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Esportes
INVENCÍVEL

Após correr de muletas, paratleta do AM faz campanha para comprar prótese

Após dar show de superação na Meia Maratona de Manaus Corrida Jovem Pan, o campeão mundial de jiu-jítsu paradesportivo Flávio Leonardo se divide na luta para adquirir a prótese e na preparação para tentar o bicampeonato em Abu Dahbi 30/10/2017 às 14:18 - Atualizado em 30/10/2017 às 14:30
Show ake
Depois de perder a perna em um acidente automobilístico, lutador de jiu-jitsu vai à luta e emociona a todos em sua estreia nas corridas de rua
Denir Simplício Manaus (AM)

“Nunca foi sorte. Sempre foi muito trabalho... e Deus na minha vida!”. A frase é de um jovem de 22 anos que mesmo sem uma das pernas provou que com força, foco e fé que nenhum obstáculo é intransponível. O paratleta Flávio Leonardo, 22, espantou a todos durante a Meia Maratona de Manaus Corrida Jovem, realizada no último domingo (22), ao completar o percurso de 6km da prova usando muletas.

Sem prótese adequada para participar da corrida, Flavinho, como é conhecido entre os amigos, superou o calor e a dor causada pelos calos na mão e deu um novo patamar à palavra superação. No entanto, a história do auxiliar administrativo teve muito mais dores antes da prova de domingo. Lutador de Jiu-Jitsu, Flavinho perdeu a perna em um acidente de trânsito há dois anos. Foram tempos difíceis, como ele mesmo recorda.

“Passei os três primeiros meses, após o acidente, em casa procurando apenas o apoio da família. Minha família foi essencial pra minha recuperação, minha mãe e meus irmãos sempre ficaram do meu lado, e Deus, que me deu força pra levantar”, recorda Flavinho relatando como era sua vida antes de perder a perna esquerda.

No último domingo ele comoveu o público presente na Corrida da Jovem Pan, ao percorrer 6km usando muletas (Foto: Jair Araújo)

“Antes de sofrer o acidente eu era um rapaz de 20 anos que estudava e trabalhava. E, como os outros jovens, saía, me divertia normalmente. Já praticava Jiu-Jitsu, só que apenas treinava como um hobbie, nunca tinha me dedicado a ser um atleta. Já havia ganho alguns campeonatos internos, mas nada importante”, comentou Flavinho revelando a reviravolta na própria vida.

“Veio o acidente. Sempre digo que minha vida de verdade começou após o acidente. Porque antes eu apenas existia, na verdade eu era como qualquer um outro. Hoje me vejo diferente das pessoas, não porque não tenho uma perna, mas me vejo diferente do que eu era antigamente. Mudei totalmente como ser humano depois do acidente”, disse.

Nasce um guereiro

Mostrando a força dos guerreiros, seis meses após o acidente Flavinho já estava de volta ao tatame. Daí em diante a vida do agora paratleta deu uma guinada. “No início desse ano aconteceu o primeiro campeonato mundial paradesportivo, em Abu Dahbi. Pra lá foram os primeiros paratletas do mundo de Jiu-Jitsu pra lutar. Lá, fui campeão na categoria Absoluto e trouxe duas medalhas de ouro pro Amazonas”, comemora Flavinho que está de malas prontas para novas “batalhas”.

Flavinho está em preparação pra tentar o bicampeonato em Abu Dahbi (Foto: Antônio Lima)

“Viajo dia 9 de novembro pro Rio de Janeiro pra lutar uma seletiva valendo vaga pra Abu Dahbi, onde pretendo tentar o bicampeonato. No Rio, preciso lutar três competições pra poder ganhar o ‘Free Pass’, com tudo pago pra Dubai. Minha batalha agora vai ser essa”, disse o lutador, que antes do acidente era faixa azul e pesava 110 quilos. Hoje, com 75 quilos, Flavinho é referência entre os companheiros da Academia Manfight, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul da capital.

Campanha pela prótese

Flavinho fez sua estreia nas corridas na Meia Maratona de Manaus e tomou gosto pelo esporte. Tanto que pretende disputar as próximas corridas na cidade. No entanto, ele precisa de uma prótese adequada para correr.

“A prótese que eu uso é pra uma pessoa com baixa mobilidade, como se fosse pra uma idade já avançada, que foi a que eu consegui comprar. Pra complicar ainda mais, eu estava treinando um dia e ela quebrou bem na articulação do pé”, lembra o lutador, que com ajuda dos amigos está fazendo uma rifa na tentativa de comprar o equipamento que precisa.

Com ajuda dos amigos, Flavinho faz rifa pra tentar comprar prótese (Fot: Antônio Lima)

“Conversei com uns amigos e a gente está trabalhando numa rifa. Essa prótese que estou tentando comprar serve pra correr também porque ela é específica pra esportista”, enfatizou o campeão.

O valor da prótese assusta, cerca de R$ 20 mil a mais em conta, mas Flavinho segue na luta, como o guerreiro que é.

Quem puder ajudar a campanha para a compra da prótese de Flavinho pode adquirir a rifa que está anunciada nas redes sociais do lutador. O paratleta também abriu uma conta especialmente para arrecadar fundos para essa finalidade: Banco Bradesco - Agência 3739-7 - Conta: 0042843-4, em nome de Flávio Leonardo Neves Ferreira.

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