Quarta-feira, 04 de Agosto de 2021
Desafio

Aniversariante do dia, multimedalhista paraolímpico fala sobre a carreira na natação

O amazonense Jean Dias falou com a reportagem sobre o inicio no Rio de Janeiro e os desafios para conseguir manter a forma em plena pandemia



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23/02/2021 às 11:49

A data 23 fevereiro é conhecida como o dia mundial da ética. É a oportunidade para que a população reflita sobre a importância da integridade moral e o combate às desigualdades com práticas que busquem promover o melhor convívio social entre todos. E dentro do esporte, a ala que melhor representa todos esses aspectos é o desportista paraolímpico.

Abrindo espaço para um dos destaques da natação amazonense e aniversariante do dia, com 96 competições no currículo e multimedalhista, o atleta paraolímpico Jean Diaz, 46 anos, contou ao portal A Crítica sobre seus quase 25 anos de carreira e as barreiras que precisou enfrentar para conseguir de “braçada” superar o preconceito e construir uma trajetória de sucesso.



“Eu sou muito grato ao papai do céu, minha mãe, toda a minha família por ter me dado todo o apoio até este momento da minha vida. Pois eu sempre tive que lutar desde o meu nascimento, e hoje eu consegui chegar em um ponto de ser um dos melhores atletas do nosso estado, já estive na seleção brasileira, e eu sou muito grato por todo o suporte que recebi para chegar até aqui”, disse o paratleta.

Diagnosticado com paralisia cerebral ocasionado pela falta de oxigênio ao nascer, Jean conta que a sua paixão pelo esporte vem do berço, pois as suas “primeiras provas” já eram monitoradas pela sua mãe, a fisioterapeuta Maria Dias, que observou a aptidão do paratleta baré ainda em seu primeiro ano de vida.

“Minha mãe tem uma foto minha na antiga Guanabara, onde hoje é a Aquática Amazonas, ainda com um ano de idade e já nadando. Depois que eu cresci, aconteceu uma situação em que ela me apresentou um dos pacientes dela, que tinha um filho deficiente. Ele me chamou para fazer um teste na natação, na época, nós ainda estávamos morando no Rio de Janeiro, então ainda me prometeram que se eu passasse, seria federado pelo estado carioca, o que naquele tempo ainda aconteceu”, explicou.

Primeira competição

Após os testes em 1995, Jean finalmente teve a oportunidade de entrar na piscina pra valer em 1996, quando estava com 21 anos. Ainda no Rio de Janeiro e representando a equipe Sadef-RJ, o manauara conseguiu as medalhas de ouro nas provas: 50 metros nado borboleta, e nos 50 e 100 metros nado livre - a curiosidade na façanha, é que Jean nem era habituado com a prova de 50 metros, conseguindo chegar ao topo do pódio no regional mesmo sem essa familiaridade com a prova. No mesmo regional, o paratleta ainda conseguiu a prata nas provas: 200 metros nado medley e nos 100 metros nado costa.

“Conseguir chegar no topo em uma prova que não havia feito antes foi muito gratificante. Fiquei muito feliz por garantir uma medalha logo de cara, ainda mais sendo amazonense, sabendo como é a dificuldade que o nosso povo tem em conseguir apoio no esporte”, destacou.

 

Inspirações

Por conta do seu tratamento, Jean contou para a reportagem que precisou passar boa parte da sua juventude no Rio de Janeiro (1982 e 1996). E como todo brasileiro padrão escancarou sua paixão pelo futebol e ainda disse quem lhe motivou para seguir os passos na natação.

“Na época em que eu frequentava a Praia do Flamengo para jogar futebol, inclusive, essa é a minha segunda paixão, eu dizia que o meu sonho era conhecer o Ricardo Prato (medalhista olímpico pelo Brasil). Eu brinco que tinha ocasiões em que a minha mãe me procurava às 4 horas da manhã, e eu estava na frente da televisão assistindo uma prova de natação, principalmente se tinha o Ricardo. Meus familiares falam que o 'culpado' de eu ser nadador é justamente do Ricardo Prato, pois ele me motivou a ser tudo o que sou dentro do esporte, e eu sempre falo que a natação salvou a minha vida, se não fosse por ela, provavelmente hoje eu estaria com o papai de céu”, conta Jean.

Treinamento e família

Além da paralisia, Jean ainda sofre com asma, quadro que o coloca no grupo de risco da Covid-19. E sem acesso às academias e ginásios por conta do decreto governamental, o paratleta conta para a reportagem como tem feito para se manter em forma em tempos de pandemia.

“Eu treino de segunda a domingo em casa, eu pedi para o meu treinador fazer um treinamento para eu me manter em forma em casa. Eu ainda tenho a oportunidade de contar com a ajuda dos profissionais que trabalham com a minha mãe, então eu tenho material com elástico e tento me virar como posso, mesmo sendo muito difícil, pois é muito diferente da gente treinar dentro de uma academia”, revelou.

Jean concluiu que espera a revogação do decreto quando o estado estiver em condições para voltar para a academia e focar em futuras competições. O amazonense é casado com a professora Francisca Borges, com quem tem uma filha, Alice Dias, de oito anos.

Repórter de A Crítica

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