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Após vencer Arnold Classic Pro, Dany Castilho quer brilhar no Mr. Olympia

Fisiculturista amazonense conquistou vaga para participar do campeonato mais importante da modalidade, o Mr. Olympia, que acontece em setembro, em Las vegas. 15/03/2017 às 15:48
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Dany Castilho venceu a importante competição Arnold Classic Pro semana passada, nos EUA, e ganhou reconhecimento aqui e lá fora. (Aguilar/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

A amazonense Daniely Castilho, 34, está fazendo história no fisiculturismo. Com a conquista da primeira colocação na categoria Women’s Physique, no Arnold Classic Pro, ocorrido nos Estados Unidos, dia 3 de março, ela conquistou uma vaga para a competição mais importante do fisiculturismo profissional, o Mr. Olympia.

O Mr. Olympia acontecerá entre os dias 14 a 17 de setembro, em Las Vegas, também nos EUA. Diz-se que quem se habilita a participar desta competição está no auge da carreira, no topo. “É o desejo de todo atleta de fisiculturismo estar no Mr. Olympia. Eu já me sinto realizada como atleta, por ter sido qualificada”, disse Dany.

A fisiculturista é a primeira atleta do norte a competir como profissional na modalidade, e a primeira a conquistar competições importantes. Agora, ela só pensa no seu maior desafio até aqui, o Mr. Olympia. A atual campeã da sua categoria na competição também é brasileira: Juliana Malacarne, que venceu as últimas três edições. “Espero chegar perto do que ela é. Sei que a Juliana será a principal pessoa a bater na competição”, diz Dany.

Dany se dedicou por quase um ano para o Arnold Classic Pro e, agora, com o troféu nas mãos, ela está fazendo uma pausa para iniciar a preparação para o Mr. Olympia. “Estou tendo um merecido descanso para que eu possa recomeçar bem, com a mesma disposição de antes. No momento estou sem paciência para treino e dieta, e temos bastante tempo para nos preparar para o Mr. Olympia. Mas, mês que vem, já começo minha preparação, e vou me dedicar muito mais, para chegar às finais”, conta ela, determinada.

A primeira edição do Mr. Olympia, evento criado por Joe Weider, aconteceu em 1965. Um dos grandes vencedores foi Schwarzenegger, com sete títulos.

Arnold Classic Pro

Dany Castilho recebeu o troféu de campeã da categoria Women’s Physique das mãos do próprio Arnold Schwarzenegger, e disse: - Fiquei estática, ainda não tinha caído a ficha naquela hora!

Dany foi convidada a participar do Arnold Classic Pro, o segundo maior show do fisiculturismo profissional, por causa dos seus grandes resultados. “Aceitei o convite, me preparei durante nove meses para competir, e deu certo, porque normalmente uma preparação dura três meses, mas nós fizemos um trabalho longo porque eu precisava melhorar muita coisa, pois, apesar de eu estar no padrão da categoria, tinha que melhorar ombro, braço e definição muscular”, disse Dany.

A fisiculturista competiu com mais de trinta atletas, e venceu a segunda colocada, Sheronica Henton, por apenas um ponto de diferença. “Pensávamos que seria quase impossível ganhar, porque não tenho patrocínio forte, sou brasileira e não era conhecida lá, então, o plano feito com meu preparador era ir lá para fazer meu marketing como atleta e abrir portas para mim lá fora, então queria ficar entre as 10 colocadas”, disse ela.

Os quase 25 mil seguidores que Dany Castilho tem no Instagram estavam acompanhando a atleta no Arnold Pro. “Estava todo mundo na torcida. Nem imaginava, porque não foi televisionado, passou por um link na internet, e as pessoas acompanharam, tanto que quando terminou, eu comecei a receber fotos e vídeos, e tem sido bem legal”, afirma ela.

Trajetória de Dany no fisiculturismo

Dany começou a frequentar academia para acompanhar sua mãe nos treinos. (Foto:Aguilar/Acrítica)

Dany Castilho é campeã mundial, acaba de vencer o Arnold Classic Pro, e está qualificada para o Mr. Olympia. E o mais incrível é que ela conquistou tudo isso em apenas dois anos no esporte.

