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Protestos, vandalismo e conflitos

Belo Horizonte vira praça de guerra

Polícia trava uma verdadeira guerra com manifestantes que tentaram protestarm no Mineirão 24/06/2013 às 12:44
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Via pública de Belo Horizonte virou um campo de batalha
Leanderson Lima Belo Horizonte

Era para ter sido uma grande festa democrática com a presença de mais de 60 mil manifestantes nas ruas. Um dia para protestar contra os gastos excessivos na Copa do Mundo, um dia para clamar por melhor qualidade nos serviços públicos na saúde, transporte coletivo, um dia para gritar contra a corrupção que assola o País... Mas o que se viu ontem na capital mineira foram cenas de guerra, de terror. 

Quem precisava chegar em casa teve que ficar na rua, fugindo dos confrontos entre manifestantes e policiais militares. Nas rádios locais, ouvia-se o tempo todo pedidos da Polícia Militar: “Você, cidadão de bem, não saia de casa. Você pai, mãe que tem filhos participando das manifestações, peçam para que eles voltem para casa”, dizia um oficial da PM pela noite.

A região central de Belo Horizonte foi cercada pela PM. O barulho das bombas de efeito moral causou pânico em quem só queria chegar em casa. “Pelo amor de Deus, eu quero ir para minha casa”, dizia, aos prantos, a estudante Leila Cristina, de 22 anos, que, para chegar em sua residência, precisaria passar pela zona de conflito.

Não havia motorista que se arriscasse a dirigir pelas ruas da região. Quem estava a pé teve que enfrentar o forte odor do gás lacrimogêneo disparado pela PM na tentativa dispersar o movimento.

No domingo(23), o único lugar 100% seguro em Belo Horizonte era o estádio Mineirão, que além de receber apoio da PM local – mais de 13 mil espalhados pela cidade e pelos arredores do estádio -, o local contou com a proteção de 150 homens da Força Nacional de Segurança.

 O começo

Seguindo o script da última semana, os manifestantes começaram a se concentrar na Praça Sete de Setembro, de onde partiram em direção ao Mineirão, onde sábado, foi realizado o jogo entre México e Japão, pela Copa das Confederações. Os manifestantes chegaram ao local por volta das 16h, quando a partida começou.

Um grupo menor tentou invadir o perímetro de segurança estabelecido pela Fifa. Foi quando o confronto começou. A batalha teve início na Região da Pampulha, se espalhando pela avenida Antônio Carlos e depois tomando outras regiões da cidade.

A Força Nacional de Segurança disparou bombas de efeito moral, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha para conter os manifestantes.

 Mudança de rota

 Segundo coronel Carvalho, comandante da PM, havia um acordo com as lideranças para que o protesto passasse pela Antônio Carlos e seguisse em direção à Pampulha, mas grupos de manifestantes atacaram o cordão de isolamento jogando pedras e outros objetos.

Lojas depredadas

Com o início dos confrontos, a situação saiu de controle e os vândalos aproveitaram para depredar e saquear lojas. Várias concessionárias de veículos tiveram suas fachadas e até veículos destruídos. Os vândalos também atacaram várias agências bancárias, principalmente as do Centro de Belo Horizonte.

Um outro grupo derrubou a cerca do campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Exército, que desde cedo estava nas proximidades do Mineirão, ocupou o prédio da Universidade na tentativa de preservar o patrimônio da União. Um cordão de isolamento foi feito para evitar uma invasão dos manifestantes.

Já a Faculdade Anhanguera não foi poupada pelos vândalos. Outros prédios foram pichados e banheiros químicos foram incendiados. Os ataques continuaram no Centro de Belo Horizonte até o início da madrugada.

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