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Avenida do futebol: craques do passado ganham a vida em uma das principais vias de Manaus

Mário Gordinho, Helinho e Carôço são ex-jogadores com passagens por Nacional, Fast e São Raimundo e, hoje, são microempresários da avenida Getúlio Vargas, no Centro. Entre uma venda e outra os ex-ídolos contam suas histórias no futebol baré 01/09/2015 às 10:24
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Helinho, Carôço e Mário Gordinho são ex-craques do futebol baré e, hoje, possuem bancas de revistas na avenida Getúlio Vargas, no Centro de Manaus.
Denir Simplício Manaus (AM)

O povo brasileiro é conhecido por ter memória curta e esquecer facilmente os seus ídolos no esporte. No futebol não é diferente: um dia o craque trilha no caminho dos heróis, no outro vira a esquina dos esquecidos.

No entanto, três ex-craques do futebol baré levam a vida numa boa. De sorriso no rosto, Helinho (ex-Nacional), Carôço (ex-São Raimundo) e Mário Gordinho (ex-Naça e Fast) fazem da avenida Getúlio Vargas, local onde trabalham, uma verdadeira “avenida do futebol”, onde relembram os títulos, jogos memoráveis e as glórias vividas nos áureos tempos de quando o futebol amazonense era bem representado nacionalmente.

Futebol é cultura

Mário Gordinho, 62, e Hélio Pereira Cunha, 52, o Helinho, foram bicampeões amazonenses com o Naça em 1977/78. O primeiro era meia-atacante clássico, que jogava de cabeça erguida e tinha faro de gols. O segundo, era lateral-esquerdo, bom na marcação e no apoio ao ataque.

Além de terem marcado seus nomes na história do futebol baré, os dois têm outra coisa em comum: são donos de banca de revistas na avenida Getúlio Vargas, próximo ao Sheik Clube, na área do Centro de Manaus.

“Vendo livros antigos, CD’s, DVD’s e revistas. Dá pra tirar um bom dinheiro graças a Deus”, diz Helinho, lembrando com orgulho que marcou grandes craques do futebol com a camisa do Leão da Vila Municipal. “Joguei contra o Zico aqui no (antigo) Vivaldão. Marquei muito jogador ‘fera’ como o Joãozinho, do Cruzeiro; o Búfalo Gil, do Botafogo; o Tita, do Flamengo. Não dei moleza pra esses caras, não”, brinca o dono da banca Dona Izaura, que defendeu o Leão no Copão Brasil de 1978.

Leitor assíduo desde os tempos que atuava nos gramados, Mário Gordinho juntou o útil ao agradável depois de pendurar as chuteiras. “Sempre carreguei isso comigo, sempre gostei de ler. E quando surgiu a chance de ter a banca não pensei duas vezes”, conta o ex-meia do Naça, que teve passagens pelo Rodoviária, Fast Clube e São Raimundo, e que tem um sebo em frente a academia Sheik Clube.


Outra relação entre os micro-empresários do ramo da literatura é o carinho pela bola. Tanto Gordinho como Helinho ainda jogam suas peladas no time dos Normais, equipe de veteranos que desfila futebol nos fins de semana. Ambos também criticam a falta de novos valores no futebol amazonense.

“No meu tempo, os garotos da base jogavam a preliminar dos profissionais. Ali o torcedor ficava conhecendo quem era o futuro craque do time. Hoje em dia não tem isso”, desabafa Gordinho.

Entre e revistas e livros antigos está viva a memória desses ex-craques, que fazem questão de recontar com riqueza de detalhes, a quem queira, um pouco da história dos bons tempos do futebol amazonense. Tempos em que os representantes locais eram respeitados pelos adversários Brasil afora.

Carôço, o 1º artilheiro do Vivaldão

Mário Augusto Alves de Lima, o Carôço, hoje, com 60 anos, é um dos melhores amigos de Mário Gordinho. Da parceria nos gramados veio o convite para ser padrinho de casamento de Gordinho. De compadre à parceiro na banca de revista foi um pulo. Ambos dividem o espaço, o ex-nacionalino negocia livros, enquanto o ex-Tufão da Colina vende confecções.

“Minha filha foi pra Fortaleza e trouxe umas roupas. Aí o Mário me convidou pra vender aqui na banca dele. Fazemos companhia um pro outro”, conta o ex-jogador, que tem no currículo a façanha de ter marcado o primeiro gol no antigo estádio Vivaldo Lima.


Segundo o próprio Carôço relata, a partida entre Seleção Amazonense de Juniores x Flamengo Sub-20 ocorreu na manhã do dia 5 de abril de 1970, e foi nessa partida que ele balançou as redes do, então, inacabado “Colosso do Norte”.

“O pessoal deu o gol do Dadá Maravilha como o primeiro, mas eu fiz o gol mais cedo, contra o time do Flamengo. A bola partiu da direita e do jeito que veio eu bati. A bola fez uma curva e foi no ângulo do Cantarelli”, conta em detalhes Carôço, que ainda lembra que em campo estavam feras do calibre de Adílio, Rondinelli, Geraldo e o goleiro Cantarelli.

Carôço era cabeça de área na época e tempos depois chegou a ser sondado para jogar pela Seleção Brasileira de Juniores, mas como já tinha atuado entre os profissionais do São Raimundo, acabou ficando impedido de vestir a amarelinha. O ex-craque colinense gosta de lembrar do passado sempre que pode.

“Tem dia que tem um monte de ex-jogador aqui. A gente para pra lembrar dos bons tempos. Isso aqui acaba sendo a passagem do futebol”, brinca, saudoso, o ex-goleador.



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