Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
SUPERAÇÃO

Amazonense bicampeão paralímpico ajuda a mãe vendendo lanches em Manaus

O paratleta Brendow Christian superou problema de visão e até a fome na infância para se tornar número 13 do mundo no lançamento de dardos



19/12/2017 às 16:34

Resiliência. É a capacidade do ser humano de superar as adversidades e vencer na vida. No esporte, são vários os exemplos de atletas que superaram os problemas e tornaram-se referências de sucesso. Este é o caso de Brendow Christian, paratleta amazonense que superou um problema de visão na infância e se tornou bicampeão paralímpico brasileiro de lançamento de dardos, além de quebrar três vezes o recorde da modalidade nas Américas, se tornando primeiro colocado no ranking nacional e número 13 no mundo.

De férias em Manaus, “Manauara”, como é conhecido, concilia os treinos na Vila Olímpica de Manaus com o trabalho da mãe, vendendo lanches e refeições na Bola da Suframa. “Essa é a nossa realidade. Foi vendendo comidas e salgados que a minha mãe pode sustentar lá em casa. Sou muito grato pela minha origem e não vejo problema nenhum em ajudar o ganha-pão da família”, conta o paratleta.

Há dois anos em São Paulo, Brendow teve que largar a família para realizar o sonho de ser atleta. Mas antes de partir rumo a capital paulista, o atleta teve que passar por vários “perrengues”. “Chegamos até a ser proibidos de vender em frente a um hospital. Passamos fome, mas nunca desistimos. Sempre dei um jeito para ajudar minha mãe”, conta o atleta de 22 anos.

Em Manaus até dia 5 de janeiro, Brendow concilia os treinos na Vila Olímpica com a ajuda nas vendas da mãe, Cleonice Vasconcelos. “Treino pela manhã na Vila e depois ajudo minha mãe no horário do almoço. Não tenho vergonha porque essa é a minha origem”, conta Brendow.

Problema de visão

Na infância, Brendow Christian foi diagnosticado com ceratocone, uma doença ocular que ocasiona a perda progressiva da visão. O paratleta, que pertece à categoria F12 (Atletas com baixa visão), conta que o esporte o ajudou a superar a doença. “O meu maior sonho era sempre ser um atleta profissional. Tentei ser lutador, jogador de futebol, mas o meu problema de visão me prejudicava em qualquer modalidade. Mas o paratletismo me deu a chance de poder realizar meu sonho, independente do problema que fosse”, conta Brendow, que possui apenas 10% da visão.

O amazonense faz parte da equipe SESI de Santo André/SP desde 2015.


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