Sábado, 18 de Setembro de 2021
Influência da Fadinha

Após prata de 'Fadinha' no Japão, skatistas de Manaus esperam novos investimentos e aquecimento do mercado

Representantes do setor já falam em uma maior procura pelo esporte desde o início das Olimpíadas



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26/07/2021 às 12:54

Com a conquista histórica da medalha de prata nas Olimpíadas 2020 da "Fadinha" Rayssa Leal, a atleta brasileira mais jovem a conquistar uma medalha olímpica, lojistas, treinadores e atletas do skate em Manaus, acreditam que o esporte tem tudo para crescer na capital.

Para o skatista e empreendedor amazonense, Cristiano Moraes, este é o melhor momento para o crescimento do esporte. Com a grande repercussão do skate profissional nas Olimpíadas em Tóquio, uma nova geração deve aderir a prática do esporte em Manaus.

"Sem dúvidas! Ela [Rayssa Leal] é um ícone, e ontem foi apresentada ao mundo mostrando a magia do skate para muitos pela primeira vez. Foi lindo, me emocionei algumas vezes e senti como se a medalha estivesse em meu peito, creio que muitos skatistas se sentiram dessa forma ao ver nosso esporte tão bem representado. O skate, em sua grande parte, é e continua sendo um esporte recreacional, as Olimpíadas irão marcar o desenvolvimento desse esporte para o alto rendimento. proporcionando melhores condições para quem deseja ser um skatista profissional", contou o empreendedor.

Cristiano Moraes, fundador da Libre Skate Park (projeto que ensina a prática de skate e patins em Manaus), já está percebendo uma maior procura para o aprendizado da modalidade desde que o começo das olimpíadas.

"Atualmente estamos com uma média de 40 alunos. E sim, [a maior procura] já está acontecendo! Após os dois primeiros dias de skate nas olimpíadas já estamos percebendo uma maior procura para o aprendizado da modalidade. Tudo isso contribui para o desenvolvimento do esporte na cidade", comentou Moraes.

As aulas da Libre Skate Park acontecem há pouco mais de dois anos, tendo sua pista própria há seis meses. O fundador da Libre conta que a escola está aberta a qualquer pessoa que se interesse em praticar o esporte, sem distinção de idade.

"Compartilhar felicidade esse foi e continua sendo o propósito da Libre, por se tratar de um esporte onde a probabilidade de cair são maiores entendemos a necessidade de formular uma metodologia para que os praticantes que vão aprender economizem tempo de aprendizado, ganhem segurança e se divirtam. Tudo isto foi criado através de uma carreira de 11 anos encima do skate, Cada aula é pensada e planejada respeitando os limites de cada um", ressaltou.

Aquecimento do mercado

Se por um lado cresce o interesse de pessoas no esporte, a procura de skates e produtos afins também pode crescer proporcionalmente. Segundo o skatista e empresário, Ewerton Almeida "Marreco", dono da Marreco Skate Shop, a expectativa é que mercado do esporte se aqueça da mesma forma que novos praticantes vão surgindo.

"Com o descobrimento do skate, o povo brasileiro e nós manauaras, vão enxergar o esporte como uma atividade muito interessante. Hoje, o skate é visto como uma atividade perigosa, pois é um esporte radical de alto impacto. É um esporte individual, mas você nunca está sozinho. Esperamos que o mercado do skate evolua, que as pessoas comprem skate, equipamentos de segurança e que pratiquem também. Não adianta só comprar, tem que praticar, ir para pista, treinar em casa", comentou o empresário.

Atuando desde 2017, a Marreco Skate Shop é a maior loja especializada no esporte em Manaus. Segundo Ewerton, que desde os 10 anos de idade pratica skate, o principal motivo de investir neste segmento é paixão que tem pelo esporte e o sonho de ver o skate manauara ser reconhecido internacionalmente.

"A nossa loja é especializada em skate, a gente não trabalha com outra coisa a não ser skate. É a maior loja especializada no esporte. Tudo o que atendemos está ligado ao Skate desde 2017. Oferecemos várias opções, formatos, cores, como também peças. O skate é composto pro seis peças. Trabalhamos nestes itens em várias categorias: iniciante, amador e profissional", descreveu Marreco.

Grandes talentos nas pistas

A capital amazonense possui cinco pistas dispersas em várias zonas de Manaus: a da Ponta Negra; no Parque do Mindu, no Prosamin do Morro da Liberdade, a "Pista do Formigueiro" no Parque da Juventude e mais recente Pista Ulysses Boca no Parque dos Bilhares, inaugurada com este nome em homenagem ao skatista amazonense Ulysses Boca, uma das vítimas da covid-19 no ano passado.

Para Marreco, Manaus possui ótimas pistas de skate onde transitam grandes talentos em ascensão. Porém, o esporte ainda carece de investimentos do poder público para fortalecer ainda mais o esporte na capital para representar o estado em campeonatos nacionais e internacionais.

"Em relação a pistas, estamos bem servidos acredito que o que falta neste momento é mais investimentos do poder público no que tange a eventos esportivos. Investimentos em 'escolinhas' públicas de skate. Encarar o skate como um esporte onde o brasileiro tem muito talento. É um esporte que hoje existem muitas pessoas que praticam na cidade. Mas, que pela capacidade que a cidade tem, ainda podem surgir novos talentos", ressaltou Marreco.

"A pista do Morro da Liberdade é um verdadeiro celeiro de talentos. Tem crianças lá que são do 'naipe' da Rayssa Leal. Tem crianças como o Fred, um garoto que começou há pouquíssimo tempo. Você também tem a Danny que já tem patrocínio. Ela já tem um link com a Confederação Brasileira de Skate. Mas ainda é preciso que o poder público descubra estes talentos e que faça investimentos. Há a necessidade do Amazonas exportar seus atletas, exportar seus skatistas para o Brasil e para o mundo. Já temos pessoas que por iniciativa própria vão buscar os grandes centros para se destacar. O que precisamos agora é apoio do poder público", acrescentou.

Este fator é reforçado também por Cristiano Moraes. Segundo o skatista não há investimentos públicos no esporte suficiente para divulgar os atletas locais.

 

"Sim, há falta de investimentos. Para melhor dizer, não existe investimento. O cenário do esporte quem movimenta são marcas, skateshops e skatistas locais. Não temos uma federação para fomentar o cenário, já tivemos. Mas hoje todas as iniciativas de movimentação são exclusiva de praticantes. Ouvi dizer que já estão tentando formular uma nova federação, ter um calendário anual com sua devida programação já irá ser de grande valia para um maior desenvolvimento", completou Moraes.



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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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