Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
Craque

Aos 48 anos, nadador amazonense completa maratona aquática de 30 km, em Manaus

Jefferson Mascarenhas participou do Rio Negro Challenge Amazônia e concluiu a prova em  7 horas,  35 minutos e 13 segundos



1.jpg Aos 48 anos, Jefferson Mascarenhas concluiu a prova em 7 horas, 35 minutos e 13 segundos
08/05/2015 às 20:02

Jefferson Mascarenhas, 48 anos, atleta, professor de educação física, técnico de natação e um homem determinado a superar desafios. Está na história do esporte amazonense como o nadador mais novo a vencer a travessia Almirante Tamandaré - uma das provas mais tradicionais do Estado. Em 1979, aos 13 anos e dois meses, ele participou pela segunda vez da disputa e chegou ao primeiro lugar, isso após ter apenas dois anos como atleta profissional.

No último sábado (2), ele foi o grande protagonista da Maratona Rio Negro Challenge Amazônia. Competindo ao lado de grandes maratonistas, o atleta veterano  surpreendeu ao completar a prova de 30 km em 7 horas,  35 minutos e 13 segundos.



Jefferson Mascarenhas foi o único amazonense a participar da competição e o último dos 18 nadadores a completar o percurso. Mas para um nadador vitorioso, determinado e acostumado com grandes desafios, isso é apenas um mero detalhe. “Desde o início meu objetivo era completar a prova e não chegar em primeiro lugar”, declarou o nadador.

Foram pouco mais de três meses de preparação para uma prova que nada tinha a ver com a sua especialidade. Jefferson é nadador dos 50 metros nado livre e também um recordista em títulos da Almirante Tamandaré (com percurso de 5 km e 10 km) - pela categoria máster ele já conquistou o primeiro lugar doze vezes, a última vez foi na edição do ano passado. Mas a vontade de viver novos momentos no rio Negro o fizeram, aos 48 anos, aceitar o contive para participar de uma prova de 30 km.

“Pierre Gadelha e Aristóteles Almeida me chamaram para participar do evento uns três meses antes da data da prova. E eu aceitei porque sou atleta e gosto de desafios. Mas confesso que, por conta da correria do meu dia a dia, não tive tempo para me dedicar inteiramente ao treinamento. Talvez, se tivesse treinado mais teria conseguido chegar na frente de alguém, mas fiquei satisfeito com o que aconteceu”, disse Mascarenhas.

O nadador revelou ainda que os 10 quilômetros últimos foram os mais difíceis. “Até os 20 km tive um ótimo desempenho e cheguei a ficar na frente de dois atletas, mas depois disso senti o desgaste e perdi e fôlego. Mas a certeza de que muitas pessoas estavam torcendo por mim me deu gás para continuar nadando”, contou o atleta que também falou sobre a emoção ao concluir a maratona: “Quando vi as pessoas torcendo por mim, os organizadores e todos que estavam na Ponta Negra me aplaudindo, fiquei muito emocionado e não consegui segurar as lágrimas”, completou Jefferson Mascarenhas, que durante a entrevista voltou a se emocionar.

Objetivo
Depois dos 30 km no rio Negro, Jefferson vai se preparar agora para conquistar uma medalha de ouro na maratona Rei e Rainha do Mar, no Rio de Janeiro.

Como começou a sua história com a natação?
Aprendi a nadar no igarapé do Mindu quando criança. Na época, os irmãos Talles Verçosa e Tamer Verçosa eram técnicos da equipe Guanabara e foram eles que me deram a primeira oportunidade. Após muita insistência, me chamaram para fazer um teste na equipe deles e por conta da minha vontade de ser um atleta resolveram me deixar fazer parte do grupo.

O que você tem a dizer sobre a natação amazonense atual, acredita que houve uma evolução?
Antigamente existia uma lacuna muito grande entre os nadadores do Norte e os de outras partes do Brasil. Na época em que eu participava de torneios nacionais, ao lado de Eulina Aquino, Eduardo Piccinini - que foi o maior nadador do Amazonas - competíamos de igual pra igual. No Troféu Brasil, de 1991, que reunia os melhores atletas do País, competi com o Gustavo Borges e conquistei o bronze. Mas depois dessa geração... abriu-se novamente uma lacuna e dessa vez muito maior. Hoje não temos atletas com bons índices, mas credito que isso logo vai mudar. A natação amazonense, além de patrocinadores, precisa se unir mais, se ajudar mais. Dirigentes, pais de atletas precisam estar juntos. Trabalhar individualmente é complicado, por isso nossas chances de chegar ao nível nacional serão maiores se trabalharmos coletivamente.


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