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Esportes
BOLSA ATLETA

Atletas do AM se preocupam com possível mudança na Lei do Bolsa Atleta Municipal

Conselho Municipal de Desporto vai apresentar à Prefeitura de Manaus uma minuta propondo que o Bolsa Atleta passe a beneficiar somente esportistas de base, entre 12 e 17 anos, deixando de fora os atletas de alto rendimento 24/01/2018 às 07:09 - Atualizado em 24/01/2018 às 10:53
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Mais de 50 atletas recebiam o Bolsa atleta até o ano passado, e agora podem ficar sem apoio. Fotos: Tácio Melo/Sejel, Euzivaldo Queiroz e Divulgação
Jéssica Santos Manaus (AM)

O Bolsa Atleta Municipal, da Secretaria Municipal da Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), está prestes a passar por grandes mudanças. É que o Conselho Municipal de Desporto, pertencente à Semjel, vai apresentar à Prefeitura de Manaus, no início de fevereiro, uma minuta propondo que o Bolsa Atleta passe a beneficiar somente atletas de base, entre 12 e 17 anos de idade, deixando de fora os atletas de alto rendimento – público para o qual o programa foi criado (Lei nº 1.595, de 5 de outubro de 2011).

A proposta de mudança no Bolsa Atleta, que ainda será analisada pelo prefeito Arthur Neto e, se aprovada, será encaminhada para votação na Câmara, almeja reduzir os custos do programa, como explica o subsecretário de Juventude, Esporte e Lazer, Rodrigo Guedes.

“Não é uma proposta final. Os termos estão sendo discutidos no Conselho, aliás, o programa é discutido há muito tempo porque suas regras geraram muitas demandas judiciais, que impediam que a Secretaria tivesse controle sobre a quantidade de bolsas concedidas. Isso gerou problemas porque o custo para a Prefeitura ficava além do orçamento previsto devido às liminares que precisamos atender”, explicou.

O Conselho de Desporto da Semjel também considera importante a mudança na Lei do Bolsa atleta, para que a Secretaria possa atender a base e a outras modalidades. “O alto rendimento não é competência do município, então achamos que devemos exercer nossa função de dar apoio ao esporte de iniciação. O Bolsa atleta é um bom programa, mas a prefeitura paga um valor superior ao Bolsa Atleta federal, e não vê tanto retorno compatível em resultados dos atletas”, destaca ele, que também acha importante a inclusão de esportes não-olímpicos no programa.

“Poderemos ter uma diminuição no valor, mas queremos ampliar o programa para 100 bolsas ou mais, e beneficiar também atletas de modalidades não-olímpicas, pois, hoje, o jiu-jítsu fica de fora, e é um contra-senso, pois Manaus é um celeiro de atletas de jiu-jítsu”, explica.

Atletas sem apoio

Os atletas foram pegos de surpresa com a proposta de mudança na Lei do Bolsa Atleta. O paratleta Brendow Christian, que bateu ano passado três vezes o recorde das Américas no lançamento de dardo, pretendia se inscrever no Bolsa Atleta deste ano, e disse que ficou feliz e triste ao mesmo tempo, ao saber da possível mudança.

“Feliz porque estão criando projetos para incentivar a base. Com esse auxílio, vários jovens poderão se dedicar ao esporte e ajudar em casa, o que é fantástico. Porém, com essa decisão, nós do alto rendimento, ficamos prejudicados. O Brasil passa por uma situação complicada, o que diminuiu a chance de obtermos patrocinadores, mesmo com resultados expressivos”, ressalta, Brendow, que se diz decepcionado com a nova proposta.

“Ficamos desamparados, é triste ver que nos sacrificamos, nos dedicamos para levar o nome do Amazonas para o mundo e não somos valorizados na nossa própria casa”, afirma o atleta que se mudou para São Paulo, desde o ano passado, para treinar com a equipe do Sesi, buscando melhores oportunidades.

A nadadora Luisa Marillac (no centro da foto acima) recebia a Bolsa em 2016, e comentou que também é a favor da inclusão da iniciação esportiva no Bolsa Atleta, mas vê como um retrocesso o programa deixar os atletas de alto rendimento de lado. “Quem é atleta sabe como é difícil chegar nesse nível, e que é mais difícil ainda se manter nele, não importa o esporte que você pratique. Tenho certeza de que essa mudança vai prejudicar vários atletas que se destacavam, justo agora que o Amazonas estava conseguindo um destaque maior nos esportes”.

Elysa Maia conquistou ano passado medalhas no Campeonato Brasileiro, nos Jogos Escolares da Juventude e, também, medalhas na Copa Pacífico de Natação, representando a Seleção Brasileira, mas, este ano, o benefício dela n Bolsa Atleta encerrou  e, com a mudança, ela prevê as dificuldades.

“Nós precisamos muito do Bolsa Atleta. Ano passado fiz cinco viagens dentro do Brasil e uma internacional, para a Copa Pacífico, e a Bolsa me ajudou bastante”.

Requisitos para receber bolsa

Caso a alteração na lei seja feita, os critérios para receber o Bolsa Atleta serão: ter entre 12 a 17 anos; estar praticando uma modalidade olímpica ou não olímpica no CEL ou numa entidade de federação vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), estar estudando, ter frequência escolar de 75%, ter ganhado uma competição ligada ao COB no ano anterior, e ser acompanhado por um técnico, que, no caso do CEL, pode ser o próprio professor do Centro.

Secretário destacou importância

No mês de setembro do ano passado, o Secretário Titular da Semjel, João Luiz Almeida, afirmou, em entrevista para o Portal A Crítica, que o Bolsa Atleta iria permanecer, pois ele iria dar continuidade ao trabalho dos gestores anteriores, e afirmou que o programa é importante.

“Nós investimos nos atletas profissionais, olímpicos, temos vários campeões que estão levando o nome do Estado para o exterior, (...) e vamos continuar fazendo pelos nossos atletas, para que eles possam continuar competindo”, disse o Secretário, na época. Apesar da afirmação, o Conselho Municipal de Desporto já estudava modificar o Bolsa atleta e, agora, apresentará a proposta ao prefeito.

Sejel quer apresentar projeto

O subsecretário da Semjel, Rodrigo Guedes, afirma que o Bolsa Atleta nos moldes de hoje foge da competência do órgão público e, para ele, a solução para os atletas não ficarem sem apoio está na necessária ação da Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

“O Bolsa Atleta é excelente, mas se adequaria melhor à Sejel, que possui bem mais recursos. Inclusive, convidamos a Sejel a participar da nossa discussão, para que possamos entrar num acordo, e para que os atletas não fiquem desguarnecidos, pois cuidamos de todos os nossos complexos, e temos que atender à iniciação esportiva para fomentar os atletas que muitas vezes não tem incentivo para fazer esporte. Mas, nada contra os atletas de alto rendimento”, destacou ele.

Entramos em contato com a Sejel, questionando se o órgão pretende apoiar os atletas de alto rendimento com algum programa semelhante ao Bolsa Atleta, como foi sugerido pelo subsecretário Rodrigo Guedes, e a Secretaria Estadual anunciou que pretende apresentar ao governador Amazonino Mendes um projeto com critérios, elaborados a partir do programa federal, para a implantação do Bolsa Atleta no Amazonas, para atender os atletas do alto rendimento. A Sejel afirmou ainda que, se os critérios forem aprovados e caso haja orçamento, é de total interesse da secretaria implantar o programa no Estado.

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