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Craque

Brasil 3 x 0 Japão: A arte de construir um time

Seleção Brasileira mostrou que está no caminho da evolução, manteve a bola nos pés e teve 63% de posse de bola; mas tem que corrigir problemas importantes como a ligação defesa-ataque 17/06/2013 às 08:43
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Seleção Brasileira faz posse para foto
Leanderson Lima Brasília

Felipão é um técnico rabugento e tido por muitos como obsoleto... Agora é impossível negar uma coisa: ele definitivamente sabe como montar um time. É fato que a Seleção Brasileira ainda está ganhando forma. É um time que ainda não passa confiança para a torcida e que está, devagar, ganhando “massa muscular” na mão do treinador.

Ao manter o mesmo time, Felipão permite um melhor entrosamento dos atletas e também passa confiança aos jogadores. Na era Mano um entra e sai sem tamanho, talvez por isso tenha sido tão difícil montar um time.

Contra o Japão a Seleção Brasileira mostrou que está no caminho da evolução. O time entrou de forma tranquila e soube como manter a bola nos pés. Ao fim do jogo a Seleção registrou 63% de posse de bola contra 37% do Japão.


O Brasil tinha mais toque, o problema é que, às vezes, a zaga ainda precisa fazer ligação direta com o ataque, o que mostra que ainda falta evoluir para levar para o jogo o que se faz no treino: bola saindo da defesa, para o meio de campo e daí para o ataque. A seleção espanhola sabe fazer isso muito bem. O Brasil, não.

Para Felipão foi a forma como os jogadores encontraram para “jogar naquele momento”, já que o Japão conseguia diminuir os espaços de forma eficiente.

No quesito aproveitamento no ataque o Brasil foi excelente diante do Japão. Dos nove chutes a gol dados durante a partida o time converteu três. Ou seja, o Brasil obteve 33,33% de aproveitamento.

Questões

Existem outras questões a serem resolvidas entre Felipão/torcida Brasileira. No sábado no estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha a torcida continuou pedindo Lucas no time titular. É uma onda crescente. Para que ele entre, Hulk precisa deixar o time. O paraibano não convence? À torcida não, à Felipão, sim. Não só Felipão, Hulk convenceu Mano Menezes e até o Zenit que pagou uma fortuna por ele. 

Ele é um jogador de força física e tem como grande capacidade técnica o poder de recomposição tática. Contra o Japão ele ainda mandou um balaço que poderia ter terminado em gol. Quem sabe assim a torcida não deixaria de pegar tanto no pé dele...

Com Lucas em campo, o Brasil ganha em ofensividade e perde em recomposição. É um caso a pensar. Um bom time precisa de um bom jogador como o paraibano.

Volantes

Paulinho continua dispensando comentários. Além de ser um senhor volante ainda faz aquilo que o cargo não obriga, mas ele adora: gols. Contra o Japão fez mais um, depois de receber um cruzamento perfeito, de Dani Alves, que esteve impecável. Enquanto isso, Luiz Gustavo segue discreto e fechando muito bem o sistema defensivo.

Na verdade ele parece ter se espertado, afinal de contas, se o Felipão resolver adotar um sistema tático com David Luiz jogando como cabeça de área, é ele quem dança.

Meio campo

Oscar conseguiu definitivamente ser aquilo que o Paulo Henrique Ganso até agora não conseguiu ser: um jogador cerebral, capaz de articular e muito bem o meio de campo do Brasil. A arrancada que ele deu no final da partida e a visão de jogo ao fazer um belo passe para Jô, que vinha por trás, foi um lance de craque. Jô, muito oportunista, só correu para o abraço. Jô, aliás, só ganha a cada dia a confiança do treinador. “Ele está plantando e vai colher lá na frente”, avisou Felipão.

Neymar


Por último e nem por isso menos importante: Neymar e o ataque brasileiro. A grande questão da semana passada foi se ele poderia ou não jogar na Seleção Brasileira como ele joga no Santos. Ele disse que não, mas provou que pode sim. Neymar é a personificação da criatividade do futebol brasileiro e nunca pode deixar isso de lado. Ele deve obediência tática ao time, mas não deve se tornar um novo Robinho, hoje um jogador mecanizado pelos sistemas táticos europeus.

No jogo de sábado as qualidades que ele sempre teve reapareceram. Ele aproveitou a matada de peito que Fred deu na bola para fazer um golaço.

Fred saiu do jogo em branco porque jogou para o time, atraiu a marcação japonesa abrindo espaços para que Neymar pudesse jogar. É coisa de time, de um time que está em construção e que pode sim fazer um papel digno na Copa do Mundo de 2014. O caminho até lá é curto. A obra tem que andar rápido. Felipão, porém, parece um engenheiro mais do que qualificado para construir os alicerces de um time campeão. O futuro dirá.

Vaia monumental


A tão propalada popularidade da presidente da República Dilma Rousseff sofreu um duro golpe durante a abertura da Copa das Confederações no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Quando se preparava para fazer o discurso de abertura no campeonato a petista levou a maior vaia da história de um evento esportivo organizado pela Fifa. Mas ela disse que nem as vaias vão a impedir de ir à final no Maracanã.

Antes dela, o próprio presidente da entidade internacional, Joseph Blatter, também foi vaiado. O constrangimento foi grande para ambos. Blatter ainda tentou apelar para a “boa educação” do povo. “Amigos do futebol brasileiro, onde está o respeito e fair play, por favor?”, bradou o representante da Fifa.

Não teve jeito. A saia justa estava deflagrada. Restou à presidente do Brasil apenas cumprir o protocolo: “Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações Fifa 2013”.

E o constrangimento se estendeu até ao técnico da Seleção Brasileira que, durante a coletiva foi indagado sobre a vaia a presidente. “Só vou falar sobre esquema tático”, sentenciou, antes de fazer de conta que não ouvira a pergunta do jornalista.

Mosaico de abertura

A festa de abertura da Copa das Confederações, em Brasília, seguiu o estilo de outras edições do torneio internacional da Fifa, tirando a temática brasileira e o samba presente na trilha sonora, é claro.

Tanto na Copa das Confederações quanto na Copa do Mundo as festas são tradicionalmente curtas – não passam de 20 minutos – e não têm a magnitude circense e até cinematografica de uma abertura de Jogos Olímpicos ou de uma decisão de Liga dos Campeões da Uefa (Champions League), por exemplo.

A abertura brasileira apostou em uma fórmula que sempre funciona: o uso de mosaicos humanos. Um gigantesco foi formado no campo do Mané Garrincha. Os bailarinos criaram bolas e deram boas vindas aos fãs de futebol em diversas línguas.

Teve também os tradicionais elementos da cultura brasileira e foram feitas menções aos países participantes.

O espetáculo recebeu a direção artística do consagrado carnavalesco Paulo Barros, da escola de samba Unidos da Tijuca, do Rio de Janeiro, uma das “cabeças pensantes” do Carnaval carioca.

Confira galeria de fotos aqui.

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