Publicidade
Esportes
Craque

Atletas amazonenses abandonam emprego para viver somente com prêmios de corrida

Com o aumento de corridas realizadas na capital amazonense, cresce também o número de atletas que largam suas profissões para se dedicar apenas ao esporte 16/11/2014 às 15:32
Show 1
Atleta de corrida de rua, Willy Sandra (29), chega a faturar até R$ 3 mil por mês, somente em premiações recebidas
LORENNA SERRÃO Manaus (AM)

Perder peso, melhorar o condicionamento físico, fazer novas amizades... Esses são alguns dos motivos que levam cada vez mais pessoas a participarem das corridas de rua. Em Manaus, de acordo com a Federação Desportiva de Atletismo do Estado do Amazonas (Fedaeam), nos últimos anos o número de inscritos em provas oficiais teve um crescimento de mais 100%.

Mas a corrida de rua vai além do prazer que geralmente o esporte proporciona. Para muitas pessoas a prática virou uma profissão. Existem muitos corredores na capital amazonense que sobrevivem apenas das premiações distribuidas pelos eventos realizados na cidade. Isso tudo graças também ao crescimento das corridas. Manaus recebe uma média de cinco a seis por mês e a maioria oferece premiação em dinheiro.

Foi essa parte lucrativa, além da paixão pela corrida, que fez com que os corredores Willy Sandra, de 29 anos, e Dionísio Cosmo Cardoso, de 32 anos, mudassem completamente de vida. Há pelo menos um ano, eles decidiram que iriam se dedicar inteiramente às corridas de rua. Willy largou a vida de dona de casa e Dionísio um emprego em uma faculdade particular.

E não demorou muito para que a dedicação integral ao esporte desse resultado. Willy, especialista em corridas de 5 km, afirma que chega a faturar cerca de R$ 3 mil por mês.

“Às vezes esse valor (R$ 3 mil) é maior, isso depende muito de quanto é a premiação para o primeiro lugar e para o segundo e também quem são as concorrentes. Tem corrida que as paraenses sempre levam vantagem. Nos últimos eventos de 5 km eu consegui ser a primeira a cruzar a linha de chegada. Mas também lucro quando sou a segunda colocada”, revelou Willy Sandra – que há 11 meses tem como atividade principal as corridas de rua de Manaus.

Porém  para conseguir lucrar e viver apenas do que mais gosta de fazer na vida, que é correr, Willy tem uma rotina pesada, mas ela garante que também é bastante prazerosa.

“Eu acordo todos os dias às 4h30, tomo café e às 5h30 já estou na Ufam treinando e fico lá pelo menos umas duas horas, isso depende muito do dia. Também treino à noite, das 19h até as 23h. É uma preparação mais pesada e por isso dura mais”, completou a corredora – que fez questão de declarar que foi “escolhida pela corrida”.

“No início era apenas mais um esporte. Eu jogava futebol e um dia vi uma colega minha, que também jogava bola, ganhando uma corrida. Lembro que naquela hora eu pensei: se ela pode eu também posso e foi assim que comecei a correr com um objetivo, que era chegar ao pódio. Eu também sempre fui muito incentivada pelas pessoas que estão ao meu redor e isso foi fundamental. Hoje encaro a corrida como uma profissão, que eu amo, e por isso me dedico 100%”, acrescentou.

Dionísio Cosmo Cardoso tem a corrida como profissão desde janeiro do ano passado. Ele conta que resolveu se dedicar apenas à atividade quando percebeu que estava em desvantagem em relação a outros corredores.

“Eu tinha um ritmo bom, mas nem sempre conseguia chegar em primeiro lugar, sempre tinha alguém que me superava. Quando percebi que as premiações estavam ficando boas, resolvi me dedicar mais e foi nesse momento que a corrida passou a ser a minha profissão”, pontuou.

(Dionísio Cosmo Cardoso já venceu 20 corridas só no ano de 2014)

Dionísio disse ainda que no antigo emprego recebia cerca de R$ 900 por mês. Com as corridas ele fatura um pouco mais. “Por mês chego a lucrar entre R$ 1.200 e R$ 1.500. Parece pouco, mas vale muito a pena. Consigo sobreviver, gosto de ter a corrida como uma profissão”, comentou.

Dionísio corre há dez anos. Parou algumas vezes, mas ele afirma que a paixão pelo esporte sempre o faz retornar às competições. Assim como Willy Sandra, ele também treina de segunda a sexta-feira, na Ufam, e encara uma rotina puxada.

“Acordo todos os dias muito cedo, às 6h já estou correndo. À tarde é a mesma coisa, treino pelo menos duas horas. Mas eu não reclamo nunca porque é isso que eu gosto e sei fazer de melhor”, comentou.


Publicidade
Publicidade