Sábado, 07 de Dezembro de 2019
CORRIDA

Fenômeno de medalhas em Manaus, atleta de RR participa da Corrida TV Lar

Wilbert Pereira já acumula diversos troféus em pouco mais de um mês de competições na capital amazonense



zCR041501ol_p01_91EAFE12-979F-4D5C-BD1D-F8EDC18C8E98.jpg Foto: Winnetou Almeida
14/09/2019 às 15:41

Na teoria, os corredores formam uma classe única de pessoas com muitas características em comum. Um grupo basicamente igual, no qual quem vê um, vê todos. Na prática, não é nada disso. Sim, os corredores usam tênis, suam bastante e saem como o nome já diz: correndo. Mas a verdade não é bem essa. Há os que treinam todo dia e os que usam a atividade como hobby. Há também os que amam e os que odeiam esteira. Mas, acima de tudo, há dois tipos bem distintos de corredor: os velocistas e os fundistas. 

Os velocistas são os ‘apressadinhos’: saem em disparada e geralmente são mais avantajados fisicamente. Gostam de correr pequenas distâncias na maior velocidade possível e para isso necessitam de músculos potentes. Os fundistas são os resistentes, que fazem percursos longos. Nesse caso, o exercício cardíaco e pulmonar é muito maior. As corridas de fundo que constituem os grandes eventos de atletismo são os 5km, 10km metros e a maratona (42.2km).



Fundista com muito orgulho, o atleta roraimense Wilbert Pereira de Souza, de 30 anos, está em Manaus há pouco mais de um mês, em busca de melhorias no seu desempenho esportivo e também no âmbito financeiro. Ele irá participar da 2ª edição da corrida TV Lar 2019 – que acontece na ponte Rio Negro neste domingo (15) - em busca da premiação e  também de sua evolução pessoal.

“A expectativa é a melhor possível, não é fácil porque aqui temos grandes atletas. Não tem corrida fácil, aí só posso falar depois que acabar a corrida, mas eu pretendo um segundo ou terceiro lugar. Ainda tem o fator de que a corrida vai ser na ponte Rio Negro, é especial”, disse.

Fundista Roraimense

Em seu estado natal, ele já não via mais espaço de crescimento, principalmente pela falta de incentivo à modalidade. Em curto período de tempo, ele já acumula quatro troféus e uma medalha na cidade - primeiro lugar na Pátio Run, segundo lugar no desafio Traca Runners, terceiro lugar na Corrida da advocacia, segundo lugar na corrida da Associação Amazonense do Ministério Público e medalha de prata na Bemol Run. Ele garante que ainda há muito para desenvolver. 

“Minha primeira corrida aqui foi o desafio Traca Runners, tinha só três dias em Manaus. Cheguei, descansei dois dias e fui vice-campeão nela. Lá em Roraima sempre estava em primeiro ou segundo e vim para Manaus com a intenção de melhorar. Aqui também sempre estou entre os três melhores. Graças a Deus está tudo dando certo e vai melhorar. Aqui eu tenho tendência a evoluir muito mais que no meu estado, porque lá são poucos atletas de alto rendimento, era apenas eu e um colega, que inclusive atualmente está parado”, disse o atleta que frisou que além dos desafios, veio a Manaus em busca de mais apoio. 

“Não temos tanto apoio, o atletismo não é muito visado lá, é mais o futebol. Já estou conseguindo um retorno muito bom, em Roraima são no máximo quatro ou cinco corridas que pagam premiação em dinheiro, é mais medalha e troféu mesmo. Se for colocar na ponta do lápis a gente gasta em torno de mil e oitocentos reais entre equipamentos, suplementação, transporte, alimentação e as inscrições. Não vale a pena a gente participar de corrida para ganhar apenas medalha e troféu”, completou.

A corrida TV Lar, que acontece neste domingo (14), é um evento que contará com duas provas pedestres, sendo uma com distância oficial de 10 quilômetros e outra com distância de 5 km. A premiação para os competidores que fincarem os pés no pódio são de: R$ 3.000 para o primeiro lugar, R$ 2.000 para o segundo e R$ 1.000 para terceiro em todas as categorias.

Resistência no trajeto 

Apesar de atualmente fazer muito sucesso em corridas de maior distância, Wilbert revela que na adolescência já esteve do outro lado da moeda. O atleta também chegou a parar totalmente a prática do esporte, por um desentendimento familiar. 

“Dos 13 anos até os 16 era velocista, aí parei de correr e apenas 2014 quando recebi um convite de um colega para correr em corrida de rua foi quando peguei gosto, porque até então não sabia que tinha o talento para correr na rua. Em 2015 fui vice-campeão da corrida Nove de Julho, lá em Roraima mesmo, uma das melhores corridas do estado. Abandonei a parte de velocidade, porque meu pai deixou de assinar um contrato quando ainda tinha menoridade, lá em Roraima, ia para o Náutico em Recife, representar a equipe deles. Aí só retornei anos depois como corredor de rua. Ele (pai de Wilbert) não aceitava eu ir para outro estado sozinho, sendo menor de idade, nunca me deu apoio. De familiares que deram apoio mesmo conto no dedo”, declarou. 

Mas, de acordo com o fundista se por um lado o apoio familiar não foi tão grande, por outro ele sempre pôde confiar nos amigos que fez ao longo da jornada nas corridas. 

“Tenho apoio mais de amigos, da minha equipe. Meu professor da minha equipe, a Papa Léguas, em Roraima, Márcio Cruz e meu técnico Nicolas Altez aqui da Vila, que é uruguaio. Hoje estou morando com meu técnico, no bairro Cidade Nova, mas após essa corrida já pretendo me mudar, com o retorno em premiação que conquistei aqui. Até mesmo em tênis, suplementos, alimentação também já deu uma boa melhorada”, disse.

O atleta conta que a rotina de treinos é árdua e que não poderia ser diferente para alguém que almeja grandes resultados. 

“Como estou me tornando um atleta de alto rendimento, o investimento também tem que ser maior, a exigência física é muito grande. Estou treinando em dois períodos, pela manhã e tarde. Aqui na Vila, treino tiros rápidos, na rua treino percursos longos de 25 Km, geralmente ali na Avenida das Flores, que é um dos trechos mais difíceis da cidade, tem bastante ladeira”, comentou o atleta.

Ele também ressalta que a equipe de treinos na Vila Olímpica também possui um papel importante, pois além de elevar o nível de competição, o ambiente é descontraído.  
“O clima aqui na Vila Olímpica é muito bom, todos que treinam aqui estão sempre brincando, a galera me recebeu bem”, concluiu.

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Repórter de A CRÍTICA

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