Domingo, 26 de Setembro de 2021
SUPERAÇÃO

Atleta dá a volta por cima com recomeço nos campos pelo Clipper

Após perder a esposa para a COVID-19, o meia-atacante Claudinei fala de recomeço vestindo a camisa do Clipper, na Série B do Barezão



36add6fc-ff43-4ce9-8a49-872af4c561b7_7ED87424-0130-45BD-AFAE-B982B6FCBF97.jpg Foto: Euzivaldo Queiroz
31/08/2020 às 14:56

Cada início em um novo time e em uma competição é uma chance para um atleta escrever nova história e buscar outras conquistas. Mas para o jogador do Clipper, Claudinei, a Série B do Campeonato Amazonense, que inicia no dia 17 de outubro, representa o recomeço mais difícil em sua carreira. Após ter perdido a esposa para a COVID-19, o jogador até pensou em parar de jogar futebol, mas encontra forças na filha de dois meses para continuar atuando nos campos de futebol.

O drama do jogador começou em junho quando a esposa dele, Arícia Campelo foi internada no dia 12 de junho após ter um descolamento de placenta com sete meses de gestação. No dia 13, Maria Liz, a primeira filha do casal, veio ao mundo em uma cesárea de emergência. Ainda no hospital, Arícia começou a apresentar sintomas do novo coronavírus.



“A partir daí, passamos por momentos apreensivos porque tudo se tornou mais difícil, pois não podia vê-la, só pegava o boletim médico”, relembra.

Mesmo com o diagnóstico da COVID-19, a esposa do jogador se recuperava bem, até que na madrugada do dia 19, ela veio a óbito. Maria Liz ainda passou um mês e 20 dias internada até receber alta. O baque para o jogador foi grande, mas um pedido feito pela esposa, ainda em vida, motivou o atleta a seguir em frente.


A esposa de Claudinei, Arícia Campelo, morreu dias após o parto de emergência, de Covid-19. Foto: Arquivo pessoal

“Pra falar a verdade, depois que tudo isso que aconteceu eu pensei em desistir de voltar a jogar, mas lembrei de um pedido dela que queria me ver jogando por, pelo menos, mais três anos. Infelizmente, ela não estará presente pra me ver jogando, mas decidi me reerguer por conta dela e da minha filha”, conta o jogador de 31 anos. Segundo, Claudinei, o pedido foi feito durante o ano passado, após o fim do campeonato amazonense. Naquela edição do Barezão, Claudinei atuou pelo Princesa do Solimões e ficou desempregado. Sem trabalho nos campos, ele conseguiu um emprego de gari, em Manacapuru pra ajudar nas despesas da casa. Pensando em largar de vez a carreira de jogador, Arícia foi o incentivo para que ele voltasse a jogar.

“Falei a ela que não queria mais jogar futebol, pois era algo muito incerto. Aí ela falou que não queria que eu parasse, pois acreditava em mim, em meu trabalho. Então neste ano, eu retornei ao Princesa do Solimões”, explicou.
 
Com o cancelamento do Barezão por conta da pandemia, Claudinei foi chamado para jogar em Roraima, vestindo a camisa do GAS no Campeonato Roraimense. A passagem foi curta: apenas quatro jogos, muito por conta de uma lesão no tornozelo que deixou o jogador ‘de molho’ por uns dias. Com a pandemia, o campeonato foi paralisado em terras macuxis e Claudinei voltou para o Amazonas. Com a volta do Roraimense, ele foi convidado a voltar para o clube, mas preferiu ficar em Manaus. O anúncio do jogador foi feito no dia 21 de agosto no Clipper.

 “Estava jogando o estadual, éramos líder da competição e até fui convidado a retornar, mas não quis porque não quero ficar longe da minha filha”, contou o jogador.

Em Manaus, a oportunidade que surgiu para o segundo semestre foi o convite para atuar no Águia Dourada, pela Série B do Campeonato Amazonense. O time só se apresenta no próximo mês para iniciar os treinamentos, mas o jogador conta que já começou com a sua rotina de treinos físicos para chegar em forma. Até agora, o Clipper anunciou 16 jogadores e o trenador Marquinhos Piter, que estava no GAS, onde trabalhou junto com Claudinei.

“Já comecei a treinar, fazer a parte física com treino funcional para me preparar para a rotina de treinos”, explicou o atleta que já teve passagens pelo Castanhal-PA, Manaus e Fast.

Jornada dupla
Com a morte da esposa, o jogador precisou assumir a rotina de pai e mãe para Liz que, segundo ele, não é tão pesada por conta da ajuda da avó da criança e porque a filha é sossegada. “A rotina nem tá sendo tão cansativa, pois ela dorme bastante e acorda só pra tomar a mamadeira. Graças a Deus, estou me saindo bem. Não estou tendo muito trabalho porque tenho o suporte da minha sogra que dá o apoio necessário, inclusive quando vou treinar, ela cuida da milha filha”.

A Série B do Campeonato Amazonense começa no dia 17 de outubro e até lá, o Clipper terá pouco mais de um mês até a estreia para tentar o acesso à Série A do Barezão e a principal motivação de Claudinei para buscar esse feito é a filha, que ainda nem imagina a força que representa para o pai.

“O Clipper pra mim é um recomeço. Uma nova história para mim e minha filha. Vi que tinha que ser pai e mãe dela. Amor não irá faltar nunca, pois é uma herança que ela deixou aqui na terra para mim. Um sonho nosso de ter uma menina, que eu vou cuidar com toda a dedicação do mundo. Hoje, minha filha é tudo pra mim, é minha fonte de energia e esperança”, declarou.


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