Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
LEMBRANÇAS

Após 46 anos, ex-zagueiro Valter Costa reecontra camisa que vestiu no Vivaldo Lima

Naquele 5 de abril de 1970, o ex-defensor do Rio Negro usava a camisa 13 do Time A amazonense e honrou as cores do Amazonas encarando feras como Rivelino, Jairzinho e Pelé



zagueiro.JPG História: grandes lembranças vieram à tona junto a camisa Amazonense (Foto: Denir Simplício)
23/05/2016 às 11:16

Já dizia o célebre Nelson Rodrigues: “Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata”. Não para o ex-zagueiro Valter Alves da Costa, 72, um dos jogadores da Seleção do Amazonas que enfrentou a maior Seleção Brasileira de todos os tempos, na inauguração do estádio Vivaldo Lima.

Naquele 5 de abril de 1970, o ex-defensor do Rio Negro usava a camisa 13 do Time A amazonense e honrou as cores do Amazonas encarando feras como Rivelino, Jairzinho e Pelé. Assim como tantas outras, aquela indumentária se perdeu no tempo e só restaram as lembranças dos tempos áureos do futebol baré.

O reencontro

“Resgatada” há dois anos no Sul do País, o CRAQUE promoveu o reencontro da camisa histórica com seu antigo dono, no mesmo local onde um dia foi o “Colosso do Norte”. Passados 46 anos do último encontro, o que não faltou foi emoção e belas recordações. “A emoção é muito grande. Não esperava rever essa camisa depois de tanto tempo. Também não sei como ela foi parar no Rio Grande do Sul. Não tínhamos o hábito de trocar camisas como fazem hoje. Mas estou muito feliz de poder estar aqui e relembrar daquele dia”, comentou emocionado o ex-jogador.

Campeão amazonense de 1973, com a extinta Rodoviária, Valter Costa recorda que entrou no duelo principal entre as seleções do Amazonas e Brasil quando os amazonenses já perdiam por 3 a 1. Costa entrou na vaga do companheiro de Galo, o zagueiro Maravilha, após levar uma “patada atômica” de Rivelino. “Entrei por volta dos 15 ou 20 minutos do segundo tempo. Devo ter jogado uns 30 minutos daquele jogo”, recorda o ex-defensor, lembrando que, logo de cara, teve de enfrentar um “furacão” pela frente.

“O primeiro que marquei foi o Jairzinho. Era um jogador forte e além do mais usava caneleira na frente e na parte de trás, na panturrilha. Você tocava nele era como se tocasse numa parede. Então você tinha de chegar junto. No primeiro lance eu fui e dei um carrinho nele que pegou grama, ele e a bola. Lembro que o Rivelino veio me xingando e colocou o dedo na minha cara, dizendo que eu não podia fazer aquilo, que eles iriam pra Copa. Então eu disse: quer dizer que eu vou ter de deixar ele passar toda vez? Aqui não!”, conta rindo o ex-jogador.

Atualmente Valter Costa mora no município de Iranduba, onde é motorista profissional. É pai de três filhos e vive há 22 anos com a companheira, Raimunda Sales da Costa. Mostrando saúde de ferro, ainda tem vigor para bater sua pelada nos fins de tarde com os amigos, onde mantém viva suas recordações.

Três perguntas

Valter Alves Costa, ex-zagueiro seleção do Amazonas

1. Além do lance com o Jairzinho, qual outra forte lembrança daquele jogo?

Quando entrei, fiz dupla com o Valdomiro. Ele chegou pra mim e disse: ‘vamos ver se esse negão vai fazer gol aqui’. O Pelé ainda não tinha marcado e a torcida gritando o nome dele. Foi quando ele pegou uma bola fora da área e chutou rasteiro no canto do goleiro Clóvis. Não deixou a gente nem chegar perto dele.

2. Houve alguma recomendação especial para enfrentar a Seleção Brasileira?

O João Bosco (radialista que comandou o time do Amazonas A) não era treinador profissional. Então ele não tinha a malícia de um treinador que já jogou bola e tudo mais. O que ele pediu foi que nós respeitássemos o adversário, que jogássemos com garra e honrássemos a camisa do Amazonas. E isso nós fizemos. Mas o time deles era totalmente superior ao nosso, tanto que foi 4 a 1.

3. O que o senhor acha que falta pro futebol local a voltar a brilhar como antes?

Falta mais respeito com as categorias de base do Amazonas. Sofro isso no Iranduba. Eles dão pouca condição aos garotos. Hoje é só correria e força de vontade, não existe uma preparação melhor pra esses garotos melhorarem a parte técnica.

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