o clube... quem sabe uma vitória contra o Santos e depois um título não será um divisor de águas na temporada?

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