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ARENA

Arena da Amazônia completa 4 anos entre sonhos e dura realidade do futebol local

Palco da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o governo tem dificuldade para ter renda compatível com gastos de manutenção 09/03/2018 às 14:25 - Atualizado em 09/03/2018 às 14:45
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Foto: Arquivo A Crítica
Camila Leonel Manaus (AM)

Há 4 anos, a Arena da Amazônia fazia seu jogo inaugural colocando frente a frente Nacional e Remo, pela Copa Verde. A partida reuniu 20 mil pessoas que ficaram impressionadas com a estrutura moderna construída no meio da floresta amazônica. Porém mais do que o fascínio, a Arena da Amazônia Vivaldo Lima representava a esperança de novos dias para o futebol no Amazonas. Quatro anos depois daquele 9 de março de 2014, o estádio teve seus momentos de sonhos, mas ainda está imerso em uma realidade nada animadora. O Colosso do Norte - como era chamado o antigo Vivaldão - hoje recebe um apelido bem menos imponente e até irônico: o de elefante branco.

 A Arena recebeu jogos de Copa do Mundo: três no total e as partidas entre Itália e Inglaterra, Estados Unidos e Portugal, Honduras e Suíça mostraram que o estádio teria potencial. O primeiro recorde de público foi no terceiro jogo com 40.322  presentes. No fim de 2014, o estádio recebeu dois jogos do Botafogo: contra Corinthians e Flamengo e depois um Flamengo e Vitória. Recebeu torneios de pré-temporada que trouxeram para cá Flamengo, Vasco e São Paulo. Dois anos depois, foi palco de uma final de Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca entre Vasco e Fluminense e uma semana depois, o estádio teve seu recorde de público quebrado em um Vasco e Flamengo que levou 44.419 pessoas à Arena.

O estádio também fez bonito quando a Seleção Brasileira passou aqui. Em quatro anos foram um jogo da seleção principal contra a Colômbia pelas Eliminatórias, em 2016, um Torneio de Seleções Feminino, Amistoso da Seleção Feminina e dois amistosos da Seleção Olímpica. Em 2016, Manaus voltou a receber um grande evento ao sediar seis jogos de futebol das Olimpíadas: dois na categoria feminina e quatro na categoria masculina.

Porém, se nos jogos dos times de fora a Arena reuniu grandes públicos e quebrou recordes, o mesmo sucesso não teve os jogos de equipes locais seja em partidas do Campeonato Estadual, ou na Copa Verde e Série D do Brasileiro. A exceção neste caso é o Iranduba, que conseguiu levar grandes públicos à Arena. Foram 25.371 presentes na semifinal do Campeonato Brasileiro no ano passado. Nas quartas, contra o Flamengo, 15 mil pessoas compareceram. Até o time sub-20 do Hulk conseguiu a façanha de levar 17 mil pessoas para a acompanhar a final da Liga Nacional Sub-20, onde o time amazonense faturou o vice-campeonato.

No ano passado, outro baque para o estádio: a CBF vetou a venda de mando de campo para outros estados, algo que afetou diretamente a Arena. Com os baixos públicos nos campeonato locais e sem a resolução da CBF, o estádio, que por mês custa  R$ 768.691,07  voltou a ter dificuldades em operar as suas contas. 

A situação não foi pior porque vendida desde o seu projeto como uma Arena Multiuso, o estádio recebeu shows, bazares, festivais e até uma colação de grau de 2 mil estudantes. De acordo com a Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) em 2017, o estádio arrecadou R$ 987.520,23. Deste montante, R$ 439.797,08 foram arrecadados nos últimos três meses, já sob a administração da secretária Janaina Chagas, o que representa aproximadamente 44% do total. Em menos de 100 dias à frente da pasta, a nova gestão diz ter recebido 21 eventos no estádio com  um público de 275 mil pessoas. De acordo com a secretária, Janaína Chagas, a pasta tem pensado em estratégias para aumentar essa arrecadação.

“Já temos algumas soluções que foram implantadas ano passado. A primeira delas é que os promotores de eventos, que optaram pela Arena da Amazônia, a partir de agora alugam geradores de energia, assim conseguiremos diminuir o custo com energia elétrica drasticamente. Também pretendemos arrecadar com eventos realizados na Arena em torno de 30% a mais do que conseguimos em 2017.  Até o momento temos cerca de 7 eventos por mês, que juntos correspondem o total de 86 eventos agendados até dezembro 2018. Dentre eles, temos shows, festivais gastronômicos, jogos profissionais e amadores, palestras, congressos técnicos de federações estaduais, eventos corporativos, reuniões de times, federações, ONGS, etc", explicou.

Uma  Arena dos ‘forasteiros’

A Arena é da Amazônia, mas são jogadores de fora que detém marcas importantes na Arena da Amazônia. O primeiro gol, por exemplo, foi marcado por um jogador do Remo, mas que é mineiro: Max Lellys. O primeiro gol de um amazonense saiu mais de um ano após a inauguração do estádio na final do Campeonato Amazonense. O tento foi marcado por Alessandro Libório, o Nando, no dia 20 de junho de 2015. A primeira mulher a marcar um gol na Arena foi a atacante Nathane Faben, que é do Espírito Santo e atuava com a camisa do Iranduba.

O gol mais rápido da Arena também não veio de um jogador baré.  Russo, do Rio Branco marcou um gol com um minuto de partida na Série D do Campeonato Brasileiro. A marca foi superada por Ciro, do Remo que fez aos 47 segundos de partida na Taça Leão Forte da Amazônia, jogo promovido pelo Nacional. 

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