Terça-feira, 24 de Setembro de 2019
SUPERAÇÃO

Atletas amazonenses de parabadminton conquistam medalhas em disputa nacional

Mikaela Almeira e Felipe Matos da Costa se encontraram no esporte e já miram em competição internacional



ZCR0301-501_p01__2_.jpg (Foto: Gilson Mello)
23/07/2017 às 15:20

Uma raquete, uma peteca e uma rede. Uma junção que foi o suficiente para mudar a vida de 30 alunos da Escola Estadual Cacilda Braule Pinto, no Coroado,  Zona Leste de Manaus. Além de conhecer um novo esporte, os alunos Mikaela Almeida da Costa e Felipe Matos da Costa têm ultrapassado fronteiras e colecionado medalhas. Há duas  semanas, os dois subiram ao pódio na etapa brasileira de Parabadminton, no Piauí. Em agosto, Mikaela, de 14 anos, participará do Internacional Paradminton, no Peru.

Mikaela e Felipe competem na categoria SU5, para pessoas com deficiência nos membros superiores. Em sua última competição, ela conquistou duas pratas - na dupla feminina e no individual - e um bronze nas duplas mistas. Ele conquistou o bronze no individual masculino.

Os dois conheceram a modalidade há dois anos através de projetos escolares que incentivavam a prática. E o que era uma brincadeira, logo virou coisa séria.

“Eu estava na sala de aula e o professor chegou e chamou para a educação física para a gente conhecer um novo esporte. De primeiro eu não me interessei, mas depois eu comecei a vir nos treinos e aí eu gostei muito. É um esporte diferente e depois que eu conheci melhor, mudou completamente a minha forma de pensar”, disse Mikaela.

Já Felipe, que não possui o movimento no braço direito, fez um caminho mais longo até chegar na modalidade. “De todos os esportes eu fazia um pouquinho. Fiz futsal, jiu-jitsu, natação, todo tipo de esporte. Aí comecei a treinar em outra escola que estudava antes e fui gostando, mas resolvi dar uma parada e o professor Taffarel me chamou novamente para treinar e me trouxe de novo para praticar o esporte. Aí ele me falou do parabadminton que eu não sabia que existia.  Agora eu tô treinando para, nos próximos torneios, se Deus quiser, ser o maior do Brasil”, disse.

 

Treinos

Com as competições, o que era uma atividade na educação física virou coisa séria. E o professor e técnico de Mikaela e Felipe, Fernando Taffarel, explica que antes das competições, as atividades são intensificadas. “Antes das competições, nós intensificamos as atividades. No caso da Mikaela, agora ela voltou do Piauí, vamos intensificar os treinamentos dela e dos meninos do convencional porque eles também vão ter uma grande competição”, explicou.

No Amazonas, não há competidoras de parabadminton na categoria de Mikaela. O jeito é treinar com os colegas do badminton. Mas até nisso, a adolescente conta que consegue extrair vantagens. 

“Eu treino com pessoas normais porque não tem ninguém da minha categoria. O que tem é menino. Eu jogo bastante com ele e aperfeiçoo meu jogo, mas eu aperfeiçoo mais ainda quando treino com pessoas normais porque tenho duas visões. A visão de como jogar com pessoas normais, que eu posso ganhar e com pessoas deficientes. Então eu invisto bastante nisso”, disse a estudante que já se diz ansiosa para participar de sua primeira competição internacional. 

“Estou bastante ansiosa. Meu professor está intensificando os treinos e eu tô treinando bem firme”, disse a atleta que espera não ficar tão nervosa quanto da primeira vez que competiu. “Foi em Recife (em 2016) e nunca tinha viajado. Foi a primeira vez que eu viajei de avião. Imagine... gravei um diário de bordo praticamente. Lá conheci várias pessoas. Entrei no meu mundo quando entrei na quadra e vi vários competidores”.

Mas além das experiências, o esporte trouxe muito mais para a vida de Mikaela e Felipe. para ela, a vontade de ser exemplo para outras pessoas. “Significa muito na minha vida. Digamos que a esperança de ser exemplo. Só de imaginar  que vou ser exemplo para outras pessoas é muito bonito. O esporte é uma área muito importante da minha vida, tanto que abandonei muitas coisas para estar hoje nele”. Já para Felipe, o esporte ajudou na recuperação de uma depressão. “Minha auto estima era baixa. Sofria depressão e eu não via uma luz. Sofria muito buylling. Então quando comecei a praticar o esporte, vi uma luz ali e foi aqui melhorei mais e vi o lado bom do esporte”.

“Só de dar uma raquete para o aluno e desafiar para acertar a peteca e não deixar cair eles vão à loucura e fazem o máximo para ela não cair. As aulas são lotadas, então foi uma grande aceitação. E isso ajuda no desenvolvimento deles. A Mikaella, por exemplo, era escondida  e hoje os alunos procuram ela  para tirar foto. Está uma estrela na escola”, comemorou Taffarel.
 


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