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Atleta amazonense dá exemplo de superação e sonha com uma vaga na Paralimpíada em 2016

Com força de vontade e dedicação, o amazonense Simplício Campos superou a perda do braço direito, aprendeu a nadar e, após títulos nacionais, vai tentar a sonhada vaga na Paralimpíada do Rio  28/10/2015 às 12:10
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Simplício Campos tenta conseguir uma vaga nos Jogos Paralímpicos de 2016. Ele já é, no entanto, um vencedor na vida
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Enquanto alguns reclamam da vida a todo momento, outras pessoas como o paratleta Simplício Augusto de Menezes Campos, 29, não tiveram outra opção a não ser se superar e dar a volta por cima. Nadador da categoria classe 8, ele disputa os quatro estilos da modalidade e se especializou na prova de peito, mesmo não tendo - acredite se quiser - o braço esquerdo, amputado após um acidente automobilístico.

Simplício perdeu o braço esquerdo após sofrer um capotamento quando estava no banco do passageiros de um veículo em setembro de 2005, quando tinha 18 anos. Foi após o acidente que ele conheceu o esporte, a partir de uma visita que o professor de Educação Física e revelador de talentos do paradesporto amazonense, Joaquim Filho, fez ao hospital em que Simplício estava internado.

“Quando eu estava no hospital tratando do acidente o treinador Joaquim Filho, que havia ido fazer uma consulta, me observou e convidou para nadar com ele e conhecer o esporte paralímpico, do qual eu nem ouvia falar. Eu já sabia nadar, mas foi uma surpresa o convite porquê não passava pela minha cabeça de entrar para a natação. meu esporte era o trabalho”, conta ele. No entanto, só após 1 ano do convite de Joaquim Filho que o futuro atleta procurou o professor.

“Um ano depois fui demitido da gráfica na qual eu trabalhava. Aí fui falar com o Joaquim e passei a, depois de algum tempo, competir na modalidade”. O começo não foi difícil, diz ele, explicando como faz para nadar com um braço.

“No começo não teve dificuldade, pois a técnica é a mesma dos outros nadadores com dois braços. No entanto, eu intensifico mais a pernada. E é aí que a academia é importante na parte de fortalecimento das pernas. Faço bastante esse tipo de exercício na academia e na piscina. E utilizo a prancha para fazer a pernada”, ensina o paratleta de 78 quilos e 1m76 de altura, que treina no Clube Fazendário (rua Mário Ypiranga, em Adrianópolis), na Academia Amazon Fit e que tem como técnico o profissional Leandro Batista Freire.

O início

Sua primeira competição pra valer foi em abril de 2007 em Belém, pelo Campeonato Norte-Nordeste quando ganhou a medalha de prata nos 100m peito e depois bronze nos 50m e 100m livre. Já em abril de 2010 foi campeão Brasileiro nos 100m borboleta e 100m peito.

Uma das suas principais conquistas ocorreu ano passado em São Paulo, quando ele foi bronze no Open Internacional (que lhe garantiu receber o Bolsa Atleta do Governo Federal). Ele repetiu o bronze neste ano pela mesma competição. E no último dia 25 de setembro ele disputou os Jogos das Indústrias do Amazonas e ficou em 3º lugar competindo em meio a atletas não-deficientes. Atualmente, figura como 3º do ranking nacional nos 100m peito e com chances reais de disputar os Jogos Paralímpicos de 2016.

“O índice nos 100m peito é 1min18s e estou treinando para baixar o meu tempo, que é 1min29s. No entanto, preciso de mais tempo para me dedicar só ao esporte, o que eu não tenho, pois divido a atenção com o meu trabalho na Petrobras, onde atuo como técnico de controle de suprimentos”, diz ele.

Cinco perguntas para

Simplício Augusto de M. Campos, Nadador paratleta

Qual a mensagem que você deixa para quem teve um problema semelhante ao seu?

Que pratique esportes. No Amazonas há diversas modalidades, como atletismo, natação, basquete em cadeira de rodas, tênis de mesa, etc.

Qual sua próxima competição?

Pretendo disputar o Circuito Caixa de Natação em São Paulo, de 6 a 8 de novembro. No entanto, ainda não garanti a passagem aérea. Eu aguardava do Governo do Estado, mas nada até agora. Para o Open Internacional eu tive que comprar com o dinheiro do Bolsa Atleta do Governo Federal. Só me pagaram 4 parcelas até agora.

Me fale das chances para as Paralimpíadas.

A Olimpíada é uma possibilidade real. Antes era meio difícil, mas hoje estou mais perto de participar, motivado e bem fisicamente. Só preciso de mais tempo para treinar.

Como é a sua rotina diária?

Trabalho na Petrobras de 8h às 17h30, e de lá vou para o treino de 18h às 20h30 no Fazendário Clube. Saio de lá direto para a academia Amazon Fit, na avenida Djalma Batista, até 21h30. É corrido, e tenho que ser rápido. Ainda bem que eu tenho carro.

E você próprio dirige seu veículo?

Sim.

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