Dany conta como entrou para o mundo do fisiculturismo. “Eu nunca tinha pensado em competir, mas sempre gostei muito de academia. Desde bem nova, eu frequentava academia, nem podia treinar ainda, mas acompanhava a minha mãe porque meu pai era ciumento e não a deixava ir para a academia sozinha” relembra. Quando cresceu, Dany não demorou a iniciar seus treinos. “Logo que pude, comecei a fazer exercícios, e sempre estive nesse ambiente, sempre fui preocupada com o que eu comia, mas foi só em 2015 que comecei a competir, porque meu personal falou para mim: - Dany, metade do esforço você já faz, pois treina, faz dieta, então vamos fazer uma preparação para você tentar competir, pois você já tem o físico, o esforço, só falta subir no palco”, e foi assim que ela seguiu para as competições.

Para competir, Dany conta que foi um processo de preparação do seu corpo. “Em 2014, eu e meu personal arrumamos meu físico para ver em qual categoria ele se enquadrava mais”, e na categoria Women’s physique, a fisiculturista logo se destacou, ao vencer sua primeira competição ainda como amadora: o campeonato brasileiro, em Brasília, em 2015. Com a vitória, a atleta conquistou vaga para o mundial da modalidade na Hungria e, na terra húngara, foi a vez de ela ser campeã do mundo. “Lá eu ganhei na minha categoria e no ‘over all’, ou seja, fui a melhor de todas as categorias”, conta Dany.

Após a vitória, a atleta teve a opção de se tornar profissional e aceitou. “é o que todo mundo quer, e eu já não tinha mais o que competir”, relembra. Sua primeira competição na nova categoria aconteceu em Porto Rico, onde ela ficou em quinto lugar. “Competir com profissionais é totalmente diferente, pois são atletas com muita maturidade muscular que participam dessas competições”, ressalta Dany.

Após Porto Rico, a atleta descansou um mês para reiniciar os treinos, visando o Arnold Classic Pro. E com sua dedicação para a competição, Dany conquistou o título e a vaga para o Mr. Olympia.

Três perguntas para Dany Castilho

  1. Como é a preparação do corpo na semana da competição, e como foram os bastidores do Arnold Classic Pro?

Dizemos que é nessa semana que a mágica acontece, fico com restrição total a sal, carboidrato, e até à água e, com isso, o corpo muda muito. E na competição, foi tudo muito diferente, lá eles tem uma academia para o atleta se preparar para entrar no palco, eles dão uma estrutura para o atleta, fica sempre alguém perguntando se você precisa de alguma coisa, então, cada passo que eu dei ali foi novo para mim”, ressalta.

  1. Você tem o corpo bem diferente da maioria das mulheres brasileiras. Como você se sente, como é a atitude das pessoas com você, o que elas te dizem?

As pessoas hoje me admiram, mas é diferente, né? Nos EUA, o esporte é como o futebol no Brasil, as pessoas tem os competidores como ícones; aqui no Brasil não. Melhorou, eu não sofro tanto preconceito, acho que as pessoas conseguem entender o que eu busco com o esporte, e trato todo mundo bem, mas você percebe que as pessoas não estão acostumadas, afinal, eu tenho mais braço que muito homem, e isso é chocante para alguns, mas eu estou abrindo portas para o esporte.

  1. Você mostrou na internet que estava adorando tudo nos Estados Unidos. Você tem planos de ir morar lá?

Tenho essa vontade sim, porque gostaria de viver do esporte, e aqui ainda não tenho essa possibilidade. Mas lá, é tudo muito bem estruturado, então eu preciso conseguir o patrocínio de uma empresa dos Estados Unidos, para que eu possa competir lá e ter meu visto de atleta, porque aqui no Brasil é muito mais difícil. Mas, por enquanto, eu não tenho como fazer isso porque aqui, apesar de tudo, tenho vários apoios de técnicos, academias, suplementos, e da Sejel com as passagens. Lá tenho que conseguir isso primeiramente.

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