Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Busca de apoio

Atletas vendem brigadeiro e din-din para disputar campeonato em SP

Maior campeonato de Jiu-Jítsu em solo nacional acontece em São Paulo, no mês de abril. A academia GFTeam Norte Fight pretende levar 20 atletas para o evento



uhu1111_10652A1F-3475-4007-A529-FB2F2F4E4142.JPG Foto: Antônio Lima
29/02/2020 às 08:09

O mito das Amazonas data de uma época tão longínqua que muitas controvérsias existem à respeito da sua origem. Uma das versões mais aceitadas é de que na Grécia antiga existia uma nação completamente formada por mulheres guerreiras. Outra ótica sobre as Amazonas é a da expedição realizada pelo espanhol Francisco Orellana na Amazônia, em 1542: encontrando um grupo de índias guerreiras, que lutavam de forma feroz.

Acreditando ou não nos inúmeros relatos sobre as temidas guerreiras, o estado que carrega o mesmo nome do grupo, produz mulheres de força tão invejável quanto das lendas. Uma das provas desse fato é o grupo de atletas femininas da Academia GFTeam. Todos os dias, ao fim do treino, cerca de 20 alunas vão às ruas para ‘lutar’ ainda mais e angariar verba visando participar do Campeonato Brasileiro de Jiu-jítsu, que acontece em São Paulo, no mês de abril.

“Estamos indo na fé e na coragem. Depois dos treinos descemos e vamos vender trufas, rifas, din-din, ingresso para feijoada. Tudo isso em nome do sonho dessas meninas. Tentamos apoio com políticos, mas não conseguimos, fechamos uma parceria com uma empresa de turismo, mas ainda precisamos pagar algumas pendências”, revelou Waleska Castro, faixa-roxa da academia, que lidera a ação em busca de fundos para que nossas ‘Amazonas’ possam representar o estado na competição nacional.



Waleska também comenta que a iniciativa partiu das próprias alunas, vendo a necessidade de ajudar umas as outras na conquista do objetivo comum.

“Quando elas viram que não estava sendo fácil conseguir apoio, me disseram que iriam tomar uma atitude e começar a vender brigadeiros no sinal, no posto que fica aqui perto. Isso é algo que enche de orgulho”, afirmou a líder do grupo, que sabe muito bem da importância do jiu-jítsu na vida de suas companheiras de tatame.

“Estarei indo com elas para a competição, assumindo um papel de ‘mãe’ porque algumas ainda são de menor. É algo que faço com muito prazer, porque sei que muitas passaram por fases muito difíceis e o esporte salvou”, concluiu Waleska, a respeito de sua responsabilidade com as alunas mais novas da academia.

No ano passado, a GFTeam Norte Fight já levou 13 atletas manauaras para o Brasileiro da modalidade e nove conquistaram medalhas na competição.

As Guerreiras

Em meio às 20 atletas que estão ‘lutando’ para arcar com as despesas da viagem, estão três exemplos de histórias distintas, mas que batalham todos os dias por um objetivo em comum.

Polyanna Souza, faixa-roxa aos 18 anos, busca o tricampeonato brasileiro. No ano passado ela conquistou a medalha de ouro na faixa azul e quer repetir o feito em 2020 em nova categoria. Apesar de já ter um nome consolidado mesmo tão jovem, ela revela o motivo de tanto sacrifício para estar no Brasileiro.

“Estamos batalhando todos os dias para que vejam o nosso esforço, a nossa vontade de lutar, o atleta precisa do reconhecimento. Aqui na academia GFTeam, a nossa equipe feminina é muito unida e estamos ajudando umas as outras tanto nisso como em outros aspectos”, comentou a peso-pluma, que ‘varre’ diversos campeonatos regionais e busca sua afirmar-se ainda mais no cenário nacional.

Já Alissia Ribeiro, de apenas 15 anos, faz sua estreia no campeonato usando a faixa-azul, independente de resultado ela já pode ser considerada uma grande vencedora. A jovem passou por um período extremamente difícil e superou a depressão através da arte suave.

“Tanto a Waleska quanto o professor Robert Castro (responsável pela academia) me ajudaram muito quando eu estava passando por coisas bem difíceis. Passei um bom tempo sem treinar e eles corriam atrás de mim para me animar e tentar me ajudar. Essas coisas fazem muita diferença na hora da luta, nos sentimos acolhidos”, declarou a jovem, que assim como suas colegas, sai dos treinos e tenta emplacar sucesso nas vendas de trufas e brigadeiros.

Mais uma ‘Amazona’ moderna, Hanna Antunes, nunca disputou um Campeonato Brasileiro e pretende estrear da melhor forma possível. Para isso, ela vende ingressos de sua feijoada, com intuito de conseguir acumular a verba para os custos da viagem a São Paulo.

“Nunca imaginei um dia lutar fora do estado, esse é o objetivo que estou correndo atrás, todas nós que estamos aqui estamos focadas, é a razão de todo esse esforço. Antes de começar a treinar aqui, não tinha confiança nem para sair na rua sozinha”, revelou a atleta de apenas 16 anos, que também está na faixa-azul.
 

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