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Esportes
Superação

Após ano afastado, Arnaldo Santos retorna aos trabalhos no Peladão

O mito da crônica esportiva amazonense, Arnaldo Santos fala sobre o seu retorno ao maior campeonato de peladas do mundo 14/09/2017 às 21:37
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(Foto: Antônio Lima)
Camila Leonel Manaus (AM)

Arnaldo Santos tem 79 anos, 56 de crônica esportiva, narrando os acontecimentos do esporte baré e 19 temporadas na coordenação do Peladão. Apesar do tempo e da experiência, o brilho no olhar não se perdeu ao falar sobre o futebol e sobre o maior campeonato de peladas do mundo. Após ser diagnosticado com câncer no pulmão no ano passado e ficar afastado por conta do tratamento, ele está de volta para a 45° edição do campeonato.

“Eu acho que se tirarem o Peladão de mim eu morro no outro dia. Eu posso até não morrer assim na matéria, mas morro dentro de mim porque o Peladão é essa chama viva que faz a gente vibrar”. 
Vibração que não vem apenas na bola rolando nos campos da capital amazonense para crianças, homens e mulheres, para Arnaldo, isso vai além do futebol. É o chamado “grito social” que transforma pessoas comuns em herois, anônimos em protagonistas, que movimenta comunidades e os bairros de Manaus. 

“Por trás disso existe um mundo social”, que inclui ações como o Sopão do Peladão, que acontece todo fim de ano, ações para mobilizar a doação de sangue, plantação de árvores, pensar o trabalho dos artistas de rua – tema da edição de 2017 – além de incentivar que pessoas tenham seus documentos como Carteira de Identidade e que crianças estejam na escola – um dos requisitos para participar do Peladinho.

Convidado pela diretoria da Rede Calderaro de Comunicação, Arnaldo Santos precisou aprender o que ele chama de “linguagem do Peladão” para administrar um campeonato que reúne tanta gente e nem sempre foi fácil. “A primeira rodada da minha administração foi um terror: mataram um jogador na parada de ônibus quando estava a caminho do jogo. No campo do SESI, um goleiro quebrou a clavícula e o presidente de um time morreu na estrada vindo pra cá de Presidente Figueiredo. Eu pensei ‘meu Deus do céu, onde que eu estou!?”, relembra. Muitos anos depois e com experiência a tarefa ficou mais fácil graças à disciplina e colaboração da equipe.

Superação

No ano passado, Arnaldo foi diagnosticado com câncer no pulmão e ficou afastado para tratar da saúde. Ainda passando por quimioterapia, ele diz que “não está sendo fácil”, mas que “graças a Deus e eu pude com os médicos me ajudando, com as orações das pessoas e com o destino dizendo ‘ainda não’ e agora estou aqui falando e falando”, relembrou garantindo que mesmo em processo de recuperação não deixou de acompanhar a final de 2016. “Eu vibrei ao ver a foto do estádio lotado e faz uma confissão”.

“Eu vou dizer uma coisa, eu nunca me esqueço que eu dei um telefonema e consegui falar com o Dissica Calderaro. E eu honestamente, eu fiz uma despedida. Pensei: pronto eu acho que o Peladão provou que a Arena é pequena para o Peladão, e mais do que isso, precisava uma arena com essa estrutura para abrigar o grito de louvor, de apreço e de liberdade que é o Peladão para seus aficionados . Eu dizia morro feliz, mas estou aqui graças às orações, todas essas vontades e abraços. Meu Deus do céu. Tenho amigos incríveis, pessoas humildes que vão lá e estão comigo”, finalizou.

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