Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Craque

Arena da Amazônia foi o estádio de Copa do Mundo que menos recebeu jogos oficiais em 2015

Com status de maior ‘elefante branco’ do País, ao lado do Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, o palco do Mundial em Manaus recebeu apenas cinco jogos neste ano - contra 35 da Arena Pantanal, por exemplo



1.jpg Os equipamentos pesados já estão sendo desmobilizados do pódio

O “fantasma” de se transformar em um estádio com pouca utilização (o popular “elefante branco”), paira sobre a Arena da Amazônia desde que o estádio começou a ser construído. Em pouco mais de um ano de existência, o palco que recebeu quatro jogos da Copa do Mundo e custou R$ 669,5 milhões, já começa a apresentar resultados bem preocupantes. Em 2015, apenas cinco jogos foram realizados no local, sendo quatro amistosos (três pelo Super Series, em janeiro e o  ‘Amigos do Delmo x Amigos do José Aldo’, no mês de fevereiro).

O confronto Nacional 1 x 1 Vilhena, no dia 22 de fevereiro, pela Copa Verde, foi a única partida válida por um campeonato de futebol realizada no local em 2015. Sendo assim, a Arena da Amazônia foi, entre os estádios constuídos para a Copa do Mundo, a menos utilizada por jogos oficiais do Brasil nesta temporada. E se depender das perspectivas para os próximos meses, a praça esportiva tem grandes chances de terminar o ano como “maior elefante branco do Brasil”.

O MANAUS HOJE, veículo que integra a Rede Calderaro de Comunicação (RCC), levantou dados sobre as utilizações das outras 11 Arenas espalhadas pelo Brasil. Com um desempenho levemente superior ao do palco amazonense, o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, é a segunda arena menos utilizada do país neste ano. Lá, também só foram realizados cinco jogos.

Entretanto, três deles, oficiais: Gama 3 x 0 Brasília, Brasília 0 x 1 Gama (ambas pelas finais do Campeonato Estadual do DF), além do jogo decisivo do torneio feminino de futebol do Distrito Federal, entre Cresspom e Minas/Icesp. No próximo domingo, quando receber o duelo entre Atlético-MG e Fluminense, pela série A do Brasileirão, o Mané Garrincha ultrapassará a Arena da Amazônia no número total de partidas na temporada.

Ainda existe a expectativa de que o estádio Nacional atraia algumas partidas envolvendo grandes clubes do Brasil (no ano passado, 6 jogos da série A e dois da segunda divisão aconteceram na capital do país). Apesar disto, assim como no Amazonas, o Distrito Federal possui apenas um time na série D (Gama) e que só deve mandar jogos no Mané se chegar às fases finais da competição.

Larga vantagem

Todos as outras dez arenas construídas para a Copa já receberam pelo menos 10 partidas neste ano. Vale ressaltar que em todos os Estados envolvidos (Rio, São Paulo, Minas, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio G. do Norte, Mato Grosso, Bahia e Ceará), há pelo menos um clube disputando as séries A, B ou C do futebol brasileiro. Isso garante os estádios serão utilizados em no mínimo mais dez jogos até o fim do ano.


O destaque até o momento fica por conta da Arena Pantanal, em Cuiabá. O local já recebeu 35 partidas neste ano e foi a mais utilizada do país. A solução encontrada pelos mato-grossensses foi a de programar rodadas duplas do Campeonato Estadual no estádio. A Arena Pantanal, ao lado da Arena das Dunas e os já citados estádios de Manaus e Brasília, sempre foram apontados como os principais candidatos a virarem “elefantes” após a Copa.

Naça deve utilizar a Colina no segundo semestre

Os altos custos operacionais cobrados para a realização de jogos na Arena da Amazônia afastaram as  partidas de clubes amazonenses do estádio. Oito jogos do Campeonato Estadual chegaram até a ser programados para o local, mas, foram transferidos para outras praças. Apenas a final do Barezão, agendada para o dia 20 de junho, deve acontecer na Arena, em uma rodada dupla com os masters de Flamengo e Vasco. 

Para jogos de futebol, o valor cobrado para utilizar a Arena é de 10% da renda da bilheteria. A cobrança é a mesma caso uma equipe queira utilizar apenas um setor do estádio. O clube mandante ainda precisa arcar com o quadro móvel, segurança e outras taxas, o que acaba encarecendo o custo do jogo. No duelo com o Vilhena, em fevereiro, o Nacional teve uma despesa de R$ 46.979 e usou apenas o anel inferior.

Para qualquer outro tipo de evento, o aluguel é de R$ 160 mil. A FVO não informou o custo de manutenção apenas da Arena. Segundo a Fundação, o Governo desembolsa R$ 780 mil por mês para a conservação e limpeza dos sete complexos administrados pela FVO, onde está inclusa, a Arena.

Único clube amazonense com calendário garantido até o final do ano, o Nacional já desistiu de mandar partidas pela Copa Verde e da Copa do Brasil no estádio  Para a série D, o Leão da Vila Municipal deve utilizar a Colina. “Os altos custos relacionados a quadro móvel e segurança inviabilizaram nossos jogos de Copa do Brasil (contra o Bahia) e Copa Verde (contra o Paysandu) na Arena. Para a Série D, a Colina segue como opção mais viável em face desse problema pois os jogos demandam custos altos”, explicou Mário Cortez, presidente do Nacional.

Ele, no entanto, reforçou que o Naça ainda pode utilizar o estádio nesta temporada. “Não descartamos o estádio. Para nós o ideal seria mesmo jogar na Arena da Amazônia. Nós faremos os jogos no estádio se conseguirmos viabilizar esses custos. O que mais ‘pega’ é isso”, destaca o dirigente-empresário azulino.

3 perguntas para: Aly Almeida, diretor-presidente da Fundação Vila Olímpica (FVO), administradora da Arena da Amazônia

1 - Qual a sua opinião sobre o fato da Arena ser a menos utilizadas do País para jogos oficiais?

A Arena da Amazônia está aberta. Os clubes locais preferem demandar os jogos em estádios menores, por conta dos custos. A Colina e o Carlos Zamith também são legados deixados pela Copa e tem sido a opção oferecida pelo Governo aos clubes amazonenses.

2 - O Governo do Estado está disposto a investir dinheiro público para trazer jogos para a Arena da Amazônia ou é preferível esperar pela iniciativa privada?

Não, pois não é escopo da Fundação Vila Olímpica trabalhar como promotora de eventos, principalmente neste momento em que medidas de austeridade estão sendo tomadas para diminuir os impactos da crise econômica em todo o Brasil. Por isso preferimos alugar o local para eventos privados.

3 - O senhor já comentou em diversas entrevistas que Manaus é bastante procurada para sediar jogos na Arena da Amazônia. Mas, porque existe tanta especulação e poucos jogos sendo realizados até o momento?

Há uma série de fatores a considerar e o principal deles é que são promovidos e organizados por empresas privadas, que negociam este eventos diretamente com os times, CBF, patrocinadores, transmissão etc. e não pelo Governo do Estado. Todos os pedidos que recebemos foram para partidas a partir de junho, e estamos aguardando os promotores para contratação.



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