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Esportes
INACREDITÁVEL

Arenas sem uso, população sem lazer: legado da Rio 2016 é colocado em xeque

Problemas financeiros, falta de interesse da iniciativa privada e atraso no planejamento, o que reforça as críticas e dúvidas sobre o prometido legado da primeira Olimpíada na América do Sul 08/02/2017 às 18:48
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Reuters

Arenas que custaram centenas de milhões de reais e uma área de lazer prometida à população de uma região pobre estão fechadas ao público desde o fim dos Jogos Rio 2016 devido a problemas financeiros, falta de interesse da iniciativa privada e atraso no planejamento, o que reforça as críticas e dúvidas sobre o prometido legado da primeira Olimpíada na América do Sul.

Ginásios que foram projetados para serem transformados em escolas após os Jogos ainda estão em desmontagem e permanecem sem utilização, assim como um novo velódromo, que apesar de não receber ciclistas conta com o ar condicionado ligado de forma ininterrupta para a preservação da cara pista de madeira.

No Parque Aquático, as piscinas temporárias foram removidas para serem instaladas em outros locais, mas as crateras onde estavam permaneceram abertas, acumulando água suja, um risco em uma região com histórico de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

"Sem dúvida que causa um desconforto aquela sensação de que um parque bonito desse, que a gente viu há tão pouco tempo, não estar sendo utilizado como nós todos gostaríamos, atletas, comunidade esportiva e população", reconheceu a subsecretária de Esportes da Prefeitura do Rio, Patrícia Amorim, acrescentando que está trabalhando para reverter a situação.

Segundo ela, a troca de governo municipal na virada do ano e o fracasso no plano da gestão anterior de repassar o Parque Olímpico da Barra à iniciativa privada por falta de interessados foram fatores decisivos para o problema, além do "momento muito complicado no país" no tocante à questão de recursos.

"Nesse momento todo o nosso esforço são os estudos de viabilidade financeira", disse a ex-nadadora olímpica em entrevista à Reuters durante visita ao parque.

Ela ressaltou que está trabalhando para que em um curto espaço de tempo o local volte a estar à disposição da população, conforme prometido no plano de legado da candidatura da cidade para receber a Olimpíada.

Desde o fim dos Jogos, o Parque Olímpico não havia recebido um evento esportivo sequer nas novas arenas até o último fim de semana, quando o Centro Olímpico de Tênis foi palco de um jogo de vôlei de praia --sob duras críticas de tenistas que lamentaram o despejo de toneladas de areia sobre a quadra. 

"É patético você ver que já que está fechado, é melhor ter areia do que não ter nada. É patético você ter uma quadra de tênis lá e não ser usada para tênis seis meses depois dos Jogos", disse à Reuters o ex-tenista Fernando Meligeni, 4º colocado na Olimpíada de Atlanta 1996 e crítico da gestão esportiva no país.

"No momento em que você faz uma Olimpíada e coloca de pé tantas arenas na mesma cidade você tem que se preparar. É inaceitável você acabar uma Olimpíada e não ter ninguém preparado para assumir um legado desses", acrescentou.

A falta de utilização após a Olimpíada se repete até no Maracanã. Uma disputa entre o governo estadual, o comitê organizador Rio 2016 e a concessionária responsável pelo estádio resultou em abandono do local, que recentemente teve o fornecimento de luz cortado durante alguns dias por falta de pagamento e foi até alvo de furtos.

Ícone mundial e principal estádio de futebol do país, o Maracanã praticamente não recebeu jogos desde a final olímpica em que o Brasil conquistou a inédita medalha de ouro.

O custo da reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos de 2016 supera 1 bilhão de reais, além dos mais de 1,2 bilhão de reais de recursos federais gastos no Parque Olímpico, despertando preocupações com a destinação desse dinheiro.

"A grande preocupação nossa é o legado, como ficará o legado com relação às arenas para não se transformarem em elefantes brancos", disse o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes após visitar arenas da cidade.

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