Sábado, 24 de Agosto de 2019
Batalha De atleta! dias de luta

Atleta de jiu-jitsu alterna treinos com serviços de diarista

Fernanda da Silva faz faxina duas vezes por semana. Com os R$ 300 que ganha ela paga a academia, ajuda a mãe e mais três irmãos



1.jpg Raimunda Lima, no início, não gostou da ideia da filha virar jiu-jiteira, mas agora é uma das principais incentivadoras
20/02/2013 às 14:11

Na luta diária da vida, a atleta Fernanda da Silva Piro, de 18 anos, faz das tripas coração para conciliar os treinos de jiu-jitsu com a profissão de diarista. Há um ano, a moradora do bairro do Campos Sales, Zona Oeste, vivia a fase rebelde, que atinge a maioria dos adolescentes. Sem o consentimento da mãe, largou os estudos para ficar na rua jogando conversa fora com os amigos. Mas a menina, que trabalha como diarista desde os dez anos, foi “salva” por uma ex-patroa, que lhe apresentou a “arte-suave”.

“Eu não queria nada com a vida, estudei até o sétimo ano, parei porque quis, não obedecia a minha mãe, achava mais interessante ficar na rua. Até que um dia minha ex-patroa perguntou se eu não gostaria de treinar jiu-jitsu, eu disse que sim, mas confesso que não gostei muito da ideia. Ela me levou até uma academia e aos poucos eu fui me apaixonando pelo esporte”, comentou Fernanda da Silva Piro.


O contato com a modalidade esportiva e com a disciplina que ela exige, mudou a vida da diarista: a menina que antes não queria saber de nada, agora pensa em se tornar uma atleta profissional e concluir os estudos. “Minha vida tomou um novo rumo desde que eu comecei a praticar jiu-jitsu. Na academia eu aprendi a lutar e ganhei uma nova família. Uma família que me ensinou a ser disciplinada e agora tudo o que eu mais quero é treinar mais, participar de grandes torneios, terminar o ensino médio e cursar medicina”, disse a atleta - que no último fim de semana foi medalha de ouro no 6º Open Compensa de Jiu-Jitsu, ao derrotar a representante de Boa Vista, Aline Nascimento. “Com dedicação aos treinamentos, os resultados estão começando a aparecer, graças a Deus. Esta é a terceira vez seguida que ganho um campeonato, por isso tanta alegria”, completou.

A felicidade de Fernanda é tanta, que até a mãe, a dona de casa Raimunda Lima da Silva, que no início não gostou muito da ideia de ter uma filha “lutadora”, agora a apoia e torce para que ela conquiste novas medalhas. “Eu não gostava, até hoje fico nervosa quando ela diz que vai lutar, mas torço para que ela sempre volte pra casa com bons resultados. Ela sempre me chama para assistir suas lutas, mas eu ainda não estou preparada para isso, prefiro torcer de casa mesmo”, pontuou a mãe.


Fernanda, que mora com a mãe e mais três irmãos, faz faxina duas vezes por semana em uma casa no Dom Pedro. Com os serviços ela fatura R$ 300 por mês, dinheiro que usa para pagar a academia e ajudar nas despesas da família.

“Eu só tenho um quimono, que ganhei do meu primeiro mestre. Quero juntar dinheiro para comprar um novo, pois o meu já está muito velho. Estou sonhando em participar de uma competição de jiu-jitsu em São Paulo, mas sem patrocínio e quimono será quase impossível tornar este sonho realidade”, finalizou a jiu-jiteira, que mostrou, mais uma vez, que o esporte pode transformar a

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