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Análise: Tudo o que deu errado para o Princesa na partida contra o Santos-AP

Especial do CRAQUE faz uma ‘autópsia’ no corpo do Tubarão, em busca de respostas para o vexame e a eliminação da Série D 23/09/2014 às 14:24
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A derrota do Princesa eliminou o time do Brasileirão Série D
Leanderson Lima e Anderson Silva Manaus (AM)

Exatos dois meses. Este foi o tempo que durou a “aventura” do Princesa do Solimões no Campeonato Brasileiro da Série D.

O início da jornada foi no dia 20 de julho, quando o time da Terra da Ciranda foi derrotado para o Santos-AP, por 2 a 1, fora de casa. O mesmo Santos, dois meses depois, se encarregou de mandar Tubarão do Solimões para o necrotério em mais uma desventura do futebol amazonense que, ano após ano, segue sua sina de viver, eternamente, no porão do futebol brasileiro.

A derrota por 3 a 2, em casa, no último sábado, com direito a gol de goleiro, fez com que o time do interior sequer se classificasse para o mata-mata.

Para tentar explicar essa tragédia (mais essa, diga-se de passagem) o CRAQUE encarou o seu momento “C.S.I” em busca de respostas. O resultado desta “autópsia” você confere agora. 

O início

O Princesa começou o ano de forma promissora. Pelo menos manteve a base enquanto lutava pelo bicampeonato. Mas o time perdeu o título do Amazonense depois de uma goleada antológica – e cenas de pura selvageria – por 5 a 1.  E olha que o Tubarão seria campeão mesmo se perdesse de 2 a 0. O revés custou o pescoço do técnico Marquinhos Pitter.  

Mesmo sem ter nenhum acesso no currículo, o ex-jogador do Flamengo Charles Guerreiro foi eleito para assumir o time. Com passagens pela Tuna Luso, Remo e Paysandu, com o Papão ele conquistou o seu primeiro e único título até aqui, o de campeão paraense de 2010.

Vale lembrar que o treinador comandou o Papão na Série C de 2010 e perdeu a vaga na Série B ao ser eliminado pelo Salgueiro, de virada por 3 a 2, dentro do Curuzu. O episódio foi considerado um dos maiores vexames da história do clube. 

Aposta em Somália

O time do interior apostou alto em jogador que não vingou: Somália. Aos 37 ele marcou apenas dois gols e, definitivamente, não valeu o investimento. Ele se manteve como titular até a sexta rodada e, no final, perdeu a vaga para Nando. Quando um atacante consegue ser banco do Nando... É melhor se aposentar.

Contratações furadas

Charles Guerreiro pediu reforços e foi atendido. Recebeu sete jogadores de “confiança” dele. Do montante, Paulão, Magno, Flamel, Renato Medeiros e Lourinho, ou seja, cinco, não vingaram. Apenas o goleiro Paulo Wanzeler e o zagueiro Leandro Camilo seguiram até a última rodada como titulares. O goleirão, aliás, montou uma barreira no último gol do Santos-AP...

Remanescentes

A diretoria do clube também falhou ao insistir com jogadores que visivelmente não rendiam desde o Estadual e Copa do Brasil. Exemplos? Clayton He-Man e Deurick. Como lateral esquerdo He-Man é um excelente zagueiro. Atacar era algo difícil demais de fazer. Deurick foi expulso no jogo contra o Atlético-AC e o time tomou aquele “chocolate” 5 a 2. Difícil de engolir.

Estádio emprestado

Sem o Gilbertão, estádio onde a equipe era acostumada a pressionar o adversário e onde era praticamente imbatível, o clube de Manacapuru passou a mandar os jogos no estádio da Colina. A torcida pouco compareceu e, quando veio, não conseguiu reproduzir o clima do Gilbertão. O “fator casa” foi embora.

Queda de rendimento

Nas dez partidas realizadas pela Série D, o Princesa sempre apresentou dificuldades no que diz respeito ao rendimento físico. Charles Guerreiro montava o time jogando apenas na base da retranca, mesmo atuando em casa. Ou seja, faltou ao Princesa ousadia, faltou se impor. 

Falta de comunicação

A contratação do meia-atacante Roberto Dinamite foi um capítulo a mais na campanha do Princesa e mostrou a falta de interação da diretoria e comissão técnico. Charles foi indagado pela imprensa se conhecia o jogador recém contratado. Ele respondeu.  “Não conheço e nem sabia da contratação do atleta”. Como diria o finado Chacrinha: “quem não se comunica, se trumbica”. Já era o sinal de que nem todos falavam a mesma língua na Terra da Ciranda.

No saldo final, mais um ano jogado fora. O futebol amazonense continua no buraco, debaixo de sete palmos. Descanse em paz.

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