Sábado, 17 de Agosto de 2019
MUNDOS DISTINTOS

Aposentadas, Rosana e Francielle falam das dificuldades da Seleção feminina

As campeãs com a camisa da seleção brasileira criticaram a troca da antiga treinadora, pediram o fim das cinco estrelas no uniforme feminino e disseram esperar mais da CBF



20190704141053452969e_34674C73-D2F7-46B4-BBB3-67482DF1E2AC.jpg Foto: Reprodução/Internet
15/07/2019 às 18:27

A carreira de uma jogadora de futebol feminino enfrenta diversas dificuldades, especialmente no Brasil, que resultam inclusive na longevidade da carreira das atletas. Após passarem a vida defendendo as cores do Brasil, as ex-jogadoras Rosana e Francielle comentaram, em entrevista à Betway Esportes, os motivos das aposentadorias e teceram críticas ao atual modelo da seleção feminina e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

“Pelo que eu fiz por nosso país, acho que merecia um reconhecimento muito maior”, diz Rosana, aposentada ao final da temporada de 2018. Durante sua carreira, disputou inúmeros campeonatos internacionais e ganhou diversos, entre eles duas medalhas de prata olímpicas.

Já Francielle, de 29 anos, também aposentada, pensava em chegar até os 30 jogando futebol, mas decidiu parar antes. Segundo ela, a decisão teve influência da questão psicológica. “Essa pressão de no futebol feminino sempre ter de procurar mais, mais e mais, e nem sempre ter o resultado esperado”, comenta.

Vencedora da medalha de prata nas olimpíadas de Pequim, em 2008, Francielle até hoje não gosta de falar da CBF. “Espero mais, sempre, da CBF. Em todos os sentidos. Eles sempre podem dar mais pelo futebol feminino”, diz ela, sem comentar as competições de base e as duas séries de Campeonato Brasileiro Feminino.  

Um pingo de esperança

Para Rosana, a edição de 2007 dos jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro, foi o momento onde ela viu uma 'última esperança' de que o futebol feminino pudesse decolar no Brasil. “Você entra no Maracanã lotado, com 70 mil pessoas apoiando o futebol feminino... Foi um momento que achei que o esporte iria evoluir a largos passos, mas não aconteceu”, lamenta.

As duas jogadoras fizeram parte, em 2017, de um protesto de 24 jogadoras contra a demissão de Emily Souza, antiga treinadora da seleção. No lugar dela, Vadão foi selecionado para o comando. Para Francielle, o momento não era o mais indicado para mudanças. “Era cedo para falar, mas estava sendo feito um trabalho e ele foi interrompido”, comentou, ao classificar as ideias de Vadão como ‘ultrapassadas’.

O episódio do protesto fez com que as duas jogadoras anunciassem a aposentadoria da seleção e, mais tarde, o fim da carreira nos gramados.

Autenticidade

A diferenciação da seleção feminina para a masculina passa por alguns detalhes. Para as jogadoras, um ponto se destaca: o uniforme utilizado pela seleção feminina é o mesmo utilizado pela masculina, inclusive com as cinco estrelas que representam os cinco títulos mundiais do Brasil na Copa do Mundo.

“Não deve ser a mesma. Cada um com suas conquistas. Não precisa ter cinco estrelas no peito só pra falar que tem. Não são nossas!”, diz Francielle. Rosana concorda e é otimista: “Tenho certeza que fazendo um trabalho de longo prazo, a gente também vai encher aquela camisa de estrelinha.”

Apesar dos problemas, Rosana e Francielle elogiaram a transmissão em tv aberta da Copa do Mundo de futebol feminino realizada em 2019, na França. O Brasil foi eliminado pelas anfitriãs nas oitavas de final. “Dessa vez, estou mais esperançosa. É um movimento diferente, uma projeção que não tem volta mais”, concordaram.

As duas jogadoras, após a aposentadoria, agora assistem outras lendas como Formiga, Crisitane e Marta se aproximarem do fim da carreira e do momento de deixarem os gramados, torcendo para que elas não sofram a mesma indiferença que viveram na pele.

Confira o vídeo da entrevista

 

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