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Blatter, de demônio a Jesus: Figo desiste da corrida pela presidência da Fifa e 'detona' eleição

O ex-craque português decidiu retirar a candidatura ao cargo mais importante do futebol mundial e criticou duramente o processo eleitoral da entidade, afirmando que os dirigentes/eleitores mudam de opinião de acordo com seus interesses 21/05/2015 às 13:25
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Figo detonou processo eleitoral da Fifa.
ACRITICA.COM Manaus (AM)

Restando uma semana para o Congresso da Fifa, onde haverá a eleição para o novo presidente da entidade, o português Luís Figo decidiu na manhã desta quinta-feira (21) retirar sua candidatura para tentar suceder Joseph Blatter. Com a decisão, a corrida pela presidência ao cargo de comando do futebol mundial fica resumido a dois concorrentes:  o próprio Blatter e o príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein.

Figo abandona o pleito poucas horas depois do holandês do presidente da federação holandesa de futebol, Michael van Praag, também renunciar.

Em longo comunicado enviado à agência Associated Press, Figo criticou duramente o pleito. "Nos últimos meses, não presenciei somente o desejo de mudança, testemunhei também consecutivos incidentes, por todo o mundo, que deveriam envergonhar qualquer um que deseja um futebol livre, limpo e democrático", desabafou o ex-candidato.

"Eu vi, com meus próprios olhos, presidentes de federação que, um dia após comparar os líderes da Fifa com o demônio, subirem em um palco e comparar essas mesmas pessoas a Jesus Cristo. Ninguém me falou sobre isso. Vi com meus próprios olhos", comentou o ex-craque da Seleção de Portugal.

Figo ainda afirmou que o processo eleitoral na entidade máxima do futebol não é democrático. "Esse processo é um plebiscito para entregar o poder total a um homem - algo que me recuso a participar", finalizou.

Veja o comunicado de Figo na íntegra:

A minha candidatura à presidência da Fifa resultou de uma decisão individual, depois de ouvir muita gente relevante no universo do futebol internacional.

Reuni os apoios necessários para me candidatar, formalizei a minha candidatura, e as reações do mundo do futebol foram de tamanha dimensão - quer públicas, quer privadas - que ainda com mais consciência fiquei de que a minha decisão foi correta.

O universo de um esporte que me deu tudo o que sou e a quem me predispus a devolver agora, fora de campo, está sedento de mudança. A Fifa precisa de uma mudança, e eu entendo que essa mudança é urgente.

Guiado por essa vontade, pelos apoios formais recolhidos e pela impressionante onda de apoios de atletas, ex-atletas, treinadores, árbitros e dirigentes do futebol, idealizei e apresentei um programa de ação, o meu manifesto eleitoral para a presidência da Fifa.

Viajei e conheci gente extraordinária, que reconhecendo o valor de muitas das coisas que foram feitas, também se identifica com essa necessidade de mudança, que limpe a Fifa do selo de organização obscura e tantas vezes olhada como espaço de corrupção.

Mas, nestes meses, não assisti apenas a essa vontade, assisti a episódios consecutivos, em diversos pontos do planeta, que devem envergonhar quem deseja um futebol livre, limpo e democrático.

Eu vi, com meus próprios olhos, presidentes de federação que, um dia após comparar os líderes da Fifa com o demônio, subirem em um palco e comparar essas mesmas pessoas a Jesus Cristo. Ninguém me falou sobre isso. Vi com meus próprios olhos

Os candidatos foram impedidos de se dirigir às federações em congressos, enquanto um dos candidatos discursava sempre sozinho do alto de uma tribuna. Não houve um único debate público sobre os programas de cada um.

Haverá alguém que ache normal uma eleição para uma das mais relevantes organizações do planeta decorrer sem um debate público? Haverá alguém que ache normal que um candidato não apresente sequer um programa eleitoral para ser votado no dia 29 de maio? Não deveria ser obrigatória a apresentação desse programa para que os presidentes de federações conheçam aquilo que vão votar?

Seria normal, mas este processo eleitoral é tudo menos isso, uma eleição.

Este processo é um plebiscito de entrega do poder absoluto a um só homem - algo que me recuso a participar.

É por isso que, após ter refletido de forma individual e partilhando opiniões com dois outros candidatos neste processo, entendo que o que vai acontecer dia 29 de maio em Zurique não é um ato eleitoral normal.

E, não sendo, não contam comigo.

Que fique claro, tenho um profundo respeito por todo o universo do futebol mundial, desde a África, onde tanto incentivo recebi, à Ásia, onde tenho e manterei grandes relações, passando pela América do Sul, onde uma nova geração ganha espaço e pela América Central e do Norte, onde tantos foram calados quando queriam falar, e à Oceania, cujo desenvolvimento devia ser olhado de outro modo por todos. E finalmente à Europa, onde senti espaço para debate normal e democrático, graças ao impulso do presidente (Michel) Platini.

Agradeço calorosamente a todos, porque desejo deixar claro que não são eles a comissão eleitoral e não são eles que desejam uma Fifa cada vez menos forte.

Eu, de minha parte, continuo comprometido com as ideias que deixo escritas e divulgadas, mantenho a minha vontade de participar ativamente numa regeneração para a Fifa e estarei disponível para ela sempre que me demonstrem que não vivemos em ditadura.

Não tenho medo das urnas, mas não pactuo, nem aprovo o processo que se concluirá dia 29 de maio e do qual o futebol não sairá ganhando.

A minha decisão está tomada, não disputarei aquilo a que chamam eleições para a presidência da Fifa.

Agradeço profundamente a todos os que me apoiaram e peço que mantenham a vontade de mudança, que pode tardar, mas chegará.



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