Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
ATLETISMO

Atleta-guia, Aricélio Ramos tem a missão de ser os olhos de parceiros nas pistas

Correndo individualmente desde 2006, Aricélio virou guia em 2017. Hoje, acompanha um dos melhores paratletas do Brasil, Nelson Peres



Capturar_1AF060A8-516F-4C0F-BECC-84FBD620E503.JPG Foto: Divulgação
20/10/2019 às 20:20

Na pista de atletismo, um segundo pode ser o bastante para distanciar primeiro e quarto colocado da prova. Logo, cada movimento deve ser treinado - e repetido diversas vezes - para que na hora da disputa tudo saia em sincronia. E para os paratletas que não têm a visão como um auxílio - um dos cinco sentidos do ser humano -, os movimentos devem ser coordenados em dose dupla: atleta e atleta-guia.

E é Aricélio Ramos quem tem a função de ser os olhos dos competidores que não podem enxergar. Natural de Benjamin Constant, município localizado a mais de 1000 km de distância da capital Manaus, o guia tem o atletismo em sua vida desde 2006, quando ainda tinha 15 anos de idade. Mas foi em 2011 que o negócio ficou mais ‘sério’. Ao entrar no Exército Brasileiro, Aricélio se tornou definitivamente atleta, correndo individualmente até então.



De simples para duplas

A primeira experiência nacional de Aricélio foi em 2013, quando o amazonense disputou os Jogos do Exército, no Rio de Janeiro. O campeonato também foi responsável por cruzar o caminho do atleta com o do professor Sérgio Nazareno, um dos principais nomes do atletismo no Amazonas. A mudança para a função de guia foi questão de tempo. Após anos treinando com Sérgio, Aricélio ganhou a nova missão em 2017. 

“Nunca havia pensado nessa possibilidade (ser atleta-guia). Quando recebi o convite, vi como um novo desafio. E aprendi a amar ainda mais esse esporte. Estou me adaptando muito bem. É uma grande satisfação correr com os paratletas da equipe”, contou Aricélio, que representa corre pelas equipes da Associação Paradesportiva do Norte (Apan) e SérgioSport, do professor Sérgio Nazareno. 

E a nova função pede um preparo ainda melhor, para que o guia dê conta de acompanhar e direcionar o parceiro nas pistas. Novidades com as quais Aricélio precisou se adaptar. “Correr individual é sempre mais forte, mais intenso. Já guiando eu preciso dosar o ritmo para não prejudicar o paratleta. Além disso, tenho que manter firme os braços com o guia pela cordinha, o que é cansativo nas provas mais longas”, explicou o atleta-guia, que busca igualar o preparo dos paratletas em relação ao seu.

“Por conta de precisar de um condicionamento maior, estou sempre mais forte do que eles na questão do preparo físico. Então tento trazer eles para a minha realidade, para buscar um melhores desempenhos e resultados”, acrescentou Aricélio, que chega a correr com mais de três paratletas diferentes nas sessões de treinamentos.

Parceria de sucesso

Desde que virou atleta-guia, Aricélio corre com um dos melhores paratletas do Brasil, Nelson Peres, que também é amazonense. Juntos, os dois são especialistas na prova de 800m - tendo destaque também nas provas de 400, 800, 1.500 e 5.000 metros. E somando bons resultados nas pistas, Aricélio e Nelson já disputaram edições de Campeonato Brasileiro, onde ficaram com a terceira colocação, e Campeonato Norte e Nordeste, todos fora do solo baré. Parceira elogiada por Nelson.


Juntos, Aricélio e Nelson querem os Jogos Paralímpicos de Tóquio. Foto: Divulgação

“Nossa relação é muito boa. O Aricélio é um excelente profissional, é muito focado, e a gente tem conquistado ótimos resultados. Temos uma boa sincronia, estamos sempre nos comunicando na hora das provas com ele me motivando bastante. Nos treinos estamos sempre juntos”, afirmou o paratleta Nelson Peres, que é deficiente visual. 

Junto de Nelson, Aricélio almeja maiores objetivos. O principal deles é viajar até o outro lado do mundo para participar pela primeira vez dos Jogos Paralímpicos, que acontece em Tóquio, no próximo ano, entres os meses de agosto e setembro. 

“Nelson é o 3° melhor do Brasil no 800m T11 (classificação dedicada a deficientes visuais). E chegar aos Jogos Paralímpicos de Tóquio é um sonho. Temos nosso treinador Sérgio que nos orienta sob os índices pedidos pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Todos os dias treinamos em cima do que é pedido para melhorarmos nossa marca pessoal”, completa Aricélio, que acredita ser bem possível chegar ao maior evento do mundo dos esportes.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